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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dançarinos fazem mudança de loja

Coreografias com manequins e araras chamam atenção para a troca de endereço

Ao invés de lidar com a mudança de endereço como um mero transporte de objetos, a rede de lojas Pompéia (RS) aproveitou a ocasião para criar uma série de mobilizações e divulgar o endereço novo.

Para a reinauguração de uma loja em Novo Hamburgo, dançarinos fizeram o trajeto da antiga para a nova sede. Vestidos de vendedores, aproximadamente 10 artistas dançavam enquanto transportavam caixas, araras e manequins. A música escolhida, Celebration, da banda Kool & the Gang, já foi trilha de algumas propagandas da marca e embalou as coreografias.

  • As fotos são de uma das performances realizadas.

  • Ao longo do dia foram realizadas outras 3 apresentações, todas diferentes.
  • As lojas Pompéia, especializadas em varejo popular (classes C, D e E),nunca deixam de inovar na maneira de se apresentar a seus clientes. Lembram do desfile dentro de um galpão de estocagem de produtos?

* do Portal Use Fashion

domingo, 14 de junho de 2009

Parada Gay movimenta o comércio

A Parada do Orgulho GLBT* - ou, simplesmente, Parada Gay - acaba de acontecer na cidade de São Paulo e, ao que tudo indica, teve recorde de público. Pelo segundo ano consecutivo, a Parada Gay paulistana recebe o título de maior do mundo, superando a de São Francisco, EUA, considerada a cidade mais gay do mundo.

O evento agita toda a cidade. A ocupação nos hotéis aumenta nos dias do evento. Os comerciantes comemoram o aumento do faturamento. A Parada Gay só perde em arrecadação para a Fórmula Um, como afirma a matéria (de 12/06) veiculada na TV Globo.

A festa alcança o comércio popular, da região do Brás e da 25 de Março e vai até às lojas da Rua Oscar Freire e do shopping Iguatemi, dois ícones do consumo de luxo na capital. Levantamento feito pela consultoria GayBrasil, que treina funcionários de lojas, hotéis e restaurantes para lidar com o público GLBT, revelou que as vendas nas principais lojas de grife da cidade sobem entre 20% e 25%.

"São informações passadas por associações de lojistas. Mas não adianta o comerciante investir em publicidade para atrair o cliente só nesta época do ano. É preciso um trabalho duradouro, de bom atendimento e serviço, para ter um retorno deste tipo. O público GLBT é muito sensível e percebe quando o prestador de serviço ou loja só quer se aproveitar desse período do ano", diz Ricardo Hida, consultor em comunicação e imagem corporativa da GayBrasil.

Hida explica que a rede hoteleira já percebeu essa diferença e investiu em treinamento de pessoal. "As redes de hoteleiras, especialmente da região da Avenida Paulista e dos Jardins, foram os primeiros a investir na fidelização desses clientes, com um grande investimento em treinamento dos funcionários. Em segundo lugar, vêm os restaurantes. Mas esta é uma visão que falta a maioria dos lojistas", afirma Hida. A rede hoteleira, até o momento, é a que mais tem lucrado com o evento. "Nessas duas regiões, o índice de ocupação fica perto de 100% durante essa temporada." Para Hida, as lojas que mais lucram com a parada são aquelas que estabeleceram uma forte identificação com o público GLBT. "Grifes como Walério Araújo, Mário Queiroz, Fause Haten e Cavalera e as grandes grifes internacionais, como Calvin Klein, Diesel, Foch e as marcas vendidas pela Jeans Hall (loja que comercializa jeans premiun) devem ter dias bastante lucrativos na semana que antecede a Parada."

A maioria dos turistas que frequentam a Parada Gay é brasileira. "Vem muita gente de cidades menores, que não têm pontos de vendas de grandes marcas. Então, o pessoal aproveita não só para se divertir, mas também para consumir e aproveitar toda a parte cultural da cidade, as peças, as exposições e as mostras de filmes, mesmo aquelas que não sejam diretamente ligadas ao tema da homoafetividade - diz Hida.

  • * GLBT são as iniciais de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais. Mas a parada celebra a diversidade e convida também simpatizantes e seres humanos em geral.
  • Os broches (buttons) na imagem do início do texto são de uma empresa novaiorquina que fornece para vendedores de lojas, garçons e staff de hotéis durante a Gay Pride, de NY. Uma forma simples e econômica de demonstrar imparcialidade no atendimento e que todos são bem vindos.

* dados do G1 e do Jornal o Globo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Rua 25 de Março terá "clone" na zona sul

A Marginal Pinheiros, em São Paulo, terá shopping inspirado na via de comércio popular, com réplica em tamanho menor do Mercado Municipal. O empreendimento, pensado para atender consumidores das classes C e D, fica perto de dois terminais de transporte público em Santo Amaro, região do ABC paulista.

A rua 25 de Março faz tanto sucesso com seu comércio de rua, mas tanto sucesso, que vai ganhar um clone. Só que, sinais dos tempos, a réplica não ficará na rua - será em um shopping, na marginal Pinheiros, em Santo Amaro, numa área industrial abandonada na zona sul de São Paulo.

A Nova 25 de Março, como foi batizado o projeto, terá até uma réplica menor do Mercado Municipal, com vitrais e sanduíche de mortadela. "Sempre olhamos o caos urbano da 25 de Março como uma oportunidade de negócios", diz Márcio Bevilacqua, diretor comercial da Savoy, empresa que criou o projeto e tem mais de mil imóveis na cidade de São Paulo, entre as quais os shoppings Interlagos e Aricanduva.

Segundo Bevilacqua, o projeto surgiu de três constatações: a 25 de Março não tem para onde crescer, o acesso para carros é para lá de ruim e o tratamento que a clientela recebe na rua não faz jus à fama de ser o metro quadrado mais caro da América Latina (lá, o metro quadrado para locação vale R$ 100, quase o triplo dos R$ 30 cobrados na rua Oscar Freire, nos Jardins!).

O shopping está sendo construído entre uma estação de metrô (João Dias) e um terminal de ônibus, no Largo 13. "Sabemos que se houver fila de carro o público vai embora", afirma. O projeto foi planejado para atender os consumidores mais pobres, das chamadas classe C e D - daí a ênfase em transporte público. Mesmo assim, o estacionamento terá cerca de 4.000 vagas.

O projeto prevê corredores com "organização desorganizada" da 25 - não haverá ambulantes, mas quiosques darão um ar de bazar persa, um pedido dos comerciantes que aderiram ao projeto.A Savoy diz que já vendeu 110 das 150 lojas previstas na primeira fase do projeto.
O shopping, que deve consumir investimentos de R$ 76 milhões, deve ser inaugurado parcialmente no dia 25 de março do próximo ano.
Lojistas criticam cópia e mostram desinteresse
Entre os lojistas da 25 de Março, falta entusiasmo e sobram críticas ao projeto de réplica do maior centro de comércio popular da América Latina. Somente um dos entrevistados mostrou interesse - tanto que já assinou contrato de locação, pelo qual pagou R$ 90 mil. Para a Teartecidos, há dez anos na 25 de Março, o shopping possibilita sua primeira expansão. "A ideia é atingir um outro nicho de clientes. Afinal, São Paulo é muito grande nem todo mundo vem para cá", diz o dono da loja, Paulo Abdalla.

No depósito de meias Ansarah, a opinião é outra. Eduardo Ansarah, terceira geração ali e diretor da Univinco (União de Lojistas da 25 de Março), diz que mimetizar a rua é "sonho inatingível". "Isso é uma veia onde corre sangue: informalidade, trânsito, movimento" - e a cópia, como não vai ter essa "vitalidade", não vai ser tão atraente, afirma Ansarah.
Para Fernando Parsequian, do Depósito Gregório, ao projeto faltam lojas-âncora populares. "Não pode ter uma C&A. Se não tiver Armarinhos Fernando, ambulante e pirataria, vai ser shopping normal." A Armarinhos Fernando não tem contrato fechado.
A professora da USP, Heliana Vargas diz que o projeto se assemelha aos "camelódromos", criados para concentrar ambulantes, e que o atrativo da rua é o movimento, aliado aos preços. "Algo planejado que reproduza isso é difícil, implica custo ao lojista. Não creio que consigam tirar os mais tradicionais."

* matéria da Folha de São Paulo, 20 de maio de 2009. As primeiras fotos são da Marcelona, que escreveu em 2008, um especial sobre a rua para o site EP. A foto do beijo achei no Google. Pertence à lista de "prediletas de todos os tempos". O amor pode estar em todos os lugares e considero esta imagem poesia pura!