Mostrando postagens com marcador consumo sustentável. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador consumo sustentável. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de agosto de 2009

Pense global, compre local II

Na carona do post anterior, faltou explicar: um dos principais mandamentos do consumo consciente é: pense global, compre local (think global, buy local): People should buy their goods as much as possible from local sources as part of global efforts to stop potentially catastrophic climate change.
  • Entende-se que, incentivar o comércio local pode reduzir a emissão de carbono, ao diminuir a necessidade de transportar produtos por grandes distâncias.
  • E quanto menos combustível e energia, melhor para a economia e para o meio ambiente mundial.
  • Eu sempre me questiono como foi a viagem do salmão chileno, do bacalhau norueguês, dos kiwis australianos (da Austrália!!!) até as gôndolas do mercado aqui do bairro.
  • Quer saber? Vale a pena ver este filme da polonesa Katarzyna Kijek.

Pense global, compre local

Uma bandeira que se torna cada vez mais forte no mundo, mas ainda não sensibiliza os brasileiros, é a campanha para comprar produtos locais.

Nos Estados Unidos vêem-se por todo lugar cartazes com os dizeres buy local, locally grown, locally produced, locally owned – os comerciantes, agricultores e proprietários de empresas fazem questão de anunciar que vivem na comunidade onde trabalham. E muitos consumidores fazem questão de serem fregueses desse pessoal, como uma forma de incentivar o empreendedorismo e não mandar o seu dinheiro para longe de casa.

  • Mas já tem "espertinho" se aproveitando: em San Francisco,
    os produtos locais estão fazendo tanto sucesso que até as grandes redes estão falsamente apelando para o marketing do "local" como uma forma de atrair fregueses.
  • A livraria Barnes & Noble, maior vendedora de livros do mundo, adotou o slogan "toda livraria é local".
  • A rede de supermercados Wal-Mart colocou cartazes com a palavra "local" perto dos legumes e verduras.
  • O HSBC (que a gente sabe, é um banco internacional gigantesco), apelidou-se de "o banco local do mundo".
  • O Conselho Internacional de Shopping Centers começou uma campanha nacional para as pessoas comprarem de negócios locais – isso é, do shoping center do seu bairro.
  • Como o marketing se presta a isso? Vergonhoso!
  • Ora, "comprar local" não significa ir para a loja local de uma grande cadeia – significa gastar em uma pequena empresa cujo dono mora perto de você. Ao fazer isso, garante-se que o dinheiro ficará no seu bairro e toda a comunidade passa a se favorecer desta economia.
  • Nos EUA, calcula-se que 45 a cada 100 dólares gastos em negócios locais ficam na comunidade. Muito mais do que os 13 de cada 100 dólares gastos em lojas de rede.

  • Comprar local também ajuda a fortalecer a classe média – o dinheiro premia pequenos empreendedores, em vez de ir parar nas mãos de executivos engravatados dos infinitos níveis hierárquicos das grandes corporações.
  • Com toda a crise que assola os EUA, cidades com comércio local mais forte estão se saindo melhor do que lugares altamente dependentes de redes e corporações.

  • E o que é mais legal: incentivar o comércio local torna as cidades mais interessantes! San Francisco tem leis rigorosas para desestimular a chegada de grandes redes e seu comércio é absurdamente variado e divertido.
  • Como eu queria que em minha cidade tivesse uma lei como esta de San Francisco...
  • E como seria bom se mais brasileiros percebessem que usar roupas feitas em pólos industriais de seu estado é muito mais sustentável e bacana do que ostentar grifes gringas ou roupa descartável e de mão de obra duvidável, made in... você sabe onde.
  • E você, aprova o compre local ou acha que isso é bobagem? O que importa no comércio é mesmo a lei da melhor qualidade pelo melhor preço?

  • E vai me dizer que não existe uma espécie de "encanto" em fazer compras em feiras locais. Tocar o produto, ver o alimento fresco, trocar experiências com o feirante, negociar preço e pagamento...
  • Adoro uma loja bonita e os avanços tecnológicos do setor, mas nada substitui a magia do "contato."

* do Sustentável é pouco.

sábado, 20 de junho de 2009

Já calçou a Amazônia hoje?

Quem é meu leitor certamente é bem informado e já deve estar sabendo das notícias que revelaram que o maior vetor do desmatamento da Amazônia é a indústria agropecuária. E o que o blog tem a ver com isso? Presta atenção no resuminho da história:
  1. O Greenpeace Brasil, depois de uma investigação séria e detalhada que levou 3 anos, divulgou no dia primeiro deste mês um relatório denunciando as empresas que indiretamente colaboram com a destruição da Amazônia ao sustentar a criação ilegal de gado.
  2. Na lista, um monte de marcas que o mundo inteiro conhece e consome: Nike, Adidas, Timberland e Reebok, que compram na China couro do frigorífico brasileiro Bertin. Toyota, Honda, Ford e BMW, que compram nos EUA couro do mesmo frigorífico para bancos de carro. Boss, Louis Vuitton, Prada, Gucci, que compram o mesmo couro na Itália para fazer bolsas e sapatos. E, no Brasil, Vulcabrás (Reebok e Olympikus) e Calçados Dilly (TryOn, Fila, Umbro, Kappa e também Glória Coelho e Carlota Joakina), além do Pão de Açúcar, Wal Mart e Carrefour, que compram produtos bovinos da Bertin e também da JBS e da Marfrig, outros frigoríficos da Amazônia.
  3. Uma semana depois, dia 8, a Associação Brasileira de Supermercados se reuniu e decidiu fazer alguma coisa. Em decisão conjunta, Pão de Açúcar, Wal Mart e Carrefour concordaram em, juntos, tirar seus nomes da lista. Na quarta passada, eles anunciaram que abandonariam 11 fornecedores do Pará que não conseguiam garantir que sua carne não provinha de desmatamento ilegal.
  4. Dois dias depois, sexta-feira passada, o Banco Mundial anunciou que estava cancelando seu contrato para financiar o frigorífico Bertin, maior exportador do Brasil e segunda maior empresa do setor do mundo.
  5. No sábado, 13/06, a coluna Radar, da Revista Veja, informou que a Adidas convidou a Bertin, para uma conversa em sua sede, na Alemanha. A Adidas quer que a Bertin dê garantias de que não vai fornecer couro proveniente de regiões de desmatamento na Amazônia. A Adidas convidou o Greenpeace para testemunhar a reunião.
  • Estou na torcida para que as outras empresas envolvidas no escândalo tomem algum posicionamento. Será que a Nike, Vulcabrás, Dilly, BMW, Ford, Honda, Toyota vão tomar uma providência ou vão ficar torcendo para os consumidores não ligarem para a destruição do chamado "pulmão do mundo"? (foi assim que eu aprendi a chamar a Amazônia, no meu tempo de escola)
  • E será que os frigoríficos e curtumes envolvidos vão se mexer para se adequar à lei? Não perca, nos próximos capítulos!
  • Esta história é legal porque é uma das raras vezes em que o temor quanto a pressão dos consumidores embasou uma mudança de atitude da indústria.
  • Sabemos que há uma imensa pressão por resultados que faz com que se escolha sempre o fornecedor mais barato, sem se preocupar muito com o que esse fornecedor faz para conseguir preços tão baixos. As empresas só vão proceder de um jeito diferente se perceberem que os consumidores vão puni-las se elas não forem responsáveis. É bom ver que isso está começando a acontecer no Brasil. É pouco, mas é um começo.

  • Corro o risco de lhes parecer ingênua, mas continuo envergando a bandeira de que desenvolvimento e sustentabilidade devem andar juntos. Na verdade, a esta altura do século 21, já deveria estar claro que um sem o outro é inútil.

* da Veja, da Folha On line e do blog Sustentável é Pouco.