sábado, 29 de agosto de 2009

Pense global, compre local

Uma bandeira que se torna cada vez mais forte no mundo, mas ainda não sensibiliza os brasileiros, é a campanha para comprar produtos locais.

Nos Estados Unidos vêem-se por todo lugar cartazes com os dizeres buy local, locally grown, locally produced, locally owned – os comerciantes, agricultores e proprietários de empresas fazem questão de anunciar que vivem na comunidade onde trabalham. E muitos consumidores fazem questão de serem fregueses desse pessoal, como uma forma de incentivar o empreendedorismo e não mandar o seu dinheiro para longe de casa.

  • Mas já tem "espertinho" se aproveitando: em San Francisco,
    os produtos locais estão fazendo tanto sucesso que até as grandes redes estão falsamente apelando para o marketing do "local" como uma forma de atrair fregueses.
  • A livraria Barnes & Noble, maior vendedora de livros do mundo, adotou o slogan "toda livraria é local".
  • A rede de supermercados Wal-Mart colocou cartazes com a palavra "local" perto dos legumes e verduras.
  • O HSBC (que a gente sabe, é um banco internacional gigantesco), apelidou-se de "o banco local do mundo".
  • O Conselho Internacional de Shopping Centers começou uma campanha nacional para as pessoas comprarem de negócios locais – isso é, do shoping center do seu bairro.
  • Como o marketing se presta a isso? Vergonhoso!
  • Ora, "comprar local" não significa ir para a loja local de uma grande cadeia – significa gastar em uma pequena empresa cujo dono mora perto de você. Ao fazer isso, garante-se que o dinheiro ficará no seu bairro e toda a comunidade passa a se favorecer desta economia.
  • Nos EUA, calcula-se que 45 a cada 100 dólares gastos em negócios locais ficam na comunidade. Muito mais do que os 13 de cada 100 dólares gastos em lojas de rede.

  • Comprar local também ajuda a fortalecer a classe média – o dinheiro premia pequenos empreendedores, em vez de ir parar nas mãos de executivos engravatados dos infinitos níveis hierárquicos das grandes corporações.
  • Com toda a crise que assola os EUA, cidades com comércio local mais forte estão se saindo melhor do que lugares altamente dependentes de redes e corporações.

  • E o que é mais legal: incentivar o comércio local torna as cidades mais interessantes! San Francisco tem leis rigorosas para desestimular a chegada de grandes redes e seu comércio é absurdamente variado e divertido.
  • Como eu queria que em minha cidade tivesse uma lei como esta de San Francisco...
  • E como seria bom se mais brasileiros percebessem que usar roupas feitas em pólos industriais de seu estado é muito mais sustentável e bacana do que ostentar grifes gringas ou roupa descartável e de mão de obra duvidável, made in... você sabe onde.
  • E você, aprova o compre local ou acha que isso é bobagem? O que importa no comércio é mesmo a lei da melhor qualidade pelo melhor preço?

  • E vai me dizer que não existe uma espécie de "encanto" em fazer compras em feiras locais. Tocar o produto, ver o alimento fresco, trocar experiências com o feirante, negociar preço e pagamento...
  • Adoro uma loja bonita e os avanços tecnológicos do setor, mas nada substitui a magia do "contato."

* do Sustentável é pouco.

1 comentários:

João disse...

Essa história de "compre local" é uma grande manobra midiatica contra produtos produzidos nos países em desenvolvimento! Além disso, há todas as criticas contra os chineses, brasileiros e indianos "maus" que poluem o planeta e destroem suas florestas! Ocorre que por séculos fomos úteis, não é mesmo, fornecendo açúcar, chá, escravos, mão de obra barata... Mudava a época e mudava o interesse... Agora que eles têm cada vez menos para nos oferecer e nós temos tudo para crescer, aparece essa onda de ambientalismo e buy local...

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