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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Você viu? Glória Kalil no Roda Viva, da TV Cultura

Gloria Kalil foi a entrevistada da semana (29/06) no tradicional Roda Viva, da TV Cultura. Sob o comando do jornalista Heródoto Barbeiro, a sabatina foi tocada pela economista Lidia Goldenstein, a pesquisadora de moda Cristiane Mesquita, o escritor Paulo Lins e Eliane Trindade, editora da Revista da Folha.

Durante 1h30, Gloria esclareceu dúvidas sobre os mais diversos assuntos. Falou de tudo: dos paletós do Congresso Nacional e Michelle Obama à questão de publicidade da roupa infantil, passando pelas duas semanas de moda brasileiras. Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus foi o mais provocador. Perguntou sobre as cotas de negros, a mania da chapinha e as diferenças no guarda-roupa entre as cidades. Mas o ponto alto do Roda Viva foi a aula sobre mercado interno da moda: "Tem que vender com bom preço ou a indústria brasileira não vai crescer," disse Gloria em um dos momentos.

Em outro, respondendo a uma pergunta da Eliane sobre o alto preço dos estilistas do país, polemizou: "Moda de grife não é nada, são poucas marcas que têm um investimento tremendo. Grife é cara mesmo. O que falta aqui, e que é bom nos outros países, é a moda para a classe média, que ficou prejudicada. Não existe essa faixa de preço no Brasil".

Corre para assistir no site do Roda Viva os melhores momentos, ouvir o programa na íntegra e conferir as excelentes charges do Paulo Caruso. Imperdível!
  • Atenção para o momento em que Gloria "alfineta" os empresários de moda, em resposta à discussão iniciada por Lidia Goldenstein: "Os políticos não se interessam pelo setor, afinal os empresários só choram por causa do imposto. Tem que se juntar, fazer um plano e deixar claro suas reivindicações".

Chic!

terça-feira, 17 de março de 2009

É barato ser fashion!

No último domigo, 15 de março, a rede de lojas de departamento gaúcha Pompéia apresentou sua coleção de inverno 2009 na sua cidade de origem, Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul. O evento, que reuniu cerca de 250 convidados, dá seguimento a várias estratégias depois que a empresa adotou o slogan "É fácil ser fashion", mostrando que moda popular também pode ser antenada. Neste ano, a palestrante foi Gloria Kalil, que falou sobre o mercado brasileiro de moda, o perfil do consumidor e as tendências para o inverno 2009. Segundo ela, as empresas de moda devem dar ao consumidor um meio de mostrar o que ele realmente é. "A roupa hoje é uma expressão individual, diferente de tempos atrás, quando era uma expressão social". Ainda de acordo com Gloria, a imagem de uma marca deve ser bastante clara, para que o consumidor possa se identificar rapidamente com ela. O desfile foi ambientado no centro de distribuição da loja, com stylist de Éden Matarazzo. A coleção investiu no conceito cheap chic (moda acessível), e apresentou cerca de 50 looks para masculino, feminino e infantil. No feminino, destaque para calças saruel, looks de alfaiataria, padronagens xadrez, estampas, bolsas pequenas e médias (em substituição às oversized das últimas temporadas) e botas, muitas botas.
Para o público masculino, sobreposições, padronagem argyle, alfaiataria, calças com modelagem slim, cangurus e tênis esportivos. Ambas coleções foram baseadas em tons neutros, como cinza, marrom e bege, além do preto. Os looks do infantil trouxeram cores para o frio, casacos, estampas gráficas e galochas.
  • Fundada em 1954 pelo empresário Lins Sperotto Ferrão, na cidade de Camaquã, a Pompéia é considerada uma das maiores redes de lojas de departamento do Rio Grande do Sul, com cerca de 50 lojas em todo o estado e aproximadamente 2500 colaboradores
  • Muito bom o aproveitamento do corredor central do galpão de estoques como passarela para o desfiles; lembrou-me um desfile da linha "cruiser" da Chanel que foi feito em um hangar de aviões. Aplausos do blog para o autor da idéia - e para quem aprovou!
  • Pergunta: quando você vê nos textos termos como cheap chic, oversized, slim, argyle, skinny, clutch ou saruel você tem exata compreensão do que eles significam? Gostaria de ver aqui um dicionário de termos de moda mais comuns ao varejo?

* texto e fotos do Portal UseFashion

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A legging de couro vai virar hit!

No Chic (site organizado por Gloria Kalil) tem recado para os varejistas: melhor ficar de olhos bem abertos para a legging de couro, que promete se tornar o hit deste inverno. Lá fora, celebridades como Rihanna, Beyoncé Knowles, Paris Hilton, Ashley Olsen, Katie Holmes, Mischa Barton, Alexa Chung elevaram a importância dessa calça, que é também aposta de passarela (daqui e de fora). A legging de couro (que pode também ser de látex, vinil ou em suplex emborrachado, que dá o mesmo efeito) compõe o estilo sexy/rocker/gótica, uma das tendências já listadas para este inverno. As leggings "brilhantes" fazem par perfeito com os sapatos e sandálias "pesadas" (com plataforma meia pata, muitas tiras, fechando os pés), super saltos e apliques de tachas, fivelas, zíperes e metais, com bicos arredondados. Também gosto de vê-las com ankle boots, mas conhecendo a preferência nacional, pode apostar que estarão nas baladas acompanhadas das botas de cano longo, mesmo (uma vez pirigueti, pra sempre pirigueti).

  • Minha dica: aposte nas pretas - venda garantida!
  • Lá no Chic tem galeria de fotos com as celebridades que aderiram ao look.
  • As leggings de couro preta são também uma das apostas da Daslu.
  • Como escreveu Ana Clara Garmendia, jornalista de moda em Paris: "Quem apostou no fim das leggings se deu muito, mas muito mal..."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Se eu trabalhasse com moda...

Com a palavra, Gloria Kalil!
Alô Chics!
Como alguns de vocês sabem, eu já tive (lá no passado) uma confecção. Tratava-se da Fiorucci, uma marca de moda jovem de origem italiana que ensinou o mundo a vestir jeans durante todos os dias e não só nos fins de semana, como era o permitido. Foi a primeira marca de jeans jovem e fashion do mundo e a grife marcou uma grande virada da moda no final dos anos 1970, começo de 1980.
Isso para dizer que conheço bem os problemas da indústria de moda, conheço bem os problemas do varejo de moda (tivemos 13 lojas próprias e 17 lojas franqueadas, mais 120 lojas multimarcas durante 8 anos) e sei como funciona a cabeça do consumidor brasileiro. Para ser muito honesta com vocês, estou feliz por não estar mais no ramo!
De lá para cá, a concorrência decuplicou, o mercado deixou de ser comprador e o consumidor virou uma entidade exigente, crítica e... mimada. Nada fácil trabalhar com moda hoje em dia. No entanto, as escolas estão cheias de alunos, o mundo fashion atrai cada vez mais e a mídia dá o maior espaço para o assunto. Quem vê pode até pensar que moda é um bom negócio no Brasil. Não é. É um negócio sofrido, concorrido, apertado. Poucos conseguem grandes vitórias.
Costumo comparar com o futebol: o país inteiro bate uma bolinha, todos os garotos (e hoje, garotas) querem ser astros dos grande times, mas só há vagas para 22 na Seleção Brasileira – 11 no campo, 11 no banco. Com moda, é a mesma coisa. Para cada cem lojas que abrem, duas dão certo e vão adiante. Vocês podem estar se perguntando: qual é a da Gloria? Desanimar o pessoal da moda no início do ano? Não. Minha intenção é fazer essa turma refletir sobre esse 2009 que se anuncia tão difícil para conseguir passar por ele de uma forma digna e sem grandes prejuízos.
Se eu trabalhasse com moda, em 2009 eu faria uma lista com resoluções e direções drásticas:
  • Dar foco total no meu cliente (quem é ele? Do que ele gosta? O que ele vai realmente precisar e querer?).
  • Investir mais em criação. Muito mais do que jamais foi feito antes.
  • Trabalhar mais em rede e menos isoladamente. Por que não me associar a uma joalheria, uma loja de acessórios, uma ótica, e fazer vitrines espetaculares e coordenadas a estas outras categorias? Fica interessante e barato para todos.
  • Estender esse trabalho de rede às indústrias têxteis para o desenvolvimento de novos tecidos. Nossa indústria anda pobre em oferta de bons e diferentes tecidos (desde os anos 1990). Que tal ajudar em algum projeto que traga mais tecnologia e mais recursos para nossas tecelagens? O tecido importado vai estar caríssimo e há espaço para a indústria brasileira ocupar este nicho.
  • Não perder de vista a ideia de que estamos num mundo globalizado e que nossos produtos podem agradar outras pessoas, de outros mercados e cidades... Levantem a grua, pensem além, pensem maior, pensem diferente.
  • Acho, honestamente, que só em associações e em grupos a gente vai conseguir algum resultado. É hora de juntar forças para vencer as dificuldades reais e psicológicas que estão nos ameaçando.

* Editorial de 28/12/2007, no Chic