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sábado, 12 de setembro de 2009

Punição a chineses vai encarecer tênis nas lojas brasileiras

Brasil aponta dumping e decide sobretaxar calçados do país asiático, enquanto fabricantes nacionais comemoram.

Os calçados importados da China ficarão mais caros nas prateleiras das lojas brasileiras. Uma decisão da Camex (Câmara de Comércio Exterior) determinou a sobretaxação provisória de US$ 12,47 para cada par fabricado no país asiático, após investigações apontarem que os chineses exportam esses produtos a preços inferiores ao praticados internamente, prejudicando a indústria nacional.

A medida terá validade de seis meses, mas o processo que definirá uma alíquota definitiva deve ser encerrado antes do fim do ano. A análise técnica do relatório de 35 mil páginas produzido pelo Ministério do Desenvolvimento apontou um direito de sobretaxação de US$ 18,44, mas a decisão final será tomada apenas em dezembro.

A resolução só não vai atingir calçados que representam parcelas muito pequenas nas importações brasileiras: sandálias de praia; alpercatas de couro, pantufas e sapatos de bebês. Também estão livres da taxação as sapatilhas de dança e calçados utilizados exclusivamente para a prática de alguns esportes, como boxe e ciclismo, além dos calçados descartáveis e utilizados como itens de segurança em fábricas.

Para o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Milton Cardoso, a resolução, ainda que provisória, representa um avanço ao restabelecer condições para que o setor possa resistir à invasão chinesa e voltar a gerar empregos. "Apenas no último trimestre do ano passado, perdemos 42 mil postos de trabalho. Com a conclusão do processo, em um ano podemos criar 60 mil vagas."Segundo a entidade, o preço médio dos calçados chineses no desembarque ao longo de 2009 foi de US$ 7,03. Com a sobretaxação, esse valor quase triplicará. Cardoso confirmou que o Vietnã será o próximo país a ser denunciado por prática desleal.

No entanto, para o descontentamento das maiores multinacionais do segmento, alíquota maior vale para os tênis de alto desempenho, que atualmente custam aos consumidores brasileiros cerca de R$ 500. Os fabricantes (leia-se Nike, Adidas, Puma, Mizuno e Asics) argumentam que esses calçados já entram no país com taxa de 35%, a maior permitida pela OMC (Organização Mundial do Comércio) em condições normais de concorrência. Para empresários do setor, a alíquota adicional, como punição por um suposto movimento desleal, acabaria prejudicando os usuários. Além de afirmarem que a escala de consumo não justifica a fabricação desses tênis no país, os grandes grupos internacionais alegam que a indústria nacional não seria capaz de produzi-los internamente. Além disso, processos semelhantes contra sapatos chineses na União Europeia e na Argentina não teriam resultado em sobretaxa para calçados esportivos.

O quê é dumping?

O Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior define da seguinte forma: “A prática de dumping, ou seja, a exportação de bens para outros mercados com preços inferiores ao praticado no mercado de origem, é considerada desleal pela OMC (Organização Mundial do Comércio). O direito antidumping é uma medida clássica de defesa comercial utilizada para evitar que produtores nacionais sejam prejudicados por importações desleais. Para a aplicação de um direito antidumping é realizada uma investigação para a verificação de dumping, dano à produção doméstica e o nexo de casualidade entre ambos.

  • Esta semana foi rica em notícias para o varejo (vou postando aos poucos, aguardem), mas esta, certamente, é a mais "quente".
  • E a pergunta que não quer calar é: - E a indústria têxtil brasileira, quando é que vai se movimentar por um dumping assim, hãn?!

    * do Portal Use Fashion, em 10/09/09. E tem também matéria completa na Exame deste mês. Assim que conseguir o texto na íntegra, posto aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O céu é o limite!

Domingão, de manhã, a cafeína já circulando na corrente sanguínea, chega a hora de atualizar a leitura semanal. Após uma folheada rápida na InStyle (USA) de agosto, comecei a arrancar as inserções irritantes. Antes de jogar tudo no cesto de lixo (reciclável, biên sur), um impresso me deteve: continha uma estatística realmente interessante.

Sapatos de salto altos venderam mais de US$ 5 bilhões, ano passado nos EUA! E olha que os dados já contemplam o início da crise financeira (divulgada em setembro de 2008 - um ano!). Mas já dá para ter uma ideia do que almejam as mulheres... Cinco bilhões gastos em saltos. Mamma mia!

  • Agora olhe o gráfico (que relaciona os gastos com a altura dos saltos, em polegadas) mais atentamente. Não lhe parece que o dinheiro, está distribuído de forma bastante equilibrada em todas as alturas?
  • Acho que isso mostra que as mulheres não gastam seu suado dinheirinho em apenas uma altura do salto.
  • Um olhar ("atento") no meu closet indicaria a mesma coisa...

Victoria Beckam personifica a pesquisa: sempre de saltos e às compras...

E mais: Uma pesquisa feita no Reino Unido (fresquinha, divulgada pela BBC News em 9/09) levantou os seguintes dados:
  • 37% das mulheres comprarão sapatos desconfortáveis desde que eles estejam na moda.
  • 4 entre 10 mulheres já compraram sapatos conscientes de que não conseguiriam usá-los.

Isso no Reino Unido... Mas mulher brasileira é diferente! Aposto meus L.A.M.B. (by Gwen Stafani, hechos en Brazil - não confundam com os riquésimos lãmbutãn...) que a porcentagem de mulheres que compram sapatos conscientes que vão conseguir usá-los somente uma vez é de 10 para 1!

"Meus" L.A.M.B!

  • É como diz o ditado: "casa de ferreiro espeto de pau". Somos da terra das havaianas, mas deixamos as inglesas no chinelo...
Mais rápidos foram os sulcoreanos. Até 2010, a capital, Seul, poderá ser considerada uma cidade amiga do salto alto – e das mulheres que os adoram. Até lá, a prefeitura terá pintado mais de 5 mil vagas de estacionamento de rosa, dando preferência para as mulheres. Segundo a administração, a medida vai permitir que as mulheres andem menos para chegar aos locais de trabalho. A ação faz parte de um projeto que pretende tornar a cidade mais amigável para as mulheres e inclui medidas como nova pavimentação das calçadas para não estragar os sapatos das coreanas.

  • Lá, a decisão foi política (e populista) para desviar a atenção para os verdadeiros problemas enfrentados pelas mulheres coreanas, mas não podemos dizer que seja de todo mal o fato de termos o "trânsito" facilitado.
  • Não é uma solução pra lá de simpática para estacionamentos de shoppings e de estabelecimentos comerciais?

  • Nem que seja por alguns dias... em comemoração pelo Dia Internacional da Mulher ou Dia das Mães, por exemplo... nos poupavam de alguns calinhos (ai, ai, ui!)

* gráfico da InStyle; pesquisa da BBC do Petiscos; estacionamento pink da Época OnLine.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Azaléia concede férias coletivas a 2,3 mil funcionários

Olha eu, de novo, escrevendo sobre a crise econômica... e desta vez relacionada diretamente com a indústria calçadista brasileira. Sexta-feira, 13 (que data, hein?!) a Azaléia concedeu férias coletivas para 2,3 mil funcionários, tanto para as unidades de Itapetinga-BA, como para a unidade de Parobé. A empresa estima que a pausa será de 20 a 30 dias.
Para os funcionários é um receio que se confirma, já que em tempos de crise todo mundo quer mesmo é trabalhar e não tirar férias. A declaração do presidente da empresa indicou três fatores para a decisão: primeiro de que os primeiros meses do ano possuem um volume baixo de vendas, segundo o alto nível de estoque e terceiro, o aumento das importações.
Sabe-se que mesmo com todo este burburinho de crise econômica mundial, o povo daqui continua a consumir e muito - e analisando bem não só os daqui - já que as exportações cresceram 9,5% só na primeira quinzena de fevereiro. Mas, a Azaléia deve ter boas justificativas para fechar as portas por quase um mês, já que os números falam em um crescimento das importações de calçados de 35% sobre fevereiro de 2008 e de 214% sobre o mesmo mês em 2007.
Deu prá perceber? Os números mostram a "desvantagem" entre exportações e importações, mas será mesmo que a culpa do crescimento das importações é mesmo da globalização,do mercado único? Isso não é uma novidade...então será que não existem maneiras inteligentes e eficazes para tornar um produto competitivo e que não fique tão a mercê da economia mundial? O que será que está faltando?

* a foto, que mostra uma linha de produção de tênis Olympikus Tube, foi estraída do Pense Moda.