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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pichação chique

No último dia 13 de julho, a loja da Giorgio Armani em Hong Kong amanheceu com uma versão "derretida" do logo da Chanel aplicada em sua fachada. Detalhe: a tinta era guache de criança, que sai lavando…

A piada com as duas grifes foi obra do artista francês Zevs, e a brincadeira fez com que ele fosse parar na delegacia às vésperas da abertura de sua exposição na cidade.

Em cartaz até 30 de setembro em Hong Kong, a mostra "Liquidated Logos" (logos liquidados, em tradução livre) reúne uma série de logomarcas - da Louis Vuitton à Coca Cola, além do símbolo da Chanel- exibidas em telas ou objetos em cerâmica, como se estivessem derretendo.

Zevs reproduz as marcas em suas cores originais, mas usando tintas em excesso. "O logo se dissolve na frente de quem o observa, chamando a atenção e perturbando visualmente essas marcas tão conhecidas e onipresentes. O que eu tento é investigar o poder visual do logo", completou o francês, que só se deixa fotografar com chapéu e uma meia fina escondendo o rosto.
  • Zevs escapou de ter de pagar 600 mil euros à Armani e passar duas semanas na cadeia pelo "atrito entre marcas" que atiçou.
  • E a Chanel? Não vai processar o Zevs por apropriação intelectual ilícita(branding piracy)?
  • A arte de Zevs não te inspira? Sem piração: na próxima temporada de liquidação quão bacana seria ver logos "derretendo-se" (= liquidated logos) nas vitrines e material publicitário das lojas daqui - muito mais inovador do que as (já desgastadas) palavras de ordem: "sale", "off", "promoção", etc et all...

* Zevs, ou Christophe Schwarz, 31, começou a grafitar em Paris na década de 90. Desde a metade dos anos 2000, Zevs deixou de lado as ruas e anúncios publicitários para intervir em logomarcas - nem o Google escapou de ter suas tintas diluídas. Li na Folha.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Morno e frio - o Dia dos Namorados no Brasil

E chegamos ao Dia dos Namorados, a comemoração mais comercial do ano (sabe do que estou falando? No final do texto explico.) Sendo assim, era de imaginar que o comércio e agentes publicitários "deitassem e rolassem" com todas as possibilidades que a data sugere. Que nada. Ao invés de surpreender-me com ações de marketing cativantes o que vi foi um pouco mais do mesmo - e tudo muito morno, sem nenhum arroubo de emoção, como a data sugere. Mas, minha chatice é respeitosa - fiz uma pequena seleção do que mais me chamou a atenção.

A coleção com edição limitada da Arezzo

A Arezzo há algum tempo vem lançando mini coleções, com curto período de validade nas vitrines, mas esta é a primeira com o tema Dia dos Namorados. São 3 modelos de sapatilhas, 3 modelos de bolsas, 3 de cintos e 3 modelos de chaveiros, todos com corações e a palavra love como estampas.

  • Teve quem não gostasse da cor caramelo utilizada, mas achei bem a cara da Arezzo.
  • Destaque para a sapatilha "gêmea" - um pé com a palavra my e outro com love. Achei fofo. Será que as namoradas aprovaram?

Gant recorre a Santo Antônio

O mais casamenteiro dos santos ainda tem poder para arrumar casamentos? A Gant, grife estadunidense (no país desde 2007, com 3 lojas próprias), confeccionou medalhas em prata 950 com o rosto de Santo Antônio para ajudar a transformar o namoro em casamento. A designer Camila Sarpi foi quem criou os pingentes, desenvolvidos para serem usada em correntes ou pulseiras, tanto para os homens quanto para as mulheres. Mas só ganha quem fizer compras acima de R$ 500,00.

  • Achei simpático. Para uma loja "gringa", mais fácil seria importar alguma campanha do Valentine's Day. Investiram em um produto com conceito e design brasileiro. Acertaram!

Sorte no amor?

A ação da Spezzato veio para minha seleção por ser pouco convencional: as clientes da marca (de moda jovem feminina) que passaram esta semana nas lojas da Vila Nova Conceição, em São Paulo e na loja do Shopping Iguatemi, de Campinas puderam agendar uma consulta com uma cartomante.

  • O assunto? Ah, o amor, claro! Com jeitão de Halloween, mas, enfim...

Polêmica instalação com camisinhas da A/X

Quatro corações formados por 450 preservativos estão expostos nas vitrines das lojas Armani Exchange (4, no Brasil). Eles integram a campanha Give Love, Get Love (Dê amor, receba amor), que valoriza a importância do sexo seguro. Parte da receita das vendas no período será revertida para a Associação Brasileira para Estudo, Prevenção e Tratamento da Síndrome Metabólica em Aids (Abemaids).

  • Até aí, nenhuma novidade. Existe coisa mais óbvia do que coraçõezinhos vermelhinhos ou cupidinhos fofinhos para todos os lados? Mas acreditem, estas vitrines causaram a maior polêmica nos Estados Unidos, às vésperas do Valentine’s Day, deste ano.
  • A gerência do Somerset Collection Shopping, na cidade de Troy, Michigan julgou a vitrine ofensiva e ordenou a retirada dos corações. Mas, mas... Olhem a imagem no detalhe: são camisinhas fechadas, não há nenhuma foto com casais insinuando sexo ou frases picantes, nada.
  • Francamente! Este shopping sofre de crise de identidade - pensa que está em Roma, dentro do Vaticano!

  • O Dia dos Namorados foi introduzido no Brasil, em 1950, pelo publicitário João Dória (autor do slogan "não é só com beijos que se prova o amor"). A intenção de Dória era criar o equivalente brasileiro ao Valentine's Day - o Dia dos Namorados realizado nos Estados Unidos.
  • É provável que o dia 12 de junho tenha sido a data escolhida porque representa uma época pobre em festas comemorativas que alavanquem as vendas do comércio. Outra versão diz que o publicitário quis reverenciar a véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.
  • A idéia funcionou tão bem entre os comerciantes, que desde então o Brasil inteiro comemora anualmente a data.
  • Nos Estados Unidos e na Europa, não existe Dia dos Namorados, mas uma data que celebra o amor - o Valentine’s Day, em 14 de fevereiro, em homenagem ao Bispo Valentino. Em 270 a.C., o bispo romano Valentino desafiou o imperador Claudius II que proibia que se realizasse o matrimônio e continuou a promover casamentos. Para Claudius, um novo marido significava um soldado a menos. Preso, enquanto esperava sua execução, o bispo Valentino se apaixonou pela filha cega de seu carcereiro, Asterius. E, com um milagre, recuperou sua visão. Para se despedir, Valentino escreveu uma carta de amor para ela. Foi assim que surgiu a expressão From your Valentine. Mesmo tido como santo pelo suposto milagre, ele foi executado em 14 de fevereiro.

  • E vocês? Viram ou participaram de alguma ação de marketing interessante neste Dia dos Namorados? Em se tratando de amor - e com o frio que anda fazendo, jurava que a "chama da paixão" incendiaria vitrines e lojas. Agora só me resta torcer para que, ao menos, a temperatura aumente entre quatro paredes, na rede, no chão, na garagem, na fazenda, numa casinha de sapê... ando meio descrente, mas lá no fundo bate um coração incorrigivelmente romântico - desejo que vocês sejam mais criativos que o pessoal aí de cima! E que tenhamos todos, um Feliz Dia dos Namorados!

* li sobre estas campanhas em vários sites de moda e notícias e fui juntando tudo para colocar aqui. Quero pontuar somente a última imagem. Trata-se de um cartaz francês atribuído a um "grupo que organiza ações espontâneas contra a publicidade". O texto incita as pessoas a fazerem amor, apesar das lojas e mostra um coração ostentando um cartaz que diz: Não estou à venda! Será, mesmo?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Fechando...

Por culpa das altas taxas argentinas de importação, Emporio Armani fecha única loja na Argentina. Em texto divulgado pela assessoria da grife para a América Latina, alegam que as barreiras tarifárias que priorizam o mercado interno e objetivam reconstituir a economia do país, somadas aos reflexos da crise mundial, acabaram por justificar a retirada da marca da capital argentina.
Curiosamente, a loja sai do país em decorrência de fatores parecidos que propiciaram sua entrada, já que foi estabelecida em 2001, ano da pior crise vivida pelo país. O detentor dos direitos da marca no país, The Exxcel Group, era obrigado a importar todas as peças vendidas na loja, localizada no elegante bairro Recoleta, em Buenos Aires. Mesmo assim, até o início da crise, as vendas se mantiveram estáveis, paralelas ao crescimento médio anual de 8% da economia argentina.
A Armani continua representada no país por 3 outras lojas da Armani Exchange, uma espécie de segunda marca que vende roupas mais básicas. Mas a permanência de tais lojas depende ainda de negociações, já que a The Exxcel Group quer ao menos a autorização para produção local destas roupas, que não possuem a mesma exigência de confecção exclusiva da primeira marca.
  • Mais uma retração causada pela crise econômica mundial, que não poupou o mercado de luxo e confirma a tendência de que os ricos têm comprado menos. De acordo com o ranking de março da revista Forbes, o mundo agora tem 793 bilionários em comparação com os 1125 do mesmo mês do ano passado, uma queda de 29,5%.
  • Vale lembrar que as leis de importação no Brasil também visam proteger a produção fabril interna. E a aplicação da lei tem sido bem rigorosa (ou seria vistosa?), vide caso Daslu.
  • Mas a explicação que a Emporio Armani argentina forneceu é ridícula: burocracia, impostos, greves de portuários, formulários e mudanças nas leis são percalços previsíveis neste mercado que torna tortuoso o caminho de qualquer produto importado. O mercado de luxo se sustenta na importação, portanto, deveria estar preparado para enfrentar vicissitudades deste tipo.
  • Conclusão: uma loja com produtos de qualidade; estruturada; em bom ponto de venda; amparada por uma marca forte e amplamente reconhecida por um poderoso aparato publicitário, não faz dela um sucesso comercial, simplesmente. Sem uma boa administração, não vinga.

* nota lida no Portal Use Fashion

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Armani desafia crise e abre megaloja em Nova York

O estilista italiano Giorgio Armani está desafiando a percepção de que, com a crise, os americanos passaram a ter vergonha de ostentar luxo.
Armani inaugurou ontem,17/02, uma megaloja (com cerca de 3994 m²) na 5a. Avenida com a rua 56, em Nova York, que vai concentrar diferentes marcas de seu grupo empresarial.
Constelação de famosos
Para o corte da fita em Nova York, o estilista mostrou bala na agulha, reunindo um time peso-pesado de celebridades. Estiveram na festa desde o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, Caroline Kennedy, Victoria Beckham (foto), a personal stylist Rachel Zoe, Alicia Keys, Ricky Martin, os atores Liam Neeson, Robert de Niro, Leonardo di Caprio, Mira Sorvino, além do diretor Martin Scorsese. Uffa!
Na mesma noite, o designer doou US1 milhão para o "Fundo de Escolas Públicas". O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa, dentro de sua loja gigantesca, na presença de Michael Bloomberg (prefeito de NY), Caroline Kennedy (vice-presidente do Fundo) e Joel Klein (chanceler do departamento de educação de NY). A doação vai estabelecer o Armani Arts Institute, programa multianual que visa apoiar as artes em escolas públicas situadas em lugares menos favorecidos (como o Bronx).
Quando perguntado sobre quantos empregos a loja vai gerar e quanto o mega-investimento custou, Armani disse simplesmente: "Ainda não tenho idéia de quanto a loja custou, porque meu objetivo principal foi criar uma bela loja".
Operações iguais serão abertas em Tóquio e Hong Kong, nos próximos meses.
* fotos: clicrbs