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sábado, 7 de novembro de 2009

Cliente oculto - sua loja está preparada?

No fim da tarde de uma segunda feira, a empresária Stella Kochen Susskind está em seu escritório, no Morumbi, e reclama de como havia sido recebida com descaso horas antes em um magazine próximo. Dentro ou fora do horário de expediente, ela tem o costume de avaliar nos mínimos detalhes o serviço dos lugares que frequenta.

Há vinte anos, a mania virou negócio. Stella desenvolveu a metodologia do freguês oculto e, no início de 2009, abriu sua própria firma, a Shopper Experience. Empresas que desejam saber como o público as vê contratam Stella, que manda ao local um de seus clientes secretos, como ela chama as pessoas cadastradas para esse fim em seu banco de dados. O espião visita a loja ou restaurante e se comporta como um consumidor comum. É orientado a realizar uma compra apenas se for bem atendido. Só ao chegar em casa preenche o relatório.

Para não ser flagrado em ação, vale gravar as observações na caixa postal do próprio celular ou usar um microgravador camuflado no guardanapo. Como numa missão secreta, antes de iniciar o serviço, o avaliador assina um contrato de confidencialidade e a remuneração varia de acordo com a complexidade da ação. Segundo Stella, um cliente misterioso recebe entre 50 e 200 reais para testar o atendimento de uma loja de departamentos ou até R$ 1 mil para passar um fim de semana num resort, sempre com todas as despesas pagas.

As empresas que usam esse tipo de pesquisa podem desembolsar entre R$ 5 mil e R$ 1 milhão. "O que diferencia é o tamanho do estudo. O mais caro é em nível nacional e contínuo - com cerca de mil avaliações por mês durante 12 meses. O dono do negócio quer saber se o cliente vai voltar, se vai recomendar o estabelecimento e, principalmente, se vai gastar mais na próxima compra", afirma Stella, que trabalha para empresas tão distintas quanto C&A, Bradesco e Hospital Veterinário Sena Madureira. Sua mais nova empreitada é conferir como anda o atendimento a deficientes físicos.

O relatório final do cliente oculto é uma excelente ferramenta de treinamento. Os resultados são imediatos e se for apresentado de forma positiva aos funcionários, cria comprometimento e melhorias na operação da loja.

"Trata-se de um serviço que permite identificar com precisão o grau de satisfação do consumidor", explica Anselmo Milani, coordenador do projeto Cliente-Espião do Centro de Tecnologia do Varejo do Senac-SP. "Em geral, o dono do negócio está querendo checar a eficácia de um investimento feito em treinamento. Os resultados, porém, são tão promissores que o número de empresas varejistas dispostas a bancar o serviço vem aumentando. O Senac faz questão de que seus próprios consultores façam as visitas nas lojas. Isto porque o roteiro inclui não só a tradicional provocação verbal mas também a observação da loja e do vendedor. Tivemos o caso de um consultor que foi numa loja de móveis e quando abriu um armário encontrou uma pizza dentro. Parece absurdo ou divertido, mas o cliente pode deixar de comprar por algo assim", finaliza Milani.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Lojistas viram modelos em campanha da Nike

Cotidiano dos varejistas é retratado em fotos da coleção de inverno, nos EUA

A nova campanha publicitária Nike SB, divisão mais urbana da grande marca esportiva, não conta com celebridades e nem mesmo com paisagens remotas e cinematográficas. Para divulgar a coleção de inverno 2009 (no hemisfério sul, inverno 2010), a grife fotografou lojistas e donos de skate shops norte-americanos.

Com o mote " Support your local" (apóie seu fornecedor local) a campanha vai de encontro com uma das grandes tendências mundias que vêm formatando o comportamento do novo consumidor, que busca consumir do varejo local e não em grandes redes, uma forma de incentivar o empreendedorismo e não mandar o dinheiro para longe de casa.

E a Nike acerta dois alvos com o mesmo tiro: além de prestigiar os lojistas que fazem com que o produto chegue ao consumidor final, a marca economizou uma boa quantia ao deixar de contratar modelos ou artistas!

  • A campanha da Nike promete ser atualizado a cada temporada, com novas fotos de outras lojas.
  • Apesar da recente inserção no setor de skatewear (em meados de 2005), a Nike SB já supera muitas concorrentes tradicionais quanto à variedade de produtos.
  • A nova coleção, por exemplo, conta com 109 itens, além de ser reforçada mensalmente .
  • E a idéia de escolher lojistas e suas lojas para ilustrarem a campanha publicitária é original: adorei o o jeitão dos rapazes -despojados, cool (viram?, tem até quem asse uma carninha nos fundos, para o almoço!)
  • E os ambientes não ficam atrás: são antiquados, mas tem história - preferíveis (meu ponto de vista!) ao estilão "minimal" mas frio de muitas lojas de materiais esportivos destas bandas...

  • Sem falar na fantástica relação fornecedor/distribuidor estabelecida. Uma forma genial de apoiar proprietários e funcionários que apostaram e investiram na marca ao longo dos anos.

  • É o que podemos chamar de campanha "redondinha": fecha com as mais modernas ideias do marketing, da publicidade e de relações públicas.
  • Com esta, a Nike recebe nota 10 em comunicação!

* fotos do hypebeast. Li no Portal Use Fashion.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Área infantil em espaços comerciais estimula o consumo adulto

"Tem criança que pede para os pais virem aqui só por causa do "brinquedão'", conta Anselmo Neves, sócio-proprietário do restaurante Bacalhoeiro, de São Paulo. O "brinquedão" faz parte de uma área reservada para as crianças, com atividades e monitores, e é uma iniciativa crescente entre os empresários, a de oferecer espaços exclusivos para crianças e, assim, atrair e fidelizar clientes adultos.

Segundo Sérgio Santos, consultor empresarial e professor de marketing da pós-graduação da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), a tendência está ligada a um fenômeno social: hoje, os adultos têm cada vez menos tempo para ficar com os filhos. Logo, o estabelecimento que unir adultos e crianças sairá na frente. "O diferencial será proporcionar à clientela fazer duas coisas ao mesmo tempo - estar com o filho e cortar o cabelo, por exemplo", diz Santos.

A criança é um "agente propulsor de consumo"- entretida faz com que a família permaneça por mais tempo no estabelecimento, ressalta Claudio Felisoni de Angelo, presidente do conselho do Provar-FIA (Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração). Assim, 57% das mulheres e 45% dos homens gastam mais quando levam filhos ao supermercado, segundo levantamento realizado no ano passado pelo Provar-FIA em parceria com a Felisoni Consultores Associados. Segundo Angelo, esse resultado também é válido para outros tipos de comércio.

Incluir esse tipo de serviço é fundamental para que os pais possam consumir sossegados enquanto alguém olha os filhos. "A criança de hoje também influencia na decisão de compra e na escolha do programa do casal", acrescenta.

Espaço para criança deve respeitar norma de segurança e ter monitor

Quem pensa em investir nesses espaços não pode esquecer as medidas de segurança. A NBR 14.350, norma de segurança para playgrounds da Associação Brasileira de Normas Técnicas, prescreve o uso de pisos emborrachados amortecedores, alerta José Gilberto Gaspar, proprietário da Instrutoy, de fornecimento e instalação de brinquedos. Maria Angela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, ressalta que a molecada não deve ficar sozinha - "não se pode fazer do espaço um depósito de crianças. É importante ter monitores não só para cuidar dos pequenos mas principalmente para interagir com eles", destaca.

Distrações vão desde livros até espaço planejado por arquitetos

É possível agradar à criançada com itens simples ou mais audaciosos - depende de quanto se quer e pode investir. Enquanto livros são baratos, um brinquedo múltiplo com escorregador, por exemplo, pode custar até R$ 20 mil.

O restaurante Bacalhoeiro, por exemplo, teve o espaço infantil planejado e equipado por um arquiteto e uma empresa especializada. O local possui brinquedos, fliperama, televisão, cercado acolchoado para bebês e monitoras."Os pais querem sossego durante a refeição e criança não fica quieta na mesa por mais de dez minutos", diz o sócio-proprietário Anselmo Neves.

Para distrair a garotada enquanto os pais tomam café, Marisol Vieitez, dona da cafeteria paulistana Nicecup Café, tem livros, gibis para colorir e gizes. Ela orienta os garçons a dar o material às crianças depois que terminam de comer."Alguns pais falam que aqui é o único lugar que eles frequentam que não é voltado especificamente para crianças", conta Vieitez. Para os clientes mirins, há mesas baixas e pratos e xícaras pequenos, além de porções menores no cardápio.

  • A matéria da Folha de São Paulo ouviu proprietários de restaurantes e cafés, mas o assunto aplica-se para lojas de todo o tipo.

  • Quem é mãe/pai sabe que é mesmo um sossego fazer compras com a certeza que as crianças estão seguras e se divertindo em um espaço criado e pensado especificamente para elas.
  • E as crianças adoram espaços com cadeiras, espelho e provadores com sua altura e com os quais se identifiquem - coloridos, lúdicos e confortáveis!

* texto e foto 1, Folha de São Paulo. Fotos 2,3 e 4 mostram a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista,SP. As duas últimas imagens mostram a livraria Kids, de Beijing, China. Clique aqui para ver mais fotos - dá vontade de morar lá!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Posso trocar?"

A capa da Vejinha (Revista Veja São Paulo) de sábado, 22/08, traz um assunto pedregoso, tanto para consumidores quanto para varejistas: as trocas.
Com o título O desafio da Troca, a matéria relata a saga de dois repórteres em trinta lojas de grifes masculinas e femininas com a missão de comprar a peça mais barata da coleção atual em cada um dos estabelecimentos. No dia 8, um sábado, véspera do Dia dos Pais, voltaram para substituir o item por outro de tamanho maior. Para testar o comportamento dos vendedores, levaram-se em conta a cordialidade, a paciência e a clareza com que davam informações e o tempo de espera para ser atendido na venda e na troca foi cronometrado. Vale a pena conferir o que eles encontraram:
"Na última semana, as butiques da cidade começaram a abastecer suas araras com as novidades para o verão. Vão-se embora as blusas de lã e os casacos, entram os vestidinhos curtos de algodão e as camisetas. Uma tendência, no entanto, nunca sai de moda entre boa parte dos vendedores paulistanos: a cara amarrada quando eles percebem algum cliente com uma sacola de troca. Há quem só falte se esconder atrás do balcão. Nesse momento, em muitas lojas, toda a cordialidade - que muitas vezes resvala em uma intimidade forçada - desaparece como que por encanto. Em outras, porém, há atenção e profissionalismo.

Marcelo Tosoni e Gabriela Nassyrius, na Osklen do Cidade Jardim: mimos para agradar os clientes em qualquer ocasião

Entre as surpresas positivas estão os funcionários da Osklen do Shopping Cidade Jardim. Além de fazerem um workshop a cada temporada para saber detalhes sobre tecidos, estampas e inspiração do estilista, eles são orientados a oferecer cafezinho e água a qualquer cliente. Para os mais assíduos, servem espumante e bombons. "Considero a troca a principal etapa do meu trabalho", conta a paulistana Gabriela Nassyrius, vendedora da grife desde dezembro. "Nessa ocasião, consigo passar uma boa impressão da marca e, de quebra, oferecer alguma outra mercadoria." Ela sabe bem o que diz: foi eleita, na semana passada, a campeã de vendas entre os funcionários de todas as unidades do país.

Os rendimentos vinculados à comissão, variável de 2% a 3% sobre o preço da peça, são tidos como o principal motivo da cara fechada ostentada na hora da troca. Um cliente de sacola na mão indica que a visita, a priori, não trará ganhos extras.

Há poucas pesquisas que abordam o universo das trocas. A mais recente delas, realizada em fevereiro pelo Programa de Administração de Varejo, da Fundação Instituto de Administração, ouviu 500 paulistanos. Chegou à conclusão de que apenas 5% dos consumidores que compram algo para si voltam para trocar. Quando se trata de um presente, 20% dos entrevistados disseram tentar a substituição por outra mercadoria. Esse índice sobe para 30% em datas comemorativas, como Natal ou Dia das Mães. As mulheres são, de longe, as que mais lançam mão da prática: respondem por 70% de todas as devoluções do mercado.

Para agradar aos diferentes perfis, há uma tática certeira: seguir a máxima de que o cliente tem sempre razão. Nos Estados Unidos, tal princípio é levado ao extremo. O setor de comércio costuma aceitar devolução de produtos, muitas vezes em prazos indefinidos, e reembolsa o valor pago. Sem necessidade de alegar um motivo, basta dirigir-se ao caixa e pedir o dinheiro de volta no ato. Trata-se de uma concessão das empresas e não de um benefício garantido por lei. Por aqui, o reembolso só ocorre em caso de compra feita por internet ou telefone, em prazo de até sete dias após o recebimento da mercadoria.

"Aceito a devolução e assumo o prejuízo, pois não vendo mais o produto". Viviana Ximenes, da Vi and Co.:

Em lojas menores, normalmente se encontra maior flexibilidade. Dona da loja Vi and Co., no Itaim Bibi, Viviana Ximenes perdeu a conta de quantas blusinhas banhadas em perfume ou sujas de maquiagem - sinais claros de que o modelo foi usado - já trocou. "Se a pessoa retorna, é porque tem vontade de usar a marca. Pior seria se deixasse a roupa de escanteio." Seja qual for o motivo, é errado pensar que as lojas saem perdendo. "Quando o cliente se sente respeitado, assina uma espécie de pacto de fidelidade com a grife", afirma Nabil Sahyoun, presidente da Alshop."

  • O artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor garante às lojas o direito de trocar apenas produtos com defeito, como manchas ou costuras soltas.
  • Em caso de defeito, a loja tem o dever de fazer a troca em até noventa dias.
  • A troca por numeração, cor ou modelo não é obrigatória, e se houver, é determinada pelo próprio lojista.
  • A maior parte das lojas permite a troca na tentativa de fidelizar o cliente. Mas as condições de troca variam tanto que confundem o consumidor: algumas lojas têm prazos curtíssimos; outras permitem que o consumidor retorne depois de meses... Entretanto, todas concordam em um ponto: exigem a manutenção da etiqueta (o que, cá entre nós, não serve como garantia de coisa alguma!).
  • Deveria ser obrigação dos estabelecimentos informar o procedimento adotado, o que nem sempre ocorre. "Tal descuido é reflexo de mau treinamento", diz Maurício Morgado, do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getulio Vargas.
  • E você, concorda que deve ser permitida a troca, mesmo quando o consumidor já usou a peça e/ou sua atitude não está de acordo com a política de troca da loja? Você vê vantagens neste tipo de troca?

* Tudo da Veja São Paulo. Para ver a tabela de avaliação realizada com as trinta lojas, clique aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Certos clientes é melhor nem ter!

  • Há certos clientes, especialmente os pechinchadores, que só fazem gastar nosso tempo e paciência - que bem poderiam ser dedicados a clientes mais saudáveis.
  • Há os que nos tratam como mero fornecedor. Não valorizam o que temos a oferecer, substimam nossa inteligência e não têm o mínimo apreço e consideração pelo humano em nós.
  • Qual a razão de atrairmos clientes cujo custo de transação é maior que o benefício gerado?
  • Não é só o cliente que pode escolher de quem comprar. O bom vendedor é aquele que seleciona seus clientes e dá o melhor de si para os eleitos.

* notas do livro de bolso Superdicas para Conquistar Clientes e para fazer um atendimento 5 estrelas, de César Souza, Editora Saraiva (R$7,60 na Saraiva - uma ótima sugestão para presentear vendedores, representantes, gerentes...). O vídeo tirei do Update or Die. Pensou que eu tinha recebido de algum fornecedor?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Morno e frio - o Dia dos Namorados no Brasil

E chegamos ao Dia dos Namorados, a comemoração mais comercial do ano (sabe do que estou falando? No final do texto explico.) Sendo assim, era de imaginar que o comércio e agentes publicitários "deitassem e rolassem" com todas as possibilidades que a data sugere. Que nada. Ao invés de surpreender-me com ações de marketing cativantes o que vi foi um pouco mais do mesmo - e tudo muito morno, sem nenhum arroubo de emoção, como a data sugere. Mas, minha chatice é respeitosa - fiz uma pequena seleção do que mais me chamou a atenção.

A coleção com edição limitada da Arezzo

A Arezzo há algum tempo vem lançando mini coleções, com curto período de validade nas vitrines, mas esta é a primeira com o tema Dia dos Namorados. São 3 modelos de sapatilhas, 3 modelos de bolsas, 3 de cintos e 3 modelos de chaveiros, todos com corações e a palavra love como estampas.

  • Teve quem não gostasse da cor caramelo utilizada, mas achei bem a cara da Arezzo.
  • Destaque para a sapatilha "gêmea" - um pé com a palavra my e outro com love. Achei fofo. Será que as namoradas aprovaram?

Gant recorre a Santo Antônio

O mais casamenteiro dos santos ainda tem poder para arrumar casamentos? A Gant, grife estadunidense (no país desde 2007, com 3 lojas próprias), confeccionou medalhas em prata 950 com o rosto de Santo Antônio para ajudar a transformar o namoro em casamento. A designer Camila Sarpi foi quem criou os pingentes, desenvolvidos para serem usada em correntes ou pulseiras, tanto para os homens quanto para as mulheres. Mas só ganha quem fizer compras acima de R$ 500,00.

  • Achei simpático. Para uma loja "gringa", mais fácil seria importar alguma campanha do Valentine's Day. Investiram em um produto com conceito e design brasileiro. Acertaram!

Sorte no amor?

A ação da Spezzato veio para minha seleção por ser pouco convencional: as clientes da marca (de moda jovem feminina) que passaram esta semana nas lojas da Vila Nova Conceição, em São Paulo e na loja do Shopping Iguatemi, de Campinas puderam agendar uma consulta com uma cartomante.

  • O assunto? Ah, o amor, claro! Com jeitão de Halloween, mas, enfim...

Polêmica instalação com camisinhas da A/X

Quatro corações formados por 450 preservativos estão expostos nas vitrines das lojas Armani Exchange (4, no Brasil). Eles integram a campanha Give Love, Get Love (Dê amor, receba amor), que valoriza a importância do sexo seguro. Parte da receita das vendas no período será revertida para a Associação Brasileira para Estudo, Prevenção e Tratamento da Síndrome Metabólica em Aids (Abemaids).

  • Até aí, nenhuma novidade. Existe coisa mais óbvia do que coraçõezinhos vermelhinhos ou cupidinhos fofinhos para todos os lados? Mas acreditem, estas vitrines causaram a maior polêmica nos Estados Unidos, às vésperas do Valentine’s Day, deste ano.
  • A gerência do Somerset Collection Shopping, na cidade de Troy, Michigan julgou a vitrine ofensiva e ordenou a retirada dos corações. Mas, mas... Olhem a imagem no detalhe: são camisinhas fechadas, não há nenhuma foto com casais insinuando sexo ou frases picantes, nada.
  • Francamente! Este shopping sofre de crise de identidade - pensa que está em Roma, dentro do Vaticano!

  • O Dia dos Namorados foi introduzido no Brasil, em 1950, pelo publicitário João Dória (autor do slogan "não é só com beijos que se prova o amor"). A intenção de Dória era criar o equivalente brasileiro ao Valentine's Day - o Dia dos Namorados realizado nos Estados Unidos.
  • É provável que o dia 12 de junho tenha sido a data escolhida porque representa uma época pobre em festas comemorativas que alavanquem as vendas do comércio. Outra versão diz que o publicitário quis reverenciar a véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.
  • A idéia funcionou tão bem entre os comerciantes, que desde então o Brasil inteiro comemora anualmente a data.
  • Nos Estados Unidos e na Europa, não existe Dia dos Namorados, mas uma data que celebra o amor - o Valentine’s Day, em 14 de fevereiro, em homenagem ao Bispo Valentino. Em 270 a.C., o bispo romano Valentino desafiou o imperador Claudius II que proibia que se realizasse o matrimônio e continuou a promover casamentos. Para Claudius, um novo marido significava um soldado a menos. Preso, enquanto esperava sua execução, o bispo Valentino se apaixonou pela filha cega de seu carcereiro, Asterius. E, com um milagre, recuperou sua visão. Para se despedir, Valentino escreveu uma carta de amor para ela. Foi assim que surgiu a expressão From your Valentine. Mesmo tido como santo pelo suposto milagre, ele foi executado em 14 de fevereiro.

  • E vocês? Viram ou participaram de alguma ação de marketing interessante neste Dia dos Namorados? Em se tratando de amor - e com o frio que anda fazendo, jurava que a "chama da paixão" incendiaria vitrines e lojas. Agora só me resta torcer para que, ao menos, a temperatura aumente entre quatro paredes, na rede, no chão, na garagem, na fazenda, numa casinha de sapê... ando meio descrente, mas lá no fundo bate um coração incorrigivelmente romântico - desejo que vocês sejam mais criativos que o pessoal aí de cima! E que tenhamos todos, um Feliz Dia dos Namorados!

* li sobre estas campanhas em vários sites de moda e notícias e fui juntando tudo para colocar aqui. Quero pontuar somente a última imagem. Trata-se de um cartaz francês atribuído a um "grupo que organiza ações espontâneas contra a publicidade". O texto incita as pessoas a fazerem amor, apesar das lojas e mostra um coração ostentando um cartaz que diz: Não estou à venda! Será, mesmo?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Iuhú! BFS começa amanhã!

Yes! Balneário Camboríu também tem temporada de desfiles - de amanhã à sábado (7, 8 e 9/05) acontece mais um Balneário Fashion Show, pela terceira vez sediado no Balneário Camboriú Shopping.

Carmen Steffens no BFS - inverno 2008

E que eu acho mais interessante: é um evento que promove o comércio local. Os looks desfilados já estão nas lojas - nada de ficar esperando o fabricante entregar. Ou, como costumo chamar, são todas coleções de pronto-à-lever! E o público participante são os consumidores finais, convidados com pompa e circunstância pelos lojistas patrocinadores. Não é ótimo?!

Segundo Alexandre Padilha, produtor geral do evento, o principal objetivo do BFS é destacar o melhor de nosso comércio, valorizando o cliente que vive aqui. "O BFS tem caráter promocional para o varejo da cidade. Queremos mostrar como vale a pena comprar aqui."

Alexandre Padilha, o Pres. do CDL, Miro Teixeira e Michael Domingues, Dir. de Markenting do BC Shopping

A área de convivência - com lounges, bares e djs - abre às 19h e os desfiles iniciam sempre às 20h30. "São mais de mil metros quadrados de área, integrando moda, decoração, música e gastronomia" destaca Michel Domingues, diretor de marketing do shopping. Confere o line-up dos desfiles:
  • Quinta - 07/05: Ravelli (20h30); BC Shopping Mix (21h); Quevedo Joalheria (21h30); Florinda (22h); Planet Girls (22h30)
  • Sexta - 08/05: Nakisska Luxo (20h30); Cantik (21h); Arezzo (21h30); Tournée (22h); Voltz (22h30)
  • Sábado - 09/05: Luciano Navarro (20h); Beraldin Sedas (20h30); Urban Man (21h); Lez a Lez (21h30); Beagle (22h); Mormaii (22h30)

E como semos do interiorrrr, algumas celebridades "globais" darão pinta por lá: Danielle Winnits desfila para Planet Girls, a DJ Analy Rosa (ex-BBB) toca na sexta e a modelo Elly Rosa (finalista do concurso Brasil Next Top Model) abrilhanta a passarela de sábado.

  • Ficou com vontade de ir e está sem convite? Deixa seu telefone e e-mail aí nos comentários que arranjo um jeito de entregar um (ou mais) prá você.
  • uptdate em 7/05: Danielle Winnits não virá por conta de compromissos com sua emissora. Sem problemas. Veremos Eriberto Leão, Vanessa Giácomo e Fernanda Souza. Todos confirmadíssimos!
* fotos: Ray

terça-feira, 21 de abril de 2009

O dinheiro negro da Diesel

A Black Friday (sexta-feira negra) acontece tradicionalmente nas sexta-feiras seguintes ao Dia de Ação de Graças (Thanksgiving, feriado religioso comemorado na quarta quinta-feira de novembro, notadamente nos EUA e Candá) e é o dia em que os preços do varejo americano despencam.

Mas nada impede que o varejo faça sua própria Black Friday, completamente fora da data. Sexta passada, 17/04, a Diesel fez uma promo-relâmpago com esse tema e em clima de bom humor nos mostra como fazer uma bem humorada ação de guerrilha.

Foram distribuídas nas ruas "notas falsas" de dinheiro que valiam 30% de desconto em qualquer compra naquele dia. Também foram "deixados" montes de notas em lugares estratégicos - os consumidores, nesse caso, passam a fazer a propaganda da marca pra ela, funcionando como uma equipe de promotores muito mais eficiente. E o melhor: no meio dessa dinheirama falsa, podiam ser encontradas notas douradas (golden notes), que valiam 99% de desconto em compras (com um valor mínimo estipulado) no dia.

No vídeo, a ação na Itália, onde dois atores cômicos- com direito a megafone, casaca e cartola, oferecem o "dinheiro negro" em praça pública.

E abaixo, outro ator, na praça San Babila, em Milão, senta-se atrás de uma escrivaninha com uma pasta cheia de notas de descontos, com um cartaz onde se lê "Sim, concedo empréstimo".

  • Mais, no site da Diesel era possível imprimir sua própria nota e correr para a Diesel mais próxima com seus 30% de desconto garantidos. Bacana, não?! Quer dizer, MUITO bacana.
  • E o texto que explica o vídeo no youtube já vale como peça publicitária: "Desesperado com a idéia de perder teu ponto de referência, ou na pior das hipóteses, todas as tuas economias? Não te preocupes: a Diesel é a resposta para superar teu humor negro." Uma irônica alternativa para sobreviver à crise - distribuir notas de dinhero ilegais mas que, de certa forma, têm algum valor monetário.

* li no update or die

sábado, 11 de abril de 2009

"These shoes are made for nhoc'in"

E já que o tema Páscoa parece não ter fim, trago estas fotos lá do fuuundo do desktop. Afinal, se somos tantas que amam sapatos e não vivem sem chocolate, não são perfeitos estes sapatos feitos de chocolate?

E tem também para os meninos e para as criancinhas, olha só:

  • A primeira foto é da Gayle's Chocolates (entra lá, tem chocolate para todo tipo de público e datas, em caixas de presentes que são um delírio). As outras eu recortei sem me preocupar com a fonte, sorry.
  • É bem como já escreveu a cartunista americana Cathy Guisewite na capa de uma de suas coletâneas de quadrinhos (de 2000): "Sapatos: feito chocolate para os pés".

  • O título deste post, algo como "estes sapatos são feitos para comer" - foi inspirado no título da música de Nancy Sinatra, de 1966: These boots are made for walkin' (estas botas foram feitas para andar - em alusão à ideia de caminhar com seus próprios pés).
  • O vídeo está cheio de tendencinhas boas de observar: as meias finas transparentes (que estão voltando, para meu completo terror!); os pulls coloridos e em decote V; os cabelos com volume no alto; as ankle boots... Enfim, um clássico da moda sessentista. A musiquinha é grudenta feito chiclete no cabelo, mas vale o clique: dá vontade de dançar junto com elas!
  • Nancy Sinatra não foi esposa de Frank Sinatra, mas sua filha. E esta música foi seu hit de toda a carreira, um hino feminista - a letra foi considerada libertária para a época. Achei o máximo isso! Não é tão bom mesmo caminhar com nossos próprios pés?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fashion e açucarados

Amanhã é domingo de Páscoa e foi em uma dessas coincidências maravilhosas que, nas meus passeios pela web desta semana, fiz uma descoberta sob medida para esta época: biscoitos fashionistas.

Que fofuras... A Eleni’s, de Nova York, faz bolachas com cobertura de açúcar (tipo pasta americana) com tudo o que uma loja tem pra vender - e que a mulherada adora comprar: sapatos de salto, bolsas, batons, vestidinhos, biquíni… Tudo super colorido e rico em detalhes - pra encher os olhos das clientas e fazê-las gemer de aprovação com o seu bom gosto.

Só o preço não é muito doce. Uma caixa com 16 unidades sai por US$ 75!

O que também pode ser um empecilho para experimentar, no velho mundo, as guloseimas fashionistas do hotel The Berkeley, de Londres.

Lá eles têm o Prêt-a-Portea (acho uma chiqueria este nome) um chá das cinco com docinhos e biscoitos inspirados nas mais recentes criações de nomes como Marc Jacobs, Zac Posen, Alexander McQueen, Prada e Valentino. O menu traz coisas como: chapéu Christian Dior feito com um duo de maçãs e mousse pink e quentede cassis. Ou biscoitos-sapatos Christian Louboutin com creme de pigalle verdes e solas vermelhas... Ou seja, um delicioso programa para entreter madames loucas por moda, por somente 34 libras (R$ 126) por pessoa. Se quiser incluir uma taça de champagne Laurent Perrier no menu, a taxa sobe um pouquinho. Vai para 42 libras.

  • Agora, imagine: um happy hour na sua loja, umas duas semanas antes do dia das mães, regado a um bom chá e biscoitos desse tipo, ãhn? É coisa pra sair em coluna social!
  • E diz que o chef confeiteiro do hotel londrino vai pessoalmente aos desfiles para buscar inspiração na criação das delícias. Parece o cúmulo da frescura? Não acho, não. Em época de recessão brava, quem não daria - com todo prazer -uma bela mordida em uma bolsa Louis Vuitton e devoraria sem culpas uma daquelas jaquetas de couro Balmain- com ombreira bem pontuda - que vi outro dia na Victoria Beckham?
  • Gostou da idéia e pensou em oferecer os biscoitos como um mimo, tipo um brinde para suas clientes, dá uma olhadinha nesta outra sugestão que mostrei aqui no blog. Dá bem para casar as duas idéias e fazer um presente bem especial. Afinal, lojas especiais sabem exatamente como encantar seus clientes
  • Minha dica: confeitarias da região, vocês estão deixando de ganhar dinheiro! Se você que me lê, conhece um/a confeiteiro/a talentoso e empreendedor/a, solicite uma adptação destas idéias. Certeza que vai vender muito. Não precisa nem me agradecer, basta me informar o telefone e o endereço, ok?!
  • * as fotos e as informções, vi primeiro no Descolex.

    segunda-feira, 9 de março de 2009

    Nova loja Cavalli em Paris

    Inaugura amanhã, 9/03, a maior loja de Roberto Cavalli em Paris, na esquina da rua Saint-Honoré com a rua Cambon. No edifício com 3 andares, o primeiro piso será dedicado somente aos acessórios, como bolsas, perfumes, óculos e bijoux. No segundo, as roupas do dia-a-dia (pret-à-porter). No terceiro andar, uma área reservada para os vestidos de noite, um ateliê para roupas feitas sob medida e, surpresa!, a exclusiva linha de lingeries e um espaço destinado para "brinquedinhos sexies" (ui!). Em outra área do mesmo piso ficarão as peças da linha casa, com espaço ainda para uma coleção de produtos para pets. A idéia de vestir os cães com mais estilo, surgiu porque Roberto e sua esposa, Eva, têm vários deles em casa e adoram animais (como também suas peles e as estampas nelas..) CAVALLI CARD

    Além da nova loja de Paris, o estilista italiano (foto) lançou no começo do mês um cartão de crédito da MasterCard. Dá para adivinhar a padronagem? Oncinhas, cobras, zebras e tigresas!

    Quem tiver o Cavalli Card fará parte de um grupo VIP com acesso à vendas especiais, será o primeiro a saber das liquidações e ganhará descontos em pacotes de viagens, shows e em compras de produtos de beleza. O cartão já está disponível em todas as lojas Cavalli no mundo e através do website, desde 1º de março.

    * fotos Wish Report e Petiscos.

    quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

    A Microsoft quer abrir lojas próprias. E a "experiência" da Apple

    A Microsoft anunciou na última semana que partirá para criação de sua própria rede de lojas de varejo.
    Ainda não foi informado quando isso ocorrerá, mas esta é mais uma prova da força da necessidade humana por viver e sentir experiências.
    Modelo de varejo
    Por outro lado, a Apple de Steven Jobs, inaugurou com suas lojas (a primeira em 2001. Atualmente, são 209, em 6 países) um novo conceito de varejo, onde o importante não é vender, mas fazer o consumidor vivenciar o produto.
    As lojas da Apple são espécies de templos da era digital, por onde todo mês passam em romaria 10 milhões de pessoas ávidas pelos novos modelos de computadores, notebooks, iPods e iPhones. Não é raro esbarrar com uma fila na porta de lojas como a da Quinta Avenida, em Nova York (foto), onde um escultural cubo de vidro na entrada dá o tom do design que domina o interior. O lugar tem 2000 metros quadrados (e é todo subterrâneo), mas mesmo assim lota.
    Conhecidas pelo estilo limpo e minimalista, as lojas Apple são consideradas por analistas como um modelo no varejo de produtos eletrônicos. No local, os consumidores podem agendar um horário com um "gênio em Mac" para resolver problemas ou com um "personal shopper", que seleciona produtos e programas de acordo com as necessidades do cliente.
    O "balcão dos gênios" (com 14 metros de comprimento, na loja da Quinta avenida), pode atender cem clientes por hora e 50% do espaço das lojas é reservado para a assistência técnica e instrução de clientes que já têm os produtos em casa (ou no bolso da calça!). "O que as lojas Apple oferecem aos seus clientes é um lugar onde podem ver e manipular os produtos e, mais importante, conversar com alguém que conhece os eletrônicos intimamente”, disse Tim Bajarin, presidente da consultoria Creative Strategies. "E isso simplesmente não existia no mercado dos PCs antes das Apple Stores", finaliza.
    • Mesmo não sendo assunto do varejo de moda, vez ou outra tomarei a liberdade de postar aqui temas relevantes ao comércio e que possam inspirar e agregar.

    segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

    Envolver o cliente

    Este anúncio da Toyota pode parecer bizarro, mas revela exatamente o que todo consumidor deseja, mesmo que incoscientemente: ser envolvido, abraçado pela empresa, atendido - em todas as suas necessidades.

    Diga-me e esquecerei. Ensina-me e aprenderei. Envolva-me e entenderei. Confúcio, séc V A.C.

    * este vídeo foi indicado por Carlos Ferreirinha, em palestra sobre o o mercado de luxo, em 2008.

    quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

    Brinde - caixa de bombom com mensagem secreta

    No início de uma nova coleção, uma boa sugestão é convidar seus clientes vips para um happy hour, em regime de petit comité (poucos e bons), regado a boa bebida e petiscos leves. Se o orçamento permitir, uma idéia simpática é oferecer lembrancinhas, como estas caixinhas de bombons (que podem ser trocados por trufas ou dragées) em quatro repartições. Quando o/a cliente retira um doce encontra uma mensagem escondida. Nesta caixinha da foto estão as palavras true love lasts forever (o amor verdadeiro é para sempre), pois é uma sugestão para lembrança de casamento, mas tenho certeza que sua criatividade é capaz de criar frases tão charmosas quanto esta. Simples e delicado, pode ficar ainda mais charmoso em uma bela caixinha com uma fita personalizada e um laço caprichado.

    * fonte Martha Stewart

    segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

    Vender sem publicidade? A Zara consegue

    Vitrine da loja no Morumbi Shopping, São Paulo
    Provavelmente, um dos grandes trunfos da ZARA, nome fantasia do conglomerado de varejo espanhol Inditex, tenha sido tornar-se famosa sem ter que recorrer à publicidade. A ZARA não faz anúncios.
    Todo seu marketing está nas próprias lojas. Por isso, sempre se instala nos melhores lugares, situados estrategicamente nas ruas ou centros mais comerciais como a Regent Street em Londres, Rue Rivoli em Paris, Fifth Avenue em Nova York e Avenida das Américas no Rio de Janeiro.
    Os clientes da ZARA visitam as vitrines e prateleiras dezessete vezes ao ano em média, em contraste às quatro visitas feitas à concorrência. É por isso que suas vitrines, renovadas a cada duas semanas, são grandes e chamativas, mostrando as mercadorias como se fossem estrelas.
    Tudo é estudado, nos mínimos detalhes. A decoração da loja, as vitrines, os funcionários. Nada é deixado ao acaso.
    Apesar disso, em ocasiões concretas foram feitas campanhas publicitárias. Para ingressar no mercado italiano a ZARA fez publicidade. Mas logo se viu que ela não teria feito falta alguma. A ZARA acredita que os consumidores, especialmente as mulheres, são fiéis apenas às marcas de luxo mas não às medianas. Por isso, que sentido faz investir na marca? É melhor investir no negócio.
    * texto extraído do Mundo das Marcas. Fotos: Chic e Mundo das Marcas.

    Aula de varejo com a ZARA

    A abordagem tradicional de especialistas em consumo levam as empresas a buscarem a fidelização e lealdade do consumidor. Porém fatores como a racionalização, o aumento de informação, a diversidade de momentos de compras e as mudanças de hábitos e estilos de vida acarretam mudanças profundas no comportamento de compras. A Inditex, industria de desenho têxtil espanhola, detentora da rede Zara, uma das maiores rede de lojas de produto fashion do mundo e exemplo de comércio de varejo, adotou um eficiente método de fidelização: a velocidade. O desenvolvimento de produto da marca vem da necessidade do ponto de venda, diz a gerente de produto da Zara para América do Sul, Regiane Machado. “Nós desenhamos, produzimos e vendemos o produto.” Obrigatoriamente os gerentes de cada loja da empresa fazem pedidos duas vezes por semana. As solicitações são enviadas diretamente para a matriz em La Coruña, na Espanha, onde analistas decidem se vão atender exatamente o que o gerente pediu. “Não se pode estocar produtos. Por isso as solicitações são estudadas para que não sejam enviadas peças demais para a mesma loja e acabe sobrando.” Depois de analisados os pedidos são despachados de avião para o Brasil. Apesar do grande custo do transporte aéreo, Regiane diz que vale a pena. “Como a quantidade é muito grande compensa. E também ganhamos na credibilidade do cliente, que sabe que duas vezes por semana há novidades nas prateleiras.”
    Ela conta que nos dias em que chegam os novos produtos há um aumento de vendas nas lojas. “O consumidor sabe que na quarta e na sexta chegam mercadorias e são os dias mais movimentados.” O sistema de reposição na demora mais do que duas semanas, enquanto em outras empresas pode levar até seis meses. Já a criação de novas peças dura apenas seis semanas até estar no ponto de venda. Essa estratégia de evitar estocar peças foi muito importante para o posicionamento damarca. “O consumidor sabe que se não comprar naquele momento, na semana que vem não tem mais”, diz Regiane.
    A gerente de produto diz que as lojas tem um capital de giro muito grande. Isso devido aos produtos considerados básicos, como camisetas e jeans. “Não ganhamos com a blusa de R$39. Mas o volume que ela gera é tão grande que compensa. Além disso, ela atrai muita gente para dentro da loja, que além da blusa também compram o casaco de R$ 300.”
    E para atrair o consumidor a Zara usa estratégias de Visual Merchandising. “São as mais básicas, mas funcionam muito bem”, diz Regiane. Na vitrine são expostos os produtos fashion, que atraem o cliente. Logo na entrada estão as peças da linha Woman, roupas femininas sofisticadas. No meio, o básico. E no fundo, o jeans e a linha jovem.