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sábado, 11 de abril de 2009

"These shoes are made for nhoc'in"

E já que o tema Páscoa parece não ter fim, trago estas fotos lá do fuuundo do desktop. Afinal, se somos tantas que amam sapatos e não vivem sem chocolate, não são perfeitos estes sapatos feitos de chocolate?

E tem também para os meninos e para as criancinhas, olha só:

  • A primeira foto é da Gayle's Chocolates (entra lá, tem chocolate para todo tipo de público e datas, em caixas de presentes que são um delírio). As outras eu recortei sem me preocupar com a fonte, sorry.
  • É bem como já escreveu a cartunista americana Cathy Guisewite na capa de uma de suas coletâneas de quadrinhos (de 2000): "Sapatos: feito chocolate para os pés".

  • O título deste post, algo como "estes sapatos são feitos para comer" - foi inspirado no título da música de Nancy Sinatra, de 1966: These boots are made for walkin' (estas botas foram feitas para andar - em alusão à ideia de caminhar com seus próprios pés).
  • O vídeo está cheio de tendencinhas boas de observar: as meias finas transparentes (que estão voltando, para meu completo terror!); os pulls coloridos e em decote V; os cabelos com volume no alto; as ankle boots... Enfim, um clássico da moda sessentista. A musiquinha é grudenta feito chiclete no cabelo, mas vale o clique: dá vontade de dançar junto com elas!
  • Nancy Sinatra não foi esposa de Frank Sinatra, mas sua filha. E esta música foi seu hit de toda a carreira, um hino feminista - a letra foi considerada libertária para a época. Achei o máximo isso! Não é tão bom mesmo caminhar com nossos próprios pés?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Consumoterapia e a vida sem excessos

Atire a primeira pedra quem nunca afogou as mágoas ou celebrou uma vitória se dando um presente, em geral, algo desnecessário, quase inútil. Comprar é o esporte predileto do planeta. "Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo", zombava o jornalista Millôr Fernandes a respeito do consumismo exacerbado. A revista Mad Magazine resumiu em uma frase a atitude dos americanos: "A única razão por que uma família de classe média não possui um elefante em seu quintal é porque esse ‘produto’ nunca foi ofertado nos supermercados numa promoção vantajosa". Piadas à parte, o maior problema é quando se busca no consumo a solução para angústias. "Comprar não resolve questões da alma", analisa Beth Furtado. "Mas consumir acabou virando sinônimo de prazer", concorda Vera Rita de Mello Ferreira, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que estuda o comportamento dos indivíduos na sociedade do consumo. "Diante das frustrações, a gente se socorre num vestido novo, apostando que ele possa aliviar nossas dores. Ao não encontrar aí a felicidade, vem um desapontamento maior."
VAI VIRAR
A desaceleração econômica, o arrocho do crédito, o desemprego, o mercado em queda... Uma ala significativa dos analistas concorda que do prejuízo sempre se pode obter lucro. Eles põem fé de que todas essas perspectivas que toldam o horizonte representam oportunidades. E trazem a reboque um consumo mais consciente. Na França, por exemplo, intelectuais como o sociólogo Gilees Lipovetsky estão saudando a recessão no setor de artigos de luxo, que, para eles, perverteu a cultura nacional. Outros estudiosos fazem coro: quando o mercado financeiro está bombando, as pessoas não têm pudor em ostentar e o dinheiro e seus delírios tomam conta da cena. Comprar se apresenta como alicerce para uma falsa segurança. Quando o orçamento aperta, somos obrigados a olhar para outros aspectos da vida.
Não se trata da frugalidade absoluta. O consumo muda, mas os desejos continuam se multiplicando – ninguém quer adquirir um produto que dure para sempre. A variedade continua atraente. Somos seres mutantes, especialmente as mulheres, grupo que define a compra – o feminino é efervescente, inquieto. Não há nada de errado com isso. A coisa só fica ruim quando serve de desculpa para dilapidar, desperdiçar, desvalorizar. Para a psicanalista Vera Rita, autora do livro Psicologia Econômica – Estudo do Comportamento Econômico e da Tomada de Decisão (editora Campus/ Elsevier), a crise pode conter uma força agregadora. "Agora temos a chance de rever conceitos com que convivemos há décadas como se fossem naturais e inevitáveis. A estabilidade causa acomodação e engessa o pensamento. Perdemos a capacidade de olhar por outras perspectivas", diz ela.
Nem os otimistas se atrevem, no entanto, a apostar que a vida vai ficar fácil. O que faz brilhar os olhos da psicanalista é a incrível criatividade que seremos obrigados a descobrir: "A mente só se desenvolve sob pressão", insiste Vera, e comemora antecipadamente o fim da inércia.
Outras fontes de satisfação já despontam no horizonte: o ser humano vai se alimentar, por exemplo, da energia do encontro. Dedicar mais tempo aos amigos e à família torna-se uma nova forma de consumo. Ficar em casa, em vez de sair em busca do restaurante da moda, é uma das opções de uma vida pontuada por prazeres que não implicam excessos. Surge um modelo de compra diferente: ao mesmo tempo em que se busca o preço justo, investe-se em produtos que ofereçam gratificação emocional. Vamos descobrir que viver com menos pode render uma vida mais plena.
* trecho da matéria "Menos", da revista Bons Fluidos, março 2009.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O trauma do provador

A cena já é um clássico do repertório feminino. Diante de uma decepção amorosa, uma crise no trabalho, um ataque de baixa auto-estima, ou simplesmente aquele desejo de adquirir algo novo, a moça se dirige ao primeiro shopping que vê pela frente e aplaca suas dores e vontades dentro de uma loja de sapatos.
Comprar calçados funciona como um bálsamo para muitas mulheres. Vários pares deles. Porque, para algumas, o difícil é fechar a comporta do consumo desenfreado que é aberta diante de uma infinidade de modelos.
Mas por que as mulheres preferem enfeitar os pés a adquirir novas peças de roupa? A resposta é simples: porque os calçados não as traem. Quase sempre servem, caem bem, não mudam a numeração. Não são volúveis como as calças jeans, por exemplo, que podem saltar de 38 para 40 depois de um inofensivo fim de semana de excessos gastronômicos. “O sapato não te julga. Naõ olha para sua cara e diz que você está gorda, que não serve para nada”, diz Amalia Sina, presidente da Sina Cosméticos. “Você compra e volta para casa com aquela deliciosa sensação de bem-estar, de que está tudo bem”, completa. E não precisa passar pelo trauma de enfrentar o provador.

FETICHE Débora e sua coleção de cerca de 100 pares: paixão por calçados!

O sapato é item de necessidade básica também para a atriz e locutora Débora Campos Salles. “Se tenho algum dinheiro para gastar, compro calçado”, assume a feliz proprietária de cerca de 100 pares, que se recusa a comprar roupas quando está acima do peso. “Só entro num provador quando estou em forma”, comenta a atriz, agora na fase dos modelos de verniz e bico arredondado. Débora acaba de voltar da Itália, onde procurou, durante 20 dias e obstinadamente, o par de botas perfeito. Só o encontrou horas antes de voltar ao Brasil. “Tive de abrir as malas em cima da hora, elas não cabiam de jeito nenhum, foi um desespero.” Mas valeu a pena, garante. O professor de psicologia aplicada ao consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Mário René, diz que a obsessão feminina por sapatos é um fenômeno recente, fruto da era de consumo atual, que acelera e estimula toda compra de bens. Mas lembra que eles são objeto de luxo e desejo há muito tempo. “No século XVII, por exemplo, um dos indicadores de nobreza era o formato dos pés, que tinha de ser pequeno e delicado”, lembra. “Vide o conto da Cinderela: a moça só podia se casar com o príncipe se seus pés entrassem no minúsculo modelo de cristal.” Distante das tradições seculares, a professora Sandra Harabagi, do Laboratório de Criação e Estilo da Universidade Anhembi Morumbi, aprecia o design. “Se gosto muito de um par, uso até certo ponto, para não estragar, e guardo na minha coleção”, conta. Sandra também abre mão de qualquer peça de vestimenta por um bom exemplar para seus pés. “É muito mais fácil um calçado cair bem do que uma roupa”, conclui.

* matéria publicada na revista Isto É, em 05/04/08.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma Thurman - compulsiva por roupas

A protagonista de Kill Bill, Uma Thurman, confessou que comprar roupas novas é terapêutico para ela, já que ajuda a superar a pressão do trabalho, mas que começa a se tornar uma compulsão.
"Compro todo o tempo e de tudo. A roupa expressa o modo em que me sinto em cada momento, e atravesso diferentes fases ao longo do ano, do mês, da semana, e até mesmo do dia" – admite a atriz, de 38 anos, acrescentando
"Sinto-me como uma adolescente em uma loja. Acredito que meu entusiasmo pela moda só vá decrescer com os anos".
* Uma Thurman é conhecida por protagonizar filmes de Quentin Tarantino, como Dangerous Liaisons, Pulp Fiction, Gattaca e Kill Bill e já recebeu um Globo de Ouro e indicações ao Oscar. Texto do Jornal O Dia.