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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A incrível arte de vender sapatos

Uma crônica bem humorada sobre esta subestimada profissão, sob a ótica de uma jornalista aficcionada por sapatos.

Hoje fui a uma loja de calçados para tentar achar uma sandália com algum salto. Algo que acrescentasse ao menos uns 5 cm aos meus portentosos 1,55m.

Encontrei uma que me pareceu muito confortável e com preço atraente. Como estava com pressa, já fui adiantando: "Olha, eu quero esta aqui ó, preta, 36". E a moça sumiu loja adentro. Depois de quase uns 10 minutos ela volta com três caixas. Logicamente que nenhuma delas continha a minha elegida, preta, 36. Quando eles vêm com duas ou mais caixas, pode esquecer, porque o que você pediu, eles não têm - bingo!

"- Olha, a preta 36 não temos, mas tem esta branquinha, esta amarelimha (tudo no diminutivo!) e a pretinha 37. Quem sabe com uma palmilha?" - Obrigada, moça, eu queria mesmo a preta 36. E palmilha faz o pé suar pra dedéu, Deus me livre!"

Entrei em mais duas lojas e a situação se repetiu, com poucas variações. Pedia a mesma sandália e os vendedores voltavam com pilhas de três metros de caixas, tais quais malabaristas chineses. Claro, sem minha sandália, que suponho, estava a anos-luz daqui, quiçá apenas na fábrica.

Fiquei pensando depois nesta maravilhosa arte do "ah, se não tem tu, vai tu mesmo." Deve haver uma razão para os vendedores agirem assim, provavelmente porque alguns incautos devem acabar desistindo de comprar o que realmente queriam e levar algum outro sapato "empurrado" pelo vendedor.

Agora imaginem isso aplicado em outras áreas do varejo. Na livraria: "Oi, por acaso vocês têm Os irmãos Karamázov? O vendedor volta com dois livros: "- Olha, este não tem, mas tem esta Bíblia e este aqui que é um best seller, da Aparecida Liberato, aquela irmã do Gugu, sabe, sobre numerologia, tá vendendo bem que só… E é grande também, já que você deve gostar de livro grande, pelo jeito…". "Ah, sim, vou levar o da Aparecida, afinal o conteúdo deve ser quase o mesmo."

E como seria a mesma situação em outras situações, vida afora? No trabalho, o seu chefe lhe pede: "Ricardo, traz pra mim aquele relatório que te pedi ontem." Você demora uns quinze minutos e volta esbaforido com três pastas: "Olha, seu Aderbal, aquele relatório não tem, mas tem este aqui que foi feito no mesmo período do ano passado, este outro que é muuuuito similar àquele, apenas houve mudanças na cotação do dólar, que estava a dois pra um àquela altura, e este…"

Nem preciso avançar pra sabermos que isso é exponencial. Eu, por exemplo adoro imaginar-me na redação do jornal e atender ao pedido do chefe de redação nos mesmos termos: "Patrícia, cadê a matéria sobre o Prêmio Nobel de Literatura?" "… Ah, esta não fiz, mas olha que legal essa matéria sobre cachorros hipertensos…"

Agora me digam: por que vendores de sapatos podem agir assim impunemente? (Alguns que vendem roupas também agem assim, mas é mais raro. No ramo dos calçados isso parece ser pré-requisito pra poder trabalha!)

Lutemos pois, pelos mesmos usufrutos dos vendedores de sapatos! Chega de tanto maniqueísmo. Não dá pra ser assim "ou isso ou nada feito", precisamos variar, dar e ter opções.

Alguém aí quer me contratar para vender sapatos?*

  • Antes que algum vendedor de sapatos com pouca presença de espírito venha me atirar pedras, aconselho a entrar no link original de onde copiei o texto e ler os comentários lá deixados...
  • Leitor(a) amigo(a), já esculachararam a autora do texto antes de você - e com tanta propriedade - que não sobraram mais palavras de desagrado que valham a pena ser escritas para criticar este post.
  • Válido também para quem se divertiu com a leitura e quer estender a diversão...

* por Patrícia Köhler, no blog
Cinta Liga.

Socorro, tem um homem de cueca no provador!

Se você ainda não sabe, já desconfiava: homens não costumam gostar de comprar roupas para si. São as mulheres as responsáveis por mais de 50% das compras de roupa masculina - fato já confirmado em dezenas de pesquisas. Um resultado que não parece ser cultural, mas da espéci,pois foi confirmado em dezenas de países, não importando classe econômica ou nível cultural dos pesquisados, contrariando as expectativas alardeadas pelas mudanças de comportamento masculino deste início de século.

E como isso se dá no ambiente das lojas? Nem sempre funciona. Para além das dúvidas e do desperdício de tempo, muitas dessas compras enfrentam problemas na escolha do tamanho e caimento.

Com a proposta de minimizar as trocas e oferecer maior satisfação tanto para quem compra como para quem recebe o produto, uma cadeia de lojas de moda masculina francesa, a Celio inovou com a contratação dos Shoppenboys - garotos das compras, numa mistura de alemão e inglês - já em sua terceira edição.

Os Shoppenboys são um grupo de homens reais - não modelos! - selecionados em concurso (vídeos e fotos enviados pelos concorrentes, ao estilo BBB) e com tipos físicos variados, que passeiam pelas lojas em datas importantes e comerciais, vestindo apenas uma cueca tipo samba canção na cor vermelha (cor principal na logo da marca).

Eles são baixinhos, muito altos, magros, gordos, corcundas, barrigudos... com idade entre 19 e 63 anos e vestem tamanhos que variam de PP (extra pequeno) a XXGG (super extra grande). Nada comparável com uma versão de "Clube das Mulheres". A intenção é auxiliar as clientes femininas, servindo como manequins ao experimentarem as peças que correspondem a morfologia dos seus companheiros e repassando dicas das preferências masculinas. Tudo de forma leve e bem humorada.

O sucesso da ação pode ser explicado por sua simplicidade e por trazer, na sua essência, um conceito muito buscado nos dias de hoje: a aproximação da moda com as pessoas reais, comuns e verdadeiras, sem o falso glamour das passarelas e das fotos de revistas (com corpos surreais, redesenhados com o auxílio luxuoso de muito photoshop).

Desde a primeira aparição dos Shoppenboys, em 2008, na inauguração da nova loja Celio em Nice, no sul da França, a repercussão ultrapassou as expectativas e a empresa decidiu repetir a dose, nas grandes cidades da França, com farto material de propaganda com o tema, inclusive com um divertido calendário de fotos "sensuais" dos rapazes.

    Aplaudo a iniciativa e simpatizo com os meninos - mas não sei o que faria com um calendário destes em casa...

  • As lojas Celio são lídereres no mercado francês de roupa prêt-a-porter masculina. Atuam em 28 países, com 680 lojas.
  • Desde a primeira edição do evento, o número de correspondências solicitando o serviço aumentou exponencialmente, e no momento há estudos de como atender os consumidores sem banalizar a idéia.
  • Mais que isso, não foi só as mulheres que gostaram da iniciativa. Os homens, também insatisfeitos com a pressão da mídia de moda, estão se cadastrando para, voluntariamente, se transformar em um Shoppenboy por um dia.
  • A lista já conta, no momento, com cerca de 900 nomes que desejam protestar contra a ditadura da moda para os corpos masculinos.
  • E tudo isso, na França!
  • Para entender o clima da campanha, vale se divertir assistindo um dos vídeo enviados:
Foi selecionado, sem dúvida!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cuidado: criança na loja!

Mãe, quero ir embora!

Agoragoragoragora

Dá pra parar de fazer hora?

Agoragoragoragora

Mais outro pouquinho?

Não enrola!

Agoragoragoragora

Já vai, já vai...

É sempre a mesma história!

Agoragoragoragora

Então vou esperar lá fora

Agoragoragoragora

E para de dizer não amola!

Agoragoragoragora

  • Conhece algum pai ou mãe que já não tenham passado por isso?
  • Ou algum vendedor que não tenha presenciado esta cena?
  • Este post foi inspirado por meu filho, que detesta me acompanhar nas compras - a não ser que a loja tenha playground, TV (ligada no canal de desenhos) ou espaço para diversão.
  • E, de preferência, sem funcionários em desespero clamando: "Não mexa nisso!"
  • Caso contrário...é um convite ao crime!
* Poeminha de autoria de Silvana Tavano. Imagem do visualize.us

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Esta é uma loja para mulheres de personalidade"

A gente sabe o quanto a aparência pessoal do vendedor é importante e contribui para a construção do argumento de venda. Afinal, se o vendedor é desleixado consigo mesmo, como quer que o cliente acredite que vai dar atenção de qualidade a ele?

Mas, e quando existe cuidado excessivo com a aparência? Segundo os autores do livro "Desvendando os Segredos da Linguagem Corporal", excesso de vaidade denota superioridade, arrogância, além de um criticismo (hábito de criticar o outro) exagerado - ou seja, tudo o que um vendedor NÃO deve ser/ter.

Para evitar este comportamento, dá para aprender com bons exemplos ou com os maus...

Desde que as personal stylists, Fernanda Resende e Cris Gabrieli, do onipresente Oficina de Estilo, foram contratadas pelo Shopping Cidade Jardim, temos vistos uma série de posts com dicas das vendedoras de lá, fotos de vitrines e vídeos onde as lojas são apresentadas. Elas têm até um canal no Youtube com todos os vídeos! - um prato cheio para o blog!

No vídeo abaixo, pediram à Cecília, gerente da Ellus and Guests, aberta no final de julho para fazer uma visita guiada pela loja, apresentar o conceito da loja e mostrar alguns dos produtos lá vendidos... e... her... eu não vou escrever mais nada. Vejam vocês e tirem suas próprias conclusões:

  • Tudo bem que ela é a brasileira misteriosa que o Scott Shumann fotografou para blog The Sartorialist quando veio ao Brasil - a única! mas gente, é só uma foto - e ele nem pediu o nome dela!
  • Prometi não escrever mais nada, mas não consigo... reparem no gestual da moça, na forma que ela encara a câmera quando diz a frase do título do post, fechando as mãos sobre o próprio peito... aff!
  • Ou quando ela força tanto o acento da palavra inlesa "cult" (culto, cultuado ) que soa "quilt" (colcha, acolchoado)
  • E posso assegurar, clientes simplesmente detestam vendedores deste tipo. Não importa se seu rostinho é uma delícia de olhar, ou se seu cabelo faça Gisele Bündchen se morder de inveja...

"Quanto ao atendimento, realmente acho que essa coisa de vestir as meninas com o estilo da marca e fazê-las se acharem mais importantes do que as clientes é um grande erro."

"No varejo quem tem que brilhar é a cliente."

"Acho realmente um tiro no pé colocar vendedoras bestinhas que se acham."

"O comércio apresenta tantas opções de compra, que, sinceramente, não tenho que me submeter a isso."

*de tempos em tempos minha língua passa pelo afiador. Tenho deixado ela bem quietinha dentro de casa, trancada mesmo. Mas hoje foi irressistível. Então, desculpa aí o constrangimento e tudo o mais (afinal, não é pessoal, MESMO!) - mas cuidado com as beiradas, que a língua tá cortando até água... As frases em negrito do final não são de minha autoria, são da leitora Luciana Pinheiro, de BH, e foram retiradas dos comentários deste post aqui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cliente paga mais quando...

Cartaz visto em oficina especializada em espelhos automotivos, São Paulo.

  • E eu acrescentaria: "Cliente que pede mais um descontinho Paga + R$100".
  • O autor da foto afirma que, ao final, pagou o combinado. "Nenhum real a mais. Fiquei bem quietinho na minha."
  • Ou seja, o quadrinho intimida, mas tem lá sua serventia...

* do Updateordie. Foto do Romolo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vitrine errada

Bem rapidinho e já saindo de fininho:
  • Esse é um manequim de moda masculina ou de mala de viagem?

* vitrine do centro paulistano. Foto do site de Cesar Giobbi. Vê o texto: "O flagra de hoje cedo de uma vitrine na r. da Quitanda, mostra que o esforço em tornar os manequins cada vez mais semelhantes a um ser humano parece não ter limites. Se antes eles mais se assemelhavam aos antigos bonecos de crianças, desprovidos de sexo, agora, ganham genitálias. Algumas até realistas -ou seria otimista?"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Conselhos...

Imelda Marcos está chegando. Compre mais sapatos agora!" Cartaz (pendurado no cabide!) no depósito da Barney's New York (Barney's Warehouse Annual Sale, de 20/08 a 7/09/09.

"Enfie sua bunda em alguma calcinha sexy!" A "Raposa do Brooklyn", sex shop, agosto/09.

  • Viver em Nova York tem dessas vantagens. Com tantas opções e tão pouco tempo a perder, a publicidade não substima a inteligência do consumidor e simplifica.
  • Vai direto ao ponto.
  • Sem gastar "rios de dinheiro"
  • Com muita criatividade. E sem dispensar o bom humor.

* a foto da Barney's veio do dbstudio. "The Brooklyn Fox", do Racked New York

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Precoce

A professora de Matemática solicitou como tarefa que cada um imaginasse um nome para uma loja e que fosse criado um anúncio de promoção de algum produto.

Ele começou a desenhar, em silêncio, sem pedir orientação. Deixei-o sozinho, criando. Só olhei o resultado final:

  • Nome da loja: GASTE!
  • Promoção: Só hoje, TV Plasma. De R$4.999,99 por R$4.999,98. Só aqui: GASTE!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Aposte no aposto: xô desgosto!

O mês de agosto está se despedindo.

(Finalmente!)

Um mês sem feriados... Um mês que vem depois das férias... Um mês de poucas vendas (as promoções vão se encerrando, os lucros se esgarçando; o tempo não ajuda a vender a coleção de verão que começa a chegar...). E o Dia dos Pais nunca foi uma data forte para o comércio... Ou seja, um desgosto só!

Não à toa que a crendice popular diz que "agosto é mês do cachorro louco". E mesmo não acreditando nestas "bobagens" tem muita gente que não casa em agosto (vixe, nem pensar!), não se muda em agosto, não viaja em agosto e não fecha negócio em agosto, que se transforma, assim, num mês de recesso para supersticiosos ou não. As crenças que permeiam os dias de agosto são tantas que o mês é considerado o Mês do Folclore, sabia? Eu mesma só soube porque ajudei meu filho de 7 com a tarefa!

O assunto folclore e crendices reavivou em minha memória um trecho da entrevista que a TPM fez com o David Azulay, da grife carioca de beachwear, Blue Man (e que eu reproduzi uma parte, no post onde comento seu falecimento). Quando a revista pergunta se a mãe do estilista (que é costureira e foi colaboradora nos primeiros tempos do negócio) ainda dava palpites nas coleções, David contou que a "mãe hoje gosta é de colocar açúcar em tudo. Isso é uma superstição antiga dela [risos]. Coloca açúcar na passarela, na fábrica, vai nas lojas e sai colocando açúcar na mão das vendedoras. Elas adoram a minha mãe e às vezes falam: - Pelo amor de Deus, fala para a dona Sol passar aqui e colocar açúcar!".

A Dona Sol é judia - ou seja, as tradições de sua religião e de seus antepassados negociantes têm mais de mil de anos! - quem há de questionar suas técnicas de marketing? E quem nunca jogou açúcar na porta da loja para chamar cliente que atire a primeira pedra!

Há quem prefira mel - diz que varrer o chão no sentido interior para o exterior e logo após passar no chão um pano embebido em água e mel, no sentido exterior para interior - limpa a loja de toda a "sujeira" e atrai as "abelhas" (símbolo de labor e recompensa) para dentro.

E tem os potinhos de sal grosso com alho e pimenta bem vermelha postados ao lado do caixa ou na entrada da loja. Outros objetos comuns são as figas e ferraduras penduradas. Ou olhos gregos, de vidro. Tudo para afastar "más intenções". O comerciante com ascendência oriental gosta de decorar a porta de seus negócios com um manekineko (o gato japonês da sorte). Ou com símbolos chineses de prosperidade, como dragões, carpas e cavalos, sempre nos tons dourado ou vermelho (cores que representam dinheiro e vitalidade).

Se funcionam? Não costumo perguntar essas coisas, mas não duvido que proprietários e vendedores sintam-se protegidos e estimulados com essas práticas. Mesmo os que duvidam e preferem a oração, não deixam de, de uma certa forma,"colocar uma intenção".

Por diversão (e por curiosidade), fiz uma seleção de simpatias que prometem solucionar alguns dos problemas mais comuns para os que atuam atuam no varejo.

"Comerciantes e empresários em geral vivem uma situação delicadíssima hoje em dia. Juros altos, concorrência dos importados, impostos em excesso, tudo para complicar sua atuação. Com isso, muitos acabam se deixando levar pelo desespero, pois quando se dão conta, estão num beco sem saída. Se isso ocorre com você, recorra aos poderes de uma simpatia para encontrar uma saída. Elas já mudaram a vida de muitas pessoas. Pode acontecer de mudarem a sua também. O que você perde em arriscar?

Simpatia para vendedores

Coloque 3 folhas de louro dentro do sapato que vai usar e todas as manhãs, antes de iniciar sua jornada, mentalize o valor do quanto almeja vender. Comece a fazer esta simpatia na lua nova. Nunca deixe de usar as folhas dentro do sapato, entre a palmilha e a sola de seu pé.

Para evitar prejuízos de qualquer origem

Como se não bastassem todos os problemas, os comerciantes tem que amargar também os terríveis calotes, cujos prejuízos podem quebrar uma empresa, se não forem bem administrados. Para evitar prejuízos no seu ramo de comércio, acenda três velas ao seu Anjo da Guarda, dentro de um pires branco com pimenta-do-reino em grão e sal grosso. Quando as velas se queimarem, retire os restos de cera e tudo que estiver dentro do pires, pondo dentro de um envelope. Lacre e guarde numa gaveta onde só você tenha acesso.

Para cheques sem fundos

Todo comerciante tem em sua carteira um pacote de cheques que não foram honrados pelos clientes. Para não acontecer isso com você, além de selecionar muito bem seus clientes, faça uma simpatia para se proteger. Numa segunda-feira, molhe um pano com água benta e sal grosso, usando-o para limpar todo o interior do local onde você guarda o dinheiro na sua firma. Pode ser a gaveta do caixa, a caixa registradora ou seu cofre. Se tiver os três, limpe os três. Coloque, então, um galhinho de arruda dentro dos locais que foram limpos.

Para sanar qualquer problema da loja

Pegue três velas brancas e um pouco de água salgada. Acenda as velas no interior do seu estabelecimento, sendo uma na frente, uma no meio e outra nos fundos. Borrife a água salgada ao redor das velas, formando um círculo. Deixe queimar. Após a queima total, varra o interior desses círculos na direção da saída, começando pelos fundos. Repita em três sextas-feiras seguidas."

  • Isso tudo porque no creo en las brujas, pero...

* simpatias extraídas do Simpatias da Web

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vestida para matar!

E para morrer!

  • A New Yorker é uma rede de lojas especializada em jeanswear, fundada em 1971, na Alemanha (Flensburg), com 708 lojas por toda a Europa e 13.500 funcionários.
  • Seus comerciais para TV costumam ser ousados, e cheios de referências fetichistas e de humor negro.
  • Abaixo, mais dois exemplos ácidos de seus spots:

  • No estilo "falem mal, mas falem de mim!"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Certos clientes é melhor nem ter!

  • Há certos clientes, especialmente os pechinchadores, que só fazem gastar nosso tempo e paciência - que bem poderiam ser dedicados a clientes mais saudáveis.
  • Há os que nos tratam como mero fornecedor. Não valorizam o que temos a oferecer, substimam nossa inteligência e não têm o mínimo apreço e consideração pelo humano em nós.
  • Qual a razão de atrairmos clientes cujo custo de transação é maior que o benefício gerado?
  • Não é só o cliente que pode escolher de quem comprar. O bom vendedor é aquele que seleciona seus clientes e dá o melhor de si para os eleitos.

* notas do livro de bolso Superdicas para Conquistar Clientes e para fazer um atendimento 5 estrelas, de César Souza, Editora Saraiva (R$7,60 na Saraiva - uma ótima sugestão para presentear vendedores, representantes, gerentes...). O vídeo tirei do Update or Die. Pensou que eu tinha recebido de algum fornecedor?

domingo, 7 de junho de 2009

E que tal isso?

  • A primeira foto é de uma propaganda americana de calça. A mensagem básica é use esta calça que você vai ficar tão irresistível que vai abater – sem espingarda – até uma tigresa gostosa como esta.
  • A segunda, de suéteres masculinos, é bem direta: "Homens são melhores que mulheres"! E continua, "entre quatro paredes mulheres são úteis - e até agradáveis. Mas, em uma montanha... não há necessidade! Leve somente suéteres Drummond".
  • As "pérolas" acima estão em uma seleção de 15 anúncios vintage com teor "sexista" (para mim são machistas). Todas absurdamente sem noção, para quem as vê com os olhos de hoje.
  • E foi uma engraçada coincidência descobrir estas fotos um minuto após ter lido esta declaração da modelo Kate Moss (para o site Grazia, sobre o lançamento de seu mais novo perfume, Vintage by Kate Moss): "Eu adoro qualquer coisa antiga… menos homens!".

  • Fiquei pensando. Quais propagandas que hoje achamos normais serão vistas como "fora do contexto" no futuro? Alguma indicação, gentil leitor?
  • E para iniciar a discussão, Gwyneth Paltrow para a marca Tod's, na campanha outono/inverno 2008-2009:

* dica do Desculpe a Poeira, que estava seguindo o Neil Gaiman pelo Twitter. Pãtz, Neil Gaiman himself? Sou fã, apaixonada, viciada! A web faz mágicas deste tipo - e eu ainda me surpreendo!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Omnia Omnibus Ubique

Compartilho com vocês este texto sobre a Harrods, escrito pelo jornalista Paulo Nogueira, brasileiro que recém se estabeleceu em Londres, para o blog Diário do Centro do Mundo, da Revista Época.

São poucas linhas. Mas que oferecem uma visão bem ampla do que representa a Harrods para os ingleses e de como um estabelecimento comercial pode se tornar agente de influência na cultura de um povo, nos seus hábitos e comportamento. Praticamente, uma aula de história.

A Harrods e os casacos de pele

E então vou à Harrods. Não dá para ir a Londres sem ir à Harrods, em Knightsbridge. Quer dizer. Dá. Mas é um erro. Penso em fazer algumas compras. Verifico por curiosidade o preço do primeiro produto que vejo, um casaco de pele: 20 mil libras. Mentira: 19 900. Me faz perder o apetite por compras. A carteira permanece no bolso. Gosto do lema da Harrods. É uma frase latina. Omnia Omnibus Ubique. Tudo para todos, em todo lugar. Mais ou menos isso. Não entendo direito o sentido, mas é uma expressão retumbante. Tudo para todos? O casaco também? Poucas empresas sobrevivem aos primeiros anos. A Harrods tem 175. A primeira escada rolante do mundo apareceu na Harrods em 1898. Uma bebida, no final da escada, acalmava clientes nervosos com a subida.

Muitas histórias.
Mas a mais divertida que conheço tem como protagonista Pattie Boyd, a primeira mulher de George Harrison. George mantinha uma conta aberta para Pattie na Harrods. Pattie se apaixonou por Eric Clapton e deixou George por ele. George e Eric eram grandes amigos. Já casada com Eric, que escreveu “Layla” em sua homenagem, num final de ano Pattie foi à Harrods para fazer as compras de natal. Colocou tudo na conta bancada por George. Só então descobriu que George a encerrara. Ela narra o episódio em sua autobiografia. Parecia realmente surpresa com a perda da conta aberta depois de abandonar o homem que a mantinha. Sábado é dia de protesto em frente da Harrods. Defensores dos direitos dos animais empunham cartazes e distribuem panfletos. Eles querem que os consumidores boicotem a Harrods enquanto continuarem a ser vendidos ali casacos de pele de animais. Me ocorre a palavra alemã “zeitgeist”, o espírito do tempo. Cada vez mais gente tende a militar pelos animais. Podemos matá-los para fazer churrasco e casacos de pele? Não, não sou militante. Na própria Harrods, no celebrado Food Hall (foto abaixo), pedi um frango assado parecido com aqueles que a gente vê na frente de muitas padarias no Brasil. Provavelmente o melhor que já comi, aliás. Molho soberbo.

Mas. Mas confesso que às vezes me vejo com uma ponta não vou dizer de arrependimento, mas de dúvida. Deveria rever alguns conceitos? Vou enfrentar algum livro de Peter Singer, o aclamado filósofo que defende os animais? Talvez mais para a frente. Não agora. Minhas prioridades são outras. Na saída da Harrods apanho um panfleto de uma militante. Fotos de animais com um sofrimento épico. A moça que me passou o panfleto tem um ar tristonho - um notável contraste com a alegria barulhenta e consumidora das pessoas que abarrotavam a Harrods naquela manhã de sábado.

  • Também tenho uma história com a Harrods. Quer ouvir?
  • Em 1993 saí em viagem pela Europa, no estilo mochila nas costas, muito jogo de cintura e zero expectativas, a não ser, claro, Londres.
  • Na época, os guardas da imigração britânica tinham fama de durões e eram ainda piores do que os espanhóis de hoje - não havia nem sala de espera, conversa, nada!
  • Resolvi me preparar para esta situação nos moldes de uma entrevista de emprego. Ainda no Brasil mandei confeccionar um vestido cor de lavanda [cor nada comum na moda daquele tempo e bem no estilo ashcombe-garden-party (parecido com este usado por Madonna, em editorial para Vogue US, de agosto de 2005]

  • o look ainda contemplava meias de seda e sapatos de fina camurça grafite, tudo especialmente planejado para a grand entrée (e dentro da mochila!).
  • ainda acrescentei um chapéu de lã inglesa, comprado alguns dias antes em Amsterdã.
  • após o agente alfandegário inspecionar meu passaporte e documentos, começaram as perguntas de praxe: minhas intenções no país, como era minha família e sobre meu trabalho...
  • Lembro-me dele perguntando qual era minha função na loja e que tipo de produtos vendíamos.
  • com tranquilidade estudada e com sotaque extraído das reuniões do clube de criquet da realeza, falei que a loja estava situada em um edifício de três andares. Que vendíamos roupas finas para cavalheiros, senhoras e crianças. Como também sapatos, bolsas e todo tipo de acessórios em couro. Também lingerie e meias. Além de sermos especializados em todo tipo de material esportivo.
  • fui totalmente sincera, mas jamais poderia prever a relação que o oficial da imigração fez com meu relato: "Ah, entendo. Assim como a Harrods..."
  • Engoli em seco e concordei: Exactly, like Harrods!
  • O oficial sorriu e carimbou meu passaporte com o visto de entrada.  
  • Depois, enviei um cartão postal para meu pai com uma foto igual a esta aí embaixo, do Egypt Hall, contando que achei as lojas em Londres muito simplórinhas. Um nada, em comparação com as de nossa família...
  • E ainda tem mais: após 10 dias em Londres, fui à uma garden party, indeed. O jardim recendia a jasmim. Inesquecível! Fui sem o vestido caretinha, é claro. E sorria à toa, toda uma explosão de juventude. Isso, somado ao fato de ser a única brasileira da reunião, renderam-me vários flertes, vindos especialmente de um senhor barbudo e circunspecto. Eu o esnobei. Era o Eric Clapton!
*



* texto escrito por Paulo Nogueira, para Revista Época Online.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Enquanto isso, em Baln. Camboriú... Momento vergonha alheia II

Tanto já se escreveu sobre este que é um dos mais infelizes ranços da colonização brasileira - a mania de usarmos expressões de línguas estrangeiras, notadamente o inglês, para parecermos mais "cultos" e globalizados - que não sobra muito para comentar. Só que é justamente em placas e vitrines comerciais onde mais se vê palavras como SALE (sempre muito grande), ou o afamado OFF, ao lado da porcentagem que se pretende descontar, só para citar alguns dos exemplos mais comuns.

Aqui em Balneário Camboriú, recentemente fomos invadidos pela onda de restaurantes que vendem finos hamburgueres [à época do meu estágio universitário, meu supervisor, o jornalista Creso Luiz de Moraes, já avisava: "o plural de hamburguer é hamburguesas, Luciene"; mas a grafia hamburgueres, errada ou não, ao que parece, vingou, feitos por chefs de cozinha conceituados, que servem suas iguarias em espaços sofisticados e de alto valor de aluguel, à beira mar.

Sei que o prato é de origem anglo-saxônica, assim como todos os sandwichs, mas nada justifica esse letreiro em letras colossais, dourado faiscante. Tem que ver: iluminado pelo sol, assim, bem em frente ao mar (este sim, todo magnifíco na sua esplendorosa imensidão), o letreiro soa mais que ridículo em toda sua "modéstia". Assim, acabo por preferir esta inscrição de parede (cerca de 500 metros de onde trabalho), que anuncia os seviços de uma empresa de sonorização de eventos:

  • Afinal, a palavra [word] suporta "flexibilizações". O mundo [world] já não mais...
  • E modéstia por modéstia, a que se ouve [sond] é melhor, concordam? Tipo, entra por um ouvido...

* Quer ver as outras placas deste tipo que já publiquei? Não são de Baln. Camboriú, mas valem o clique. Aqui e aqui.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Versão varejista

Achei no Depósito do Calvin, uma ótima resposta para aquela perguntinha indiscreta que toda criança insiste em fazer:

  • Já pensou se fosse verdade? Certeza que os políticos de hoje saíram da banca de ofertas de um 1,99.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Momento vergonha alheia

O último post nos lembra que o mês de maio também é dedicado às noivas. Então aperta o play e assista ao comercial de noiva mais bizarro do mundo - que apesar da trilha com sotaque carioca, veio lá de Alta Floresta, Mato Grosso, Braziúúú!

  • Olha só o comentário que eu copiei do youtube: "Se eu morasse em Alta Floresta, JAMAIS compraria nessa loja, e mesmo assim denunciaria ela ao PROCON..."
  • E quem consegue desgrudar esse refrão chiclete da cabeça?! Me conta, porque da minha não sai...
  • Já escrevi sobre publicidade de mau gosto aqui. Quer lembrar?
  • E também dei uns palpites sobre comerciais para Dia das Mães aqui.

* vi no Noiva.com

domingo, 19 de abril de 2009

Descartes atualizado

Não tenho o hábito de divulgar o blog (a autocrítica controla minha vida!), mas ontem, na loja, não resisti e citei o título com um amigo de meu pai. - Ah, Consumo, logo Existo, feito Hamlet...
Nããããão, meu senhor. A fala do personagem Hamlet, da peça homonônima, escrita por Shakespeare no século XII, "Ser ou não ser? Eis a questão!" é icônica, mas não vem daí o título do blog.
Foi Descartes, quem cunhou o aforismo Cogito, ergo sum (Penso , logo existo). Eu só o atualizei.
  • Afinal, pensar pra quê, se o pensamento já não confere status. Cogito mais é no que vou comprar. Ergo o cartão de crédito. Sumo-me da vida pensante. Consumo, consumo, consumo...
  • Para ler um texto com mais consistência sobre o tema, sugiro este aqui.

*Olhando com atenção teu retrato, René Descartes, digo-te, com a intimidade que só temos com os que já morreram: -Com esse nariz, amigo, nem precisavas de pensamento para ocupar um lugar na existência...

sábado, 18 de abril de 2009

O vendedor-Vendedor

"O vendedor-Vendedor é pulsante, faz-se notar mesmo quando não está presente; é desequilibrado (não mentalmente) por natureza. É impulsivo, intuitivo e tem a percepção natural dos melhores caçadores. Vendedor quando acorda não bebe leite, bebe guaraná em pó. Vendedor não se veste para sair de casa, se decora. Carro de vendedor é igual bolsa de mulher, tem de tudo e você não acha nada, mas ela - a mulher e o vendedor - sempre acham. Vendedor não tem clientes, tem fãs. Vendedor não tem amigos, tem cabos eleitorais. Enfim, vendedor é assim, Vendedor. E tem mais: tem orgulho de dizer que é vendedor."
  • Desculpem, mas não sei quem é o autor destas frases que achei em meus passeios insones pela web. Mas considero o textinho um primor (e vocês?). Não, eu não concordo com tudo o que afirma, mas devo admitir que funciona e nisso reside sua graça... não consigo deixar de sorrir enquanto o leio ou penso nele!
  • E dá para aproveitar muitas dicas daqui, também. Minha predileta é a "vendedor não se veste, decora-se". Mas não dá para desperdiçar esta: quando a equipe estiver destimulada, vá de guaraná em pó, refresco feito com xarope de guaraná natural da amazônia ou, o meu predileto, uma boa dose de café preto. - ou chá verde, que também funciona. E não esqueça de oferecer aos seus clientes - os mais desanimadinhos, é claro!

* a ilustração é de cartaz de uma montagem da peça "A morte do caixeiro viajante" (The death of a salesman), de Arthur Miller, vencedor do Pulitzer por este trabalho - e eleito pelo The New York Times como um "dos mais sofisticados dramas na extensa lista do teatro Americano. Um clássico que examina nossa nacional obsessão por fortuna e sucesso".

sábado, 11 de abril de 2009

Enquanto isso, em Baln. Camboriú...

... Páscoa é tempo de coelhinhas!

(e viva o fim da quaresma!)

* foto feita no calçadão, sexta, 10/04, à noite - Loja Bikini e Cia.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Pipoca na Páscoa

Aqui em casa não se fala noutra coisa. E nas lojas, os vendedores estão já cheios de planos (os rapazes, claro, que são a maioria no meu caso). É que neste final de semana acontece a estréia - internacional! - do filme mais esperado da garotada: "Dragonball Evolution".



Não é só deste filme que quero tratar aqui, mas se o seu mercado inclui meninos e jovens rapazes, é bom ficar ligado. Como normalmente acontece, estes filmes são lançados junto a uma avalanche de produtos com o tema, de chinelinhos a suquinhos, passando pelas camisetas, meias, cuecas e pijamas - todos vão querer ter uma peça dessas.
Agora, se o seu público consumidor é formado na sua maioria por mulheres - e qual não é? Comprovadamente, é o gênero feminino o que mais consome e detêm o poder de decisão nas compras - não dá para perder outro filme que estréia neste feriadão concorrido para os cinemas: "Os delírios de consumo de Becky Bloom".


Inspirado no livro "Confessions of a Shopaholic" (confissões de uma viciada em compras), da britânica Sophie Kinsella - baseado em fatos reais - o filme é uma comédia muito redondinha, estrelada pela atriz Isla Fischer (de "Encantada") com figurino de Patricia Field ( a mesma de Sex and the City e o Diabo veste Prada) e produzida pela Disney (não falei que era redondinha?!).


A Becky do título é uma compradora compulsiva, atolada em dívidas e completamente desesperada para consumir. Para resgatar seu cartão de crédito e um pouco de dignidade em sua vida, resolve escrever sobre economia e finanças em uma revista de negócios. Já dá para imaginar a bagunça que veremos nas telas. Além disso, as cenas revelam muitas vitrines e interiores de lojas, clientes brigando por roupas em liquidações, vendedoras, caixas de lojas (daquelas que mostram um sorrisinho cínico quando informam a cliente que a compra foi recusada) e imensas referências a grifes como Hermès, Gucci, Chanel, Prada. Se não bastasse, ainda temos todo o figurino de Becky, que desfila pelo filme a bordo de criações de Dolce&Gabbana, Zac Posen, Gucci, Vicky Tiel, Givenchy, Cavalli, Versace, Gap, Pucci, Christian Dior, Lanvin, Miu Miu, Todd Oldham, Balenciaga, Marc Jacobs, Louis Vuitton, Alexander McQueen, Vivienne Westwood e Prada (ufa!). O tipo de filme que eu acho imperdível!



  • O trailer acima já faz rir. Vale a pena o clique. Adoro especialmente a fala inicial: "Sabe quando você está andando na rua e vê um bonitão que te sorri do nada? E seu coração meio que derrete como mateiga em pão quente? Pois é assim que eu me sinto quando vejo uma loja..."
  • Esse é um daqueles filmes raros onde o cinema supera a literatura. Portanto, minha dica é: não leia o livro, veja o filme!
  • Em tempo: "Dragonball Evolution" estreia dia 9/4. Já "Os delírios de consumo de Becky Bloom" está marcado para 10/4. Vamos?