Mostrando postagens com marcador ponto de venda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ponto de venda. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A força de consumo da terceira idade

Há uma semana de comemorarmos o Dia das Crianças no Brasil, preciso voltar para a semana que passou - no domingo passado, 27/09, comemorou-se o Dia do Idoso. A data foi criada há dez anos, pela Comissão de Educação do Senado, em reconhecimento ao progressivo envelhecimento das populações brasileira e mundial. As comemorações se estenderam por toda a semana (Semana do Idoso) e durante estes dias, selecionei algumas informações pertinentes.

O Brasil se acostumou a ser chamado de nação de jovens e não se preparou para as mudanças na pirâmide etária

Quais os desafios para os consumidores mais velhos? Os idosos têm alguns direitos diferenciados, como as filas preferenciais em bancos e o passe livre em ônibus e metrôs, mas nem sempre são bem tratados, o que é uma contradição: pessoas da terceira idade cada vez mais frequentam shoppings centers, cruzeiros de navios, saem para jantar fora, namoram, navegam na internet, fazem aplicações financeiras e cuidam da aparência. Não só, pesquisa da Anep - Associação Nacional das Empresas de Pesquisa de Mercado informa que os idosos são consumidores assíduos, que procuram por qualidade e costumam ser fiéis às marcas e lojas onde são bem atendidos. Essa fidelidade, inclusive, vai além do nome da loja, vinculando-se, muitas vezes, ao próprio vendedor.

Vender produtos para a terceira idade passou a ser um grande negócio

"O público da terceira idade é cada vez mais independente, possui mais qualidade de vida e, consequentemente, consome mais", afirma o mestre em marketing Luiz Eduardo Amaro. Segundo o consultor, hoje em dia os idosos contam com uma renda melhor que as gerações passadas, muitas vezes não dependendo exclusivamente de aposentadorias do governo. "Muitos deles ainda pertencem ao mercado de trabalho".

Amaro diz que o idoso é mais confiável no pagamento de suas contas. "Pessoas maduras são naturalmente mais responsáveis e mais atentas quanto à importância de manter seus pagamentos em dia e seu nome limpo no mercado".

Atendimento especializado

Além de experientes, os idosos são conhecidos por serem exigentes não só com os produtos que estão sendo vendidos, mas também com o atendimento prestado nas lojas. Atentos aos seus direitos como consumidores, nesta fase da vida não admitem mais enfrentar filas nos caixas ou ter a sua preferência no atendimento repassada a outros.

Um vendedor atencioso, paciente e que esteja disposto a conversar terá mais chances de obter êxito nas vendas, pois muitos se sentem solitários e procuram nas compras algum tipo de convívio social. Explicar detalhes do produto, por exemplo, também é fundamental. Muitas das novidades tecnológicas não são ainda de conhecimento do idoso, que pode não entender ainda novos tipos de solado que ajudam a evitar queda, costuras invisíveis que ajudam a não machucar, amortecedores para diminuir o impacto ao caminhar, tecnologias que evita odores e absorvem a transpiração, enfim... tudo vai muito além do que fazia parte do universo de consumo de tempos atrás. Não podemos esquecer que o ser humano é curioso por natureza, não importa a idade que tenha.

A estrutura física das lojas não pode ser menosprezada

As empresas que estão se preparando para atender este público, devem atentar às necessidades diferenciadas durante o processo de atendimento, mas também com a sua proteção, o que envolve a estruturação física da loja. São fatores importantes:
  1. boa iluminação;
  2. facilidade de acesso (rampas e elevadores ao invés de escadas);
  3. pisos antiderrapantes;
  4. bancos ou cadeiras não muito baixos, confortáveis, com encosto e braços;
  5. letras maiores no caso da necessidade de assinar algum documento;
  6. música ambiente que não atrapalhe a conversa nem interfira no entendimento das explicações sobre o produto e formas de pagamento;
  7. as eventuais deficiências de locomoção, auditiva e visual merecem atenção;
  8. atendimento médico de urgência em shoppings e lojas de grande afluência de público.

Mercado ávido por compras e por boas ofertas

20% dos consumidores com mais de 60 anos confessam que ir às compras é uma forma de lazer e 82% deles adoram uma promoção. Em geral, os idosos não estão dispostos a pagar mais, a não ser que isso signifique livrá- los de algum desconforto físico para conseguir preços melhores. Se tiverem condições físicas, os consumidores irão atrás de melhores preços, já que, na sua grande maioria, tem mais tempo para pesquisar e encaram esta tarefa com prazer, pois tendem a ver o momento de compra como um processo de relações pessoais.

Além disso, para este nicho de mercado, condições como comodidade, preço e condições competitivas são atrativos especialmente para aqueles que dependem da aposentadoria.

E a indústria está preparada para este "novo consumidor"?

Quantas marcas de moda voltam seus esforços para terceira idade? Nas prateleiras das lojas é vísivel a presença de um estereótipo equivocado sobre as preferências de consumo do idoso. O mercado se engana quando acredita que a senhorinha vai comprar para sempre aquele sapatinho sem salto, com bico arredondado, nas cores preto, bege e marrom... Os tempos mudaram e aquela avó que passa o dia tricotando e cozinhando quitutes reina sozinha - como personagem dos livros de Monteiro Lobato!

Hoje, os idosos fazem questão de ser e parecerem joviais - sem segregação. O produto "ideal para a terceira idade" não deve se diferenciar dos outros, mas também ser consumido por este nicho, observando-se as tendências, a boa utilização de materiais, o apuro técnico (com especial atenção ao conforto) e o cuidado estético.

  • Mais alguns dados relevantes: no Brasil, pessoas com mais de 60 anos consomem R$12,2 bilhões por mês.

  • A expectativa é que, em 2025, 13 % da população brasileira seja de idosos, ultrapassando os 30 milhões de pessoas.
  • Ou seja, seremos a sexta maior população idosa do mundo, conforme indica o Estatuto do Idoso.
  • Há muitas outras ações que poderiam sugerir que respeitamos aqueles que nos deram a vida, os cuidados de saúde, a educação e os primeiros conhecimentos.
  • Torço que não sejam só os números aqui apresentados a suscitarem este respeito.

* dados do Jornal Exclusivo On Line; Portal Terra; Maria Alice Rocha e Folha On Line. Imagens do Google Images. Para ler o que já publiquei sobre este tema, clique aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fashion's Night Out - o Vogue's Day

Dizem que foi idéia da própria Anna Wintour - a "diaba" - que, entre uma edição e outra da Vogue US (a revista que é a própria bíblia do consumo de moda mundial), bolou uma ação para celebrar a indústria fashion e incentivar o consumo nesses tempos difíceis. (Que foi, Anna, a água bateu aí, foi?) O Fashion's Night Out foi apresentado em maio de 2009 pelo prefeito da cidade norte-americana Michael Bloomberg (e eu repliquei imediatamente, em 16/05). Apoiado por empresários, estilistas, modelos e artistas, o evento está programado para acontecer dia 10 de setembro (quinta-feira), em 13 capitais do mundo simultaneamente. Lojas em Nova York, Madri, São Paulo, Paris, Moscou, Milão, Pequim, Londres, Berlim, Atenas, Nova Délhi, Tóquio e Taipei ficarão abertas até meia-noite com atividades para promover a ação. Será uma ação similar à produzida pela champanhe Chandon na Oscar Freire, em São Paulo: mais de 100 lojas dos EUA já se cadastraram para, na data, receber clientes com bebidinhas, descontos e outros mimos exclusivos. Estão por trás da iniciativa nomes como Anna Wintour, Vera Wang, Tommy Hilfiger e Oscar de la Renta. Em São Paulo, o evento incluirá o Shopping Iguatemi, Market Place e a Daslu, onde acontecerão pocket-shows, microdesfiles, sorteios e até gincanas do tipo "caça ao tesouro". Além disso, cada local terá um stand da Hering onde serão vendidas camisetas do evento com parte da renda revertida para causas sociais. Os consumidores brasileiros já podem acompanhar todos os preparativos da festa através do blog exclusivo no site da RG Vogue, além de conhecer as "apostas" dos editores da revista brasileira para as coleções das marcas participantes. Serão selecionadas 10 peças de cada, que ganharão uma etiqueta especial e dicas de como usar junto com outras tendências de moda. Entre as grifes participantes estão 284, Accessorize, Alexandre Herchcovitch, Armani, Calvin Klein, Cavalera, Christian Louboutin, Diesel, Dior, Gucci, Hering, Isabela Capeto, Lacoste, Louis Vuitton, Marc Jacobs, Maria Bonita, Osklen, Rosa Chá e Vivara. Por enquanto. Estima-se que mais de 100 marcas participem da ação.

  • Difícil que uma ação solitária consiga minimizar os efeitos da crise nos Estados Unidos ou gerar algum ânimo em um mercado tão retraído...
  • Mas não desdenha, não! Minha opinião é que eventos como este vão começar a pipocar por aí.
  • Tem um montão de gente inteligente prevendo uma "nova ordem mundial" onde comunidades unidas por interesses comuns começem a se manifestar... presta atenção!
  • Uma coisa é certa: este é um super evento para o mercado da moda.
  • E que tal pegar um "jacaré" nessa marola? Aproveita algumas destas sugestões: aqui e aqui!

* nas fotos, famosos como Reinaldo Gianecchini e a estilista Lenny Niemeyer ( na primeira foto) e as tops Bruna Tenorio e Ana Claúdia Michels, entre a a maquiadora da MAC, Vanessa Rozan, vestiram na SPFW a camisa do Fashion´s Night Out.

sábado, 13 de junho de 2009

Duas casas de Louis Vuitton

Underground ou trés chic? A Louis Vuitton está mesmo disposta a agradar aos mais variados públicos. Basta ver estas duas novas lojas da marca em Tóquio e em Deauville, na França.
A primeira é absolutamente moderna: fica no subsolo de uma loja de departamentos no bairro de Ikebukuro, na capital japonesa. Trata-se de um espaço temporário (mais um!), com visual que lembra um canteiro de obras com guindastes, caixas de madeira e cones espalhados.
Já a unidade francesa é o oposto. Instalada em um château de estilo inglês, com mil metros quadrados distribuídos em dois andares. Ali, a décor é sofisticada e fiel ao padrão Louis Vuitton.
  • Endereços diferentes, formas diversas da maison conquistar novos clientes pelo mundo afora.
  • Qual o seu preferido?
  • Vendo as fotos do interior da LV de Tóquio tenho uma sensação de dejà vu. Não parece o cenário do desfile outono/inverno 2009 da rede gaúcha, Pompéia? É ou não é?

* tudo da Wish Report.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nike lança pop up store em SP e homenageia seleção canarinho

Foi a Alemanha a vencedora da Copa do Mundo de 1954, mas a seleção brasileira também ganhou, não a taça, mas o apelido de Canarinho. Para relembrar os velhos tempos e celebrar o verdeiro futebol brasileiro, a Nike do Brasil lançou uma coleção de tênis (sneakers) e camisetas que retoma a história da época, que estão sendo vendidas em uma loja pop-up na Galeria do Rock.

Na loja, estão à venda modelos exclusivos de tênis e camisetas com estampas criadas por um grupo talentoso de grafiteiros e ilustradores (street arts), como Don Torelly, Jurubis e Presto. O resultado são peças coloridas, de edição limitada, com ilustrações modernas e bem humoradas que estão à disposição pra quem quiser apreciar, ver e experimentar na loja, que deve funcionar por apenas 60 dias.

A loja remete a elementos de época e populares do Brasil, com telhas de eternit, pandeiros, aparelhos de rádios antigos e chapéus de palha, tudo somado ao colorido das ilustrações e grafites dos artistas convidados. As fotos deste post foram feitas no dia da inauguração, 2/06, como também o vídeo abaixo, que mostra alguns detalhes do visual merchandising e disposição dos produtos e a festa de lançamento da coleção.

E não é só: para acompanhar o movimento a Nike lançou o aplicativo Rádio Nike Canarinho, uma iniciativa para conectar os mais jovens ao espírito e à paixão nacional pelo futebol. Rendeu até uma homenagem do rapper e sambista Marcelo D2 e do carioca DJ Nuts, em forma de regravação, do samba "Voa Canarinho Voa", imortalizado pelo ex-lateral da seleção Júnior, em 1982.

  • A rádio, que também está disponível na web, poderá ser baixada para iPhone e iPod Touch. Quem baixar a "rádio canarinho" tem acesso a músicas 100% brasileiras, e pode conferir notícias e histórias relacionadas ao tema da campanha. Para entender tudo e baixar as músicas, vá ao site Movimento Canarinho.

  • Serviço: Pop up Store Canarinho, Galeria do Rock: r. 24 de maio, 62, Centro, São Paulo. Só até 2 de agosto.

* li primeiro no Descolex. As outras informações e fotos vieram da Nike. O vídeo saiu do Coisas de Marcelle.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Omnia Omnibus Ubique

Compartilho com vocês este texto sobre a Harrods, escrito pelo jornalista Paulo Nogueira, brasileiro que recém se estabeleceu em Londres, para o blog Diário do Centro do Mundo, da Revista Época.

São poucas linhas. Mas que oferecem uma visão bem ampla do que representa a Harrods para os ingleses e de como um estabelecimento comercial pode se tornar agente de influência na cultura de um povo, nos seus hábitos e comportamento. Praticamente, uma aula de história.

A Harrods e os casacos de pele

E então vou à Harrods. Não dá para ir a Londres sem ir à Harrods, em Knightsbridge. Quer dizer. Dá. Mas é um erro. Penso em fazer algumas compras. Verifico por curiosidade o preço do primeiro produto que vejo, um casaco de pele: 20 mil libras. Mentira: 19 900. Me faz perder o apetite por compras. A carteira permanece no bolso. Gosto do lema da Harrods. É uma frase latina. Omnia Omnibus Ubique. Tudo para todos, em todo lugar. Mais ou menos isso. Não entendo direito o sentido, mas é uma expressão retumbante. Tudo para todos? O casaco também? Poucas empresas sobrevivem aos primeiros anos. A Harrods tem 175. A primeira escada rolante do mundo apareceu na Harrods em 1898. Uma bebida, no final da escada, acalmava clientes nervosos com a subida.

Muitas histórias.
Mas a mais divertida que conheço tem como protagonista Pattie Boyd, a primeira mulher de George Harrison. George mantinha uma conta aberta para Pattie na Harrods. Pattie se apaixonou por Eric Clapton e deixou George por ele. George e Eric eram grandes amigos. Já casada com Eric, que escreveu “Layla” em sua homenagem, num final de ano Pattie foi à Harrods para fazer as compras de natal. Colocou tudo na conta bancada por George. Só então descobriu que George a encerrara. Ela narra o episódio em sua autobiografia. Parecia realmente surpresa com a perda da conta aberta depois de abandonar o homem que a mantinha. Sábado é dia de protesto em frente da Harrods. Defensores dos direitos dos animais empunham cartazes e distribuem panfletos. Eles querem que os consumidores boicotem a Harrods enquanto continuarem a ser vendidos ali casacos de pele de animais. Me ocorre a palavra alemã “zeitgeist”, o espírito do tempo. Cada vez mais gente tende a militar pelos animais. Podemos matá-los para fazer churrasco e casacos de pele? Não, não sou militante. Na própria Harrods, no celebrado Food Hall (foto abaixo), pedi um frango assado parecido com aqueles que a gente vê na frente de muitas padarias no Brasil. Provavelmente o melhor que já comi, aliás. Molho soberbo.

Mas. Mas confesso que às vezes me vejo com uma ponta não vou dizer de arrependimento, mas de dúvida. Deveria rever alguns conceitos? Vou enfrentar algum livro de Peter Singer, o aclamado filósofo que defende os animais? Talvez mais para a frente. Não agora. Minhas prioridades são outras. Na saída da Harrods apanho um panfleto de uma militante. Fotos de animais com um sofrimento épico. A moça que me passou o panfleto tem um ar tristonho - um notável contraste com a alegria barulhenta e consumidora das pessoas que abarrotavam a Harrods naquela manhã de sábado.

  • Também tenho uma história com a Harrods. Quer ouvir?
  • Em 1993 saí em viagem pela Europa, no estilo mochila nas costas, muito jogo de cintura e zero expectativas, a não ser, claro, Londres.
  • Na época, os guardas da imigração britânica tinham fama de durões e eram ainda piores do que os espanhóis de hoje - não havia nem sala de espera, conversa, nada!
  • Resolvi me preparar para esta situação nos moldes de uma entrevista de emprego. Ainda no Brasil mandei confeccionar um vestido cor de lavanda [cor nada comum na moda daquele tempo e bem no estilo ashcombe-garden-party (parecido com este usado por Madonna, em editorial para Vogue US, de agosto de 2005]

  • o look ainda contemplava meias de seda e sapatos de fina camurça grafite, tudo especialmente planejado para a grand entrée (e dentro da mochila!).
  • ainda acrescentei um chapéu de lã inglesa, comprado alguns dias antes em Amsterdã.
  • após o agente alfandegário inspecionar meu passaporte e documentos, começaram as perguntas de praxe: minhas intenções no país, como era minha família e sobre meu trabalho...
  • Lembro-me dele perguntando qual era minha função na loja e que tipo de produtos vendíamos.
  • com tranquilidade estudada e com sotaque extraído das reuniões do clube de criquet da realeza, falei que a loja estava situada em um edifício de três andares. Que vendíamos roupas finas para cavalheiros, senhoras e crianças. Como também sapatos, bolsas e todo tipo de acessórios em couro. Também lingerie e meias. Além de sermos especializados em todo tipo de material esportivo.
  • fui totalmente sincera, mas jamais poderia prever a relação que o oficial da imigração fez com meu relato: "Ah, entendo. Assim como a Harrods..."
  • Engoli em seco e concordei: Exactly, like Harrods!
  • O oficial sorriu e carimbou meu passaporte com o visto de entrada.  
  • Depois, enviei um cartão postal para meu pai com uma foto igual a esta aí embaixo, do Egypt Hall, contando que achei as lojas em Londres muito simplórinhas. Um nada, em comparação com as de nossa família...
  • E ainda tem mais: após 10 dias em Londres, fui à uma garden party, indeed. O jardim recendia a jasmim. Inesquecível! Fui sem o vestido caretinha, é claro. E sorria à toa, toda uma explosão de juventude. Isso, somado ao fato de ser a única brasileira da reunião, renderam-me vários flertes, vindos especialmente de um senhor barbudo e circunspecto. Eu o esnobei. Era o Eric Clapton!
*



* texto escrito por Paulo Nogueira, para Revista Época Online.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cliente paga o quanto quer em site de moda

Um site de moda da França está convidando os internautas a pagarem o que quiserem por 10 mil artigos durante uma promoção que ficará em vigor por quatro dias e que a empresa descreveu como "fórmula antirrecessão".
 

Entre 15 e 18 de maio, o site http://www.brandalley.fr/ disponibilizará roupas, sapatos, bolsas e outros acessórios originais de grifes famosas a um preço base de 1 euro, deixando os compradores pagarem mais somente se quiserem. Cada cliente poderá comprar no máximo dois itens.

 

"É uma liquidação que vai elevar o poder de compra dos consumidores num momento de crise, elevar nosso perfil, aumentar o tráfego em nosso site e gerar uma repercussão na net que é essencial para qualquer empresa que vende online", disse o executivo-chefe da BrandAlley, Sven Lung. O site faz parte dos 15 maiores varejistas da internet na França, com faturamento previsto de 50 milhões de euros este ano.

 

A promoção vem após iniciativas semelhantes de restaurantes em Londres e Sydney, que procuraram combater o ambiente pessimista gerado pela recessão econômica, deixando, por períodos limitados, que os clientes, depois de fazerem uma refeição, decidissem quanto achavam que ela valera. A expectativa é que as pessoas gostem da experiência e retornem aos restaurantes, mesmo depois de os cardápios voltarem a apresentar seus preços tradicionais.

Lung disse que a estratégia da BrandAlley é semelhante, com o intuito de atrair clientes novos que normalmente não compram pela internet. Ele admitiu que comprar bens online é impessoal, comparado a ir a um restaurante, e que pode ser mais fácil para os clientes (que não presenciaram um "esforço de atendimento") pagarem o preço mínimo dos seus produtos e nada mais. Se isso acontecer, a empresa pode perder até 90 mil euros.
 

"É um risco. Não vou me iludir. As pessoas que estão diante de suas telas permanecem anônimas e vão querer fazer um bom negócio. Mas tenho esperanças de que seja um sucesso", disse ele, acrescentando que, "com o tempo, os clientes novos conquistados compensarão pelos possíveis prejuízos".

     

  • Essa notícia vem de encontro com outras duas que li recentemente, sobre uma pesquisa realizada pela Euro RSCG Worldwide nos Estados Unidos, França e Reino Unido que comprova que, durante o período de vacas magras o consumidor aumenta sua percepção de valor. Ou seja, quer mais qualidade pelo mesmo preço.
  • Segundo David Jones, Executivo-Chefe Global da Euro RSCG Worldwide, isso não significa que estamos diante de caçadores de barganhas. "Valor é muito mais complexo do que simplesmente preço".
  • Outra pesquisa, esta realizada apenas no Reino Unido, pela LinkShare em parceria com o Penn Schoen & Berland Associates, aponta que 92% dos consumidores confiam mais no resultado de suas buscas online do que nas informações dadas por vendedores. 81% deles fazem pesquisa na internet antes de comprar e 19% declararam que pretendem diminuir suas compras na rua para aumentar as realizadas na rede.
  • Uôu! Essas informações geram tantas reflexões que é difícil focar em uma só. Por hoje, sugiro uma tarefa de casa. Tente responder porque 92% dos consumidores (uma soma de respeito - a que se considerar) não confiam nas informações dadas por vendedores, ãhn?
  • Respostas nos comentários, plis!
* da agência Reuters/Paris, para o jornal Correio do Brasil. Resultados das pesquisas, do Portal Use Fashion.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Acrílico curvo

Todo o mundo perplexo com a crise mundial que começou nos Estados Unidos, mas não páro de ler notícias sobre marcas que escolheram a cidade de Nova York para abrir suas novas lojas. A bola da vez é Derek Lam que marcou o dia 6 de maio para inaugurar sua flagship no coração do Soho, bairro modernex da cidade.
E o projeto é a cara do bairro: uma loja inteiramente branca e transparente criada pelo renomado escritório de arquitetura japonês Sanaa. Os designers usaram e abusaram de paredes de acrílico para dividir os vários ambientes e expor a coleção de Derek.
O blog está de olho: tão logo consiga mais fotos da loja coloco aqui. Adoro loja bonita!
* vi no Portal One

quinta-feira, 19 de março de 2009

Loja em container: loja pop up, loja kamikaze, guerrilha store ou BOMBA!?

Se as tendências, os produtos e os clientes podem ir e vir, porque não as lojas? No varejo, onde quase tudo já foi criado - e amplamente copiado!, esta possibilidade não só é plausível como nem é mais novidade. Primeiro foi a estilista Rei Kawakubo, com sua Comme des Garçons, na Place Vêndome, em Paris. Depois o mundo todo. As mais famosas praças, nas maiores metrópoles, estacionamentos de universidades e até áreas rurais já foram cenário para as pop up store, ou lojas pop up (do termo pipoca - que rapidamente abre, estoura) uma tendência de varejo devidamente apresentada e disseminada pelo trendwatching.com, em 2004.
Este conceito de business de moda virou mania no exterior: japoneses e europeus, por exemplo, já se acostumaram com o lance. Funciona mais ou menos assim: uma marca (ou alguém) abre uma loja temporária, de preferência num lugar inusitado. O resultado é a criação de um hype relâmpago, bem no clima de "consuma antes que acabe!" .
Grandes varejistas costumam usar pop-up stores para gerar frisson ao lançarem novos produtos. Também são uma excelente maneira de "verificar o pulso" dos consumidores e o grau de fidelização à marca. Especialmente porque uma operação desta costuma custar bem menos que comerciais de televisão de grande abrangência (que dragam rios de dinheiro em produção e exibição). Afinal, uma pop up store reúne três dos mandamentos do novo varejo: vão de encontro ao cliente (e não o contarário, como nas lojas físicas); geram "experiência de compra" e "encantam" com a surpresa do inusitado do lugar , com o entretenimento programado (tipo música ao vivo, djs, premiações e o que mais se imaginar), mas especialmente, pela sensação de urgência que uma loja com prazo marcado para fechar incita. Quem de nós nunca se mobilizou com a faixa na vitrine anunciando - Últimos dias. Aproveite! Não à toa que marcas como Nike, Chanel, Puma, Target, Adidas, Uniqlo ou Illy já aderiram à ideia e vez ou outra recorrem ao esquema.
Grandiosidade - Vinte e quatro containeres de navio formam a Puma City, uma loja que também é um prédio de negócios e eventos e que está viajando ao redor do mundo com o navio Il Mostro durante a corrida 2008 Volvo Ocean Race, que começou na Espanha em outubro passado e deve terminar neste ano. O prédio viaja em navios de carga junto com os barcos da corrida e é montado e remontado diversas vezes, sempre que se inicia uma nova largada, em diferentes portos internacionais.
A POLÊMICA
Tudo isso para introduzir a polêmica que está gerando o abertura de uma loja na Av. Brasil (aqui em Balneário Camboriú) que quer funcionar dentro de um container. A Concept Store Container tem uma proposta diferente, segundo seu idealizador, André Krai, que diz ter optado por esse tipo de construção para enaltecer a consciência ecológica da marca- já que tudo que vai vender na loja é ecológico, sustentável e reciclado. "As araras, por exemplo, são feitas de corrimãos de ônibus", diz Krai, que possui outras lojas deste tipo em Gramado e Shangri-lá (RS).

O comerciante vem tentando desde novembro de 2008 liberação para operar a loja, mas seu pedido foi negado pela Prefeitura e pelo Conselho da Cidade por ferir a legislação municipal que rege os estabelecimentos comerciais. De acordo com o que li, o empreendimento não cumpre com o padrão mínimo de área exigida e não contempla lavabos para funcionários e clientes além de área para refeições dos empregados, como prevê a lei.

Além disso, especula-se que a iniciativa poderá estimular um boom de lojas em containers e a instalação de um camelédromo de containers. Como se não bastasse, toda a ação está misturada à denúncias de propina, advogados com envolvimento favorecido pelo resultado das últimas eleições para prefeito e advogados contratados com grau de parentesco e ligados aos vereadores da bancada da situação, na Câmara de Vereadores.

Enquanto isso, o container de André Krai permance fechado na Av. Brasil, no terreno onde antes ficava a casa do ex-prefeito Haroldo Schultz, ao lado da Panificadora Tuty's Pão.

  • É muito problema pra um só container, é ou não é? Melhor lacrar tudo e exportar essa confusão toda!
  • Além disso, pelo que percebi, o conceito de negócio não é o mesmo das lojas pop up, que tem prazo de validade e mobilidade. Ou seja, qual a graça de instalar a loja em um container se a idéia não é movê-la de um lugar para o outro? Deixar um container "encalhado" em uma avenida certamente não é muito auspicioso para nenhum tipo de comércio.
  • BOMBA! foi o nome dado à primeira pop up store brasileira. Durou exatos 100 dias, no Rio de Janeiro. Contava com um marcador sonoro de tempo, no estilo de uma bomba relógio. Virou sinônimo de loja pop up, asssim como loja kamikaze e guerrilha store.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Oscar Freire, a grande vitrine paulistana

Dois dos endereços mais badalados de São Paulo, a Rua Oscar Freire e o Shopping Iguatemi, ambos nos Jardins, zona sul, colocaram a cidade na lista das cidades com os aluguéis de lojas mais caros do mundo.
A capital paulista está em 32º lugar, mas pula para 9º lugar quando se considera apenas o Shopping Iguatemi, que cobra em média US$ 176 o metro quadrado de uma loja - pouco se comparado com o campeão da lista, a 5ª Avenida, em Nova York, onde o metro quadrado custa US$ 2.244. "O Iguatemi é um lugar consagrado", diz Milena Morales, gerente de pesquisa da Cushman&Wakefield, empresa responsável pelo levantamento.
Prova de que o público é exigente, a Rua Oscar Freire valorizou após a revitalização do espaço, que lhe conferiu ares de bulevar. Os fios elétricos foram soterrados, as calçadas alargadas, e surgiram bancos onde os freqüentadores - são 30 mil por dia - sentam para conversar e tomar sorvete. A mudança fez o preço da locação subir 33%. A partir daí, foram abertas cerca de 40 lojas de grifes nacionais e internacionais, segundo Rosângela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas da região.
Surgiram outros tipos de lojas, maiores e conceituais. A Havaianas abriu um espaço de 500 metros quadrados, assinado por Isay Weinfeld - arquiteto que projetou o hotel fasano, também nos Jardins. Entre as Ruas Melo Alves e da Consolação, o antigo prédio da Formatex, de 650 metros quadrados, foi alugado pela Le Lis Blanc, loja roupas femininas e decoração. Quem assina o projeto de decoração é o badalado arquiteto Sig Bergamin. A Adidas também abriu uma megaloja, com 700 metros quadrados - por uma luva de cerca de US$ 500 mil, estima-se.
A valorização da rua provocou uma supercorrida por pontos. Um dos mais disputados foi o da esquina com a Haddock Lobo. O endereço ficou dez anos vago. Christian Dior, Zara, Ralph Lauren e uma concessionária Peugeot tentaram alugar, mas desistiram. Três marcas se associaram para conseguir o ponto, Espaço Santa Helena, Cleusa Presentes e Suxxar.
"Não é só uma questão imobiliária. As grifes que foram para lá depois da revitalização trouxeram um novo padrão de lojas", diz Kathia Raucci , da consultoria imobiliária Saramandona. "Ali, tem loja de vidro belga. E o padrão de cliente que atrai agrega ainda mais valor ao ponto. Por isso, o preço das luvas chegam a R$ 1 milhão, muitas vezes".
* li no Comunidade de Moda, em 02/12/2008.