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sábado, 3 de outubro de 2009

Vestidas para vender ou para comprar?

Na foto acima, quem é cliente quem é vendedora?

No momento que acabei de escrever o post anterior, fui ler o suplemento Vitrine (leitura obigatória!), da Folha de São Paulo de sábado, 26/09. Não é que eles foram investigar o estilo das vendedoras da Oscar Freire? Olha só a chamada de capa (e alguns trechos do texto):

Quem consome faz pose, quem vende também. E todas são doentes por grifes.

"Do outro lado do balcão, as vendedoras precisam estar apresentáveis, com roupas da marca vendida pela loja. O que as deixa maravilhadas é a chance de ter de graça, ou pagando menos, aquilo que vendem por uma fortuna. É comum que se tornem mais viciadas em compras que suas perdulárias clientes.

"O problema é que os looks excessivos das vendedoras, nessas butiques de luxo, podem intimidar a consumidora potencial e fazê-la relutar a entrar na loja. "Se eu tiver saído de casa de chinelo e camiseta, só entro se tiver o dinheiro e a certeza de que vou comprar. Uma vez, entrei na Daslu e a vendedora me encaminhou direto para as promoções", diz a bailarina Rejane Cruz, 37. "Você se sente diminuída, é horrível."

"Muitas dessas meninas que trabalham em loja são arrogantes. Não sei se é inveja, mas parece que avaliam a gente antes de atender. Isso é péssimo para a marca", diz a arquiteta Alessandra Cavalcanti, 38. No provador da Dior, a relações-públicas Heloísa Bandeira, 20, dá "graças a Deus" de já ter entrado "em uma loja assim" fora do Brasil: "Quando você já esteve em uma Dior na Europa, ou numa Gucci, numa Prada, você desmistifica essa aura que envolve as grifes importadas aqui."

"Mal avaliada na Louis Vuitton do shopping Iguatemi, a estudante de direito Andréia Natel conta que saiu sem a bolsa que pretendia comprar. "Minha avó me deu R$ 2.500 no meu aniversário, especialmente para comprar a bolsa. Não sei se porque eu estava de jeans e havaianas, as vendedoras me deixaram num canto um tempão, até que fui embora".

A vendedora, de vestido laranja NK Store, é Melissa Radke. A loja é a NK Store, da Oscar Freire. (Na primeira foto, a moça lá atrás, de shorts e blazer cáqui também é vendedora)

* Este post foi programado para ser publicado no domingo, 27 de setembro. Quer dizer, mal programado. Como só voltei de viagem ontem, começo a organizar os textos a partir de agora...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amarelo

na fachada da nova loja Isabela Giobbi, em São Paulo;

no vestido (em contraste com o negro, vermelho e azul - Matisse?), Fórum da Oscar Freire;

no móvel expositor da Loja Maria Filó, em Recife.

O amarelo é a cor do ano 2009.

Desde 2000, a Pantone, autoridade global em cores e fornecedor de padrões profissionais de cores para a indústria do design, vem elegendo "uma cor do ano". Este ano, decidiram que é o amarelo, baseados em vários fatores da moda e também do design gráfico.

  • A cor amarela estimula a mente das pessoas e por isso é usado também para chamar a atenção (vide os semáforos e os táxis de Nova York, por exemplo).
  • "O amarelo simboliza o aspecto nutritivo e o calor do sol, propriedades que nos acalmam, enquanto seres humanos".
  • O amarelo é conhecido como a cor da alegria (lembram do Smile?) por remeter a mudanças políticas, otimismo e esperança.

sábado, 16 de maio de 2009

Vogue Day

Notícia fresquinha: a Condé Nast está preocupada com a crise no mercado de moda. Afinal, a poderosa editora das revistas Vogue também depende disso. Por isso mesmo, o presidente da Condé Nast, Jonathan Newhouse e a muito famosa diretora de Vogue América, Anna Wintour, resolveram criar um evento internacional, nos 22 países onde Vogue é editada, que durará só uma noite, mas vai dar o que falar.
Será no dia 10 de setembro, das 18h às 24h, nos principais circuitos de moda do mundo: as lojas ficarão abertas, e parte de toda a renda vendida irá para ONGs beneficentes. O anuncio oficial será feito em Nova York no dia 20 (deste mês).
No Brasil, Patricia Carta, editora da Vogue brasileira, já está à toda com a organização do evento, que será realizado apenas em São Paulo, em princípio na Daslu, no Shopping Iguatemi e no circuito Oscar Freire. Já conversou com Eliana Tranchesi, Carlinhos Jereissati (do Iguatemi) e Rosangela Lyra (da associação comercial da Oscar Freire), e todos gostaram da idéia. Ainda falta resolver algumas coisas, mas o evento não precisará de patrocinadores, o que facilita a história. Precisará, sim, do apoio da Prefeitura. O que já está sendo tratado. Tanto que o anúncio oficial em São Paulo será no dia 17 de junho, no SPFW, com a presença do prefeito Kassab.
Patricia reitera que o foco do evento é alavancar vendas, tirar o mercado da crise. Não é fazer promoção de liquidações! Por isso a data: setembro, quando as novas coleções estarão nas lojas do mundo todo. E o mais legal: as produtoras de Vogue colocarão etiquetas nos produtos que elas recomendarem.
  • Idéia boa pra copiar, hã? Que tal? Já pensou todos os lojistas da sua rua, shopping ou CDL de sua cidade organizados em um bom fusuê, com uma boa ação envolvida? Com direito à musica, pipoca, balões...
  • E as etiquetas de recomendação podem ser feitas por celebridades locais ou gente que trabalha com moda, tipo top cabeleileiros, modelos, fotógrafos, stylists, apresentadores de TV, pessoas que, reconhecidamente, entendem de moda e esbanjam estilo.
  • A Promenade Chandon da Oscar Freire (já leu?) tem o jeitão desse evento e é uma boa inspiração - eu adoro!

* li no Cesar Giobbi.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Frase

"Passo por aqui quase todo dia e a sensação é a de que a Oscar Freire virou um show-room. Não vejo ninguém sair das lojas com sacolas". Priscila Farias, advogada, na Folha de São Paulo deste domingo, 15/02.
  • Sem clientes, até o segurança da joalheria sorri amarelo.

"Não compro nada acima de R$5.000"

A Folha de São Paulo de hoje (domingo, 15/02) foi até a Oscar Freire verificar como anda o comércio de luxo em tempos de crise. Dividi a matéria em partes, que começo a apresentar a partir deste trecho, com a opinião de algumas clientes que são habitués da rua:
Debora Aguiar

A arquiteta Debora Aguiar, uma das estrelas da Casa Cor, é mulher que só gosta do bom e do melhor. Grife italiana, então, é com ela mesma. Gucci e Valentino desde sempre foram suas paixões. Em tempos de crise, o gosto pelas marcas continua o mesmo, mas o comportamento dela e de outras tantas consumidoras do mercado de luxo mudou."Em vez de comprar várias blusinhas, compro agora um bom blaser ou uma boa bota. Minha mudança é que menos é mais", diz Debora, que, de bolsa Prada na mão, óculos Tom Ford no rosto e relógio Cartier no braço, afirma: "adoro relógio com pulseira vistosa". E completa: "Estou cada vez mais firme no princípio de comprar coisas mais duradouras do que quantidade."

Rosangela Lyra

É o que também diz Rosângela Lyra, dona da loja da Dior no Brasil e presidente da Associação dos Lojistas da Oscar Freire (nota da blogueira: Rosangela é também sogra do jogador Kaká). "A gente está sentindo que o comportamento da consumidora mudou. Ela busca menos quantidade em prol de durabilidade e qualidade."

Às mulheres, a empresária Mirian Ofenhejm Gotfryd (sócia das lojas de cama, mesa e banho Blue Gardenia) dá o conselho de não comprar nada acima de R$ 5.000 - "e que seja algo superespecial, desejado há muitos anos." O máximo que gastou recentemente, "para usar no mínimo cinco anos", custou R$ 3.000. "Que foi uma peça da Vera Wang. Não deu para não comprar."

Essas liquidações com descontos de até 80% da Oscar Freire, Daslu e shopping Iguatemi Mirian e Debora dizem ver com desconfiança. "Morro de medo de entrar em qualquer liquidação pois acho que vou ser enganada. Algumas lojas vendem peças com defeito sem avisar os clientes. Só entro em lojas que conheço mesmo. E olha que adoro liquidação!", diz Mirian.

"Por aqui as promoções são minhocas, não abrangem tudo", afirma Debora, diante de um relógio de ouro e brilhantes de R$ 105 mil na vitrine da Cartier.

  • Adorei esta última frase! Só decidi deixar a do título para não descaracterizar o texto, original do jornal. E você, qual frase acha mais impactante? A de Mirian Gotfryd, do título, ou a da arquiteta Debora Aguiar, sobre as minhocas?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Portas abertas no feriado

Neste ano, diferentemente de 2008, diversos feriados bloquearão dias úteis - em algumas cidades serão 15 paradas comemorativas em dias de semana, incluindo os pontos facultativos.
Enquanto muitos trabalhadores comemoram o descanso extra, comerciantes enfrentam um dilema: dias parados significam faturamento menor, mas gastar com a abertura sem ter freguesia equivale a prejuízo.
Loja de rua é a que mais padece nos feriados
Movimentadas durante todo o dia, as lojas de rua sofrem com a falta de público consumidor em feriados. Já os estabelecimentos de shoppings beneficiam-se do afluxo de clientes da praça de alimentação, do cinema e das alamedas de serviços.
Mas nem sempre estes fatores alteram as vendas do lojista de rua, já que alguns setores são mais beneficiados pelas comemorações, como as empresas da cadeia produtiva de turismo, entretenimento e lazer.
Outro quesito é o perfil da freguesia. "Ganha quem entende e atende o cliente", resume Wlamir Bello, consultor de marketing do Sebrae-SP. Ele aconselha o empreendedor a desenvolver um sistema de informação que além do cadastro habitual, forneça histórico de vendas e o perfil dos clientes, permitindo enxergar as suas preferências, incluindo se querem ser atendidos durante feriados.
Uma terceira preocupação é o custo da operação. "O gasto com pessoal é o mais pesado, já que, às vezes, é preciso pagar o dobro ao funcionário, além de transporte e alimentação", aponta Miranda. Somam-se a isso os valores de energia, telefone e água.
Para quem opta por abrir as portas do estabelecimento, o sucesso do funcionamento em um feriado pode ser garantido com ações que atraiam clientes e proporcionem vendas.
Ações que atraem público
Aqui, o que manda é a criatividade. Temáticas ligadas ao feriado em si - sejam históricas, sejam religiosas - e comidas e decoração típicas tornam a ocasião especial. Promoções com descontos também atraem. Ana Vecchi, diretora da Vecchi&Ancona Estratégia e Gestão, sugere parcerias entre empresas. "Lojistas, fornecedores e prestadores de serviços devem se unir". Algumas sugestões da consultora:
  • A loja de roupas que vende tamanhos especiais pode organizar um happy hour em parceria com um disribuidor de café ou sucos e fazer acordo com uma agência para transportar os clientes da terceira idade.
  • A loja de tênis pode se associar a um pet shop e promover uma caminhada com cães e seus proprietários, orientada por um personal trainer. O passeio termina com um lanche saudável e um banho nos animais; empresas parceiras podem fornecer biscoitos caninos e xampus.
  • Atividades recreativas que envolvam crianças acabam por atrair pais que precisam encontrar uma distração para os pequenos nos dias em que escolas e creches não funcionam.

  • A Promenade-Chandon por exemplo, é um evento organizado pela Associação de Lojistas da Oscar Freire em parceria com a Chandon, todos os anos. Em 2007, a rua foi fechada, decorada com balões e transformada em uma passarela para os pedestres, com pipoca, shows de músicos, marionetes e caricaturistas. Em 2008, muitas celebridades foram convidadas e renderam várias aparições na imprensa. Tudo ao ar livre e aberto ao público. A entrada nas lojas, entretanto, é somente para clientes convidados previamente. Para estes, é servido champagne (Chandon, naturalmente), coktails e são oferecidos brindes e condições especiais de compra..
  • Quer saber mais sobre o Promenade-Chandon? Essa reportagem do Chic dá uma boa idéia.

* adaptado de matéria do Caderno de Negócios da Folha de São Paulo, de 08/02/09. Fotos Rg Vogue e Chandon.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Oscar Freire, a grande vitrine paulistana

Dois dos endereços mais badalados de São Paulo, a Rua Oscar Freire e o Shopping Iguatemi, ambos nos Jardins, zona sul, colocaram a cidade na lista das cidades com os aluguéis de lojas mais caros do mundo.
A capital paulista está em 32º lugar, mas pula para 9º lugar quando se considera apenas o Shopping Iguatemi, que cobra em média US$ 176 o metro quadrado de uma loja - pouco se comparado com o campeão da lista, a 5ª Avenida, em Nova York, onde o metro quadrado custa US$ 2.244. "O Iguatemi é um lugar consagrado", diz Milena Morales, gerente de pesquisa da Cushman&Wakefield, empresa responsável pelo levantamento.
Prova de que o público é exigente, a Rua Oscar Freire valorizou após a revitalização do espaço, que lhe conferiu ares de bulevar. Os fios elétricos foram soterrados, as calçadas alargadas, e surgiram bancos onde os freqüentadores - são 30 mil por dia - sentam para conversar e tomar sorvete. A mudança fez o preço da locação subir 33%. A partir daí, foram abertas cerca de 40 lojas de grifes nacionais e internacionais, segundo Rosângela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas da região.
Surgiram outros tipos de lojas, maiores e conceituais. A Havaianas abriu um espaço de 500 metros quadrados, assinado por Isay Weinfeld - arquiteto que projetou o hotel fasano, também nos Jardins. Entre as Ruas Melo Alves e da Consolação, o antigo prédio da Formatex, de 650 metros quadrados, foi alugado pela Le Lis Blanc, loja roupas femininas e decoração. Quem assina o projeto de decoração é o badalado arquiteto Sig Bergamin. A Adidas também abriu uma megaloja, com 700 metros quadrados - por uma luva de cerca de US$ 500 mil, estima-se.
A valorização da rua provocou uma supercorrida por pontos. Um dos mais disputados foi o da esquina com a Haddock Lobo. O endereço ficou dez anos vago. Christian Dior, Zara, Ralph Lauren e uma concessionária Peugeot tentaram alugar, mas desistiram. Três marcas se associaram para conseguir o ponto, Espaço Santa Helena, Cleusa Presentes e Suxxar.
"Não é só uma questão imobiliária. As grifes que foram para lá depois da revitalização trouxeram um novo padrão de lojas", diz Kathia Raucci , da consultoria imobiliária Saramandona. "Ali, tem loja de vidro belga. E o padrão de cliente que atrai agrega ainda mais valor ao ponto. Por isso, o preço das luvas chegam a R$ 1 milhão, muitas vezes".
* li no Comunidade de Moda, em 02/12/2008.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Crítica de Loja - Havaianas da Oscar Freire

O templo do chinelo

As Havaianas, todo mundo concorda, são um primor do design: fazem uso econômico do material, dão incrível segurança para andar, têm a elegância fatal da simplicidade e duram até muito depois de você se encher delas. O fato de ser possível encontrá-las em qualquer biboca do território nacional -no supermercado, na feira, na venda- não é menos charmoso. E que outra coisa tão bacana e usável, no mundo, custa R$ 7? Recém-aberta na Oscar Freire, a loja-conceito da Havaianas mostra que a combinação de fatores raros está longe de ser suficiente. Na trilha de um esforço de "branding", o templo à sandália se esmera em associá-la a tudo que é valor do mundo do consumo, como que para garantir ao frequentador, o motivo "certo" para achá-la chique. Tem a arquitetura de Isay Weinfeld, bonita que é um desperdício; o cubo de plasmas que exibe animações com a textura da sandália, uma boa ideia de resultado médio; e o perfume, ou melhor, "identidade olfativa", pelo qual tive de perguntar à vendedora. "Sai dali", ela disse, apontando o aromatizador sob a barraca de feira que é a peça central da loja, e, não por acaso, a coisa mais simpática lá. E tem o "contêiner" dos modelos exportação, que custam de R$ 40 (tiras transparentes ou cores metalizadas) a R$ 200 (com cristais Swarovski); o balcão de customização, onde você pode misturar tiras, solas, broches e brilho; e o display com fatos e fotos históricas, onde se descobre que as sandálias foram copiadas de um modelo japonês com tiras de tecido e que, em dado ano, "pessoas famosas" começaram a usar a marca. Como loja, o Espaço Havaianas tem seus achados: as bolsas, que começaram usando variantes das tiras do chinelo como alça, com resultados literalmente sofríveis, estão melhorando; a linha infantil Ipê, com desenhos de bichos brasileiros e frases que explicam quem são, é fofíssima; e há combinações clássicas que andavam sumidas, como branco com marrom ou azul-marinho, por R$ 8,90. Já entendi que as Havaianas podem ser caras, customizáveis e decadentes; mas continuo achando estas últimas as únicas realmente chiques.

* texto de Helena Linhares para a Folha de São Paulo de 31/01/09.

  • Mais sobre a nova loja Havainas (com fotos do interior)? Aqui.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Havaianas inaugura loja de 10 milhões de reais na Oscar Freire

Símbolo do Brasil aqui e no exterior, a marca de sandálias Havaianas inaugurou em janeiro de 2009 sua primeira loja-conceito no mundo, localizada na rua Oscar Freire, em São Paulo.
Batizada de Espaço Havaianas, a loja tem 300m2 e projeto arquitetônico de Isay Weinfeld (nota da blogueira: é dele também o projeto premiado da Clube Chocolate, na mesma Oscar Freire), conta com a linha completa de 350 chinelos, além de modelos exclusivos para exportação e a recém-lançada coleção de bolsas, toalhas, chaveiros, pins e meias.
Materiais que valorizam a cultura brasileira estão por todos os lados, e no teto, um mosaico de clarabóias que deixa a luz solar entrar no ambiente, tem aberturas nas laterais para que a água da chuva irrigue as palmeiras e pitangueiras que fazem parte da decoração. Os bancos, de tronco de madeira pequiá e o piso de pedra goiás tornam o ambiente bem despojado.
O lado high-tech da butique fica por conta de um cubo formado por 51 telas de 42 polegadas cada uma, no qual são exibidos vídeos e animações sobre as sandálias. "A ideia é interagir com o imaginário das pessoas", diz o curador das projeções Marcello Dantas, também diretor do Museu da Língua Portuguesa. O sistema de luz, som (há setenta caixas acústicas escondidas no jardim e nas prateleiras) e vídeo é acionado por uma rede de sessenta computadores.
Com 12 metros, a fachada horizontal integra a Oscar Freire a um platô que permite uma visão panorâmica do Espaço Havaianas, e ao descer a escadaria que dá acesso à loja, é possível visualizar ao fundo um paredão de sandálias em cores vibrantes.
No centro da loja, está o espaço “Barraca de Feira”, que homenageia a origem popular da marca, expondo os modelos mais tradicionais como se fossem frutas da estação.
Todos os modelos exclusivos para exportação são encontrados em um contêiner, como os utilizados nos navios cargueiros, e um espaço para customização é um dos mais atrativos.
Um cilindro exibe a coleção de bolsas Havaianas e uma árvore de ipê, reforça o compromisso da marca com o meio-ambiente. Neste local, as peças criadas em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) são expostas junto a uma árvore de Ipê e 7% da receita deste produto é destinado às pesquisas do instituto.
Por fim, as sandálias para os pequenos estão expostas em um display em formato de quebra-cabeça.
Um espaço "sensorial"
Entre os principais diferenciais do espaço, a possibilidade de ter a experiência sensorial de prazeres simples, como a sensação de brisa no rosto, a umidade da chuva ou ainda o desabrochar das flores presentes no “Espaço Havaianas”. Além disso, uma “identidade olfativa” foi desenvolvida pela Natura exclusivamente para a Havaianas, com o objetivo de traduzir em uma fragrância a simplicidade, o colorido e a alegria da marca.
Números
Não é de hoje que as Havaianas saíram dos canteiros de obra e foram parar nos pés de celebridades como Angelina Jolie, Brad Pitt, Britney Spears e Kate Hudson. Também não é novidade que a sandalinha de dedo com sola de borracha se transformou num ícone da moda pop e num dos produtos brasileiros mais globalizados: só em 2007 foram comercializados 171 milhões de pares, sendo 20 milhões para 65 países.
Detalhe: o modelo mais simples, vendido por 8,90 reais em supermercados brasileiros, custa 18 euros (54,70 reais) na Galeria Lafayette, em Paris.
Para recuperar os 10 milhões de reais investidos, a Alpargatas espera vender ali 6 000 pares de chinelos por mês, que custam entre 7,90 (modelo infantil da linha Top) e 250 reais (com tiras bordadas com cristais Swarovski).
O objetivo da Alpargatas, que lançou o chinelo em 1962, é estreitar laços junto a um público acostumado com exclusividades. E, claro, ser um ponto turístico para os que vêm visitar a via comercial mais elegante da cidade.
* texto e fotos extraídos da Revista Veja São Paulo, de 24/01/09.