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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Para mulheres com alma de criança

A Shoe Woo é a mais nova loja de calçados femininos de Nova Iorque (aberta em 1 de outubro, na esquina da 59th com Lexington).

Com o slogan "você vai se sentir como uma crinça em uma loja de doces", a Shoe Woo parece mesmo ter sidor planejada por um tipo "Willy Wonka do calçado". A promessa da boutique é a de que, ao entrar, toda mulher se sentirá em uma espécie de "divertida corrida para ser feliz".

O visual interno e a vitrine de estréia não contrariam a afirmação: confira o sapato gigante que emerge da parede roxa e os móveis, que parecem saídos de uma casinha de bonecas, pintados em tom verde lima.

A loja, que também tem filiais em Washington (DC) e Edison (Nova Jersey) buscou na paixão que a maioria das mulheres têm por sapatos a explicação pela estética do excesso, da fantasia e do sonho. Não dá para ficar imune à coluna no meio da loja - um turbilhão de sapatos, sandálias colados em espiral, com gesso e tinta branca. Como um aviso de que ali, o tornado de "O Mágico de Oz" foi congelado, para sempre (será que Dorothy nunca mais poderá voltar para casa?).

  • E a tendencinha de escrever frases na parede parece não ter fim.
  • Na Shoe Woo, a escolhida é atribuída a W. Shakspeare, o que não a torna melhor que as outras.
  • Ou, o quê "ela é linda e, portanto, merece ser cortejada" pode acrescentar de poesia ou informação às nossas vidas?
  • O melhor, para mim, está na vitrine: adorei a mistura de ilustração em preto e branco, recortes com o colorido do manequim. Perfeito!
  • E a saia da manequim, com sapatos na ponta (parecem os de plástico, da Melissa) é a melhor idéia de toda a loja!

* fotos do Racked New York.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

E tem quem saia a passear com seus sapatos...

É o que fez este manequim pink na vitrine da Printemps, Paris. Foto de Anne Corrons, dos Mes Vitrines, feita em 8 de outubro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amarelo

na fachada da nova loja Isabela Giobbi, em São Paulo;

no vestido (em contraste com o negro, vermelho e azul - Matisse?), Fórum da Oscar Freire;

no móvel expositor da Loja Maria Filó, em Recife.

O amarelo é a cor do ano 2009.

Desde 2000, a Pantone, autoridade global em cores e fornecedor de padrões profissionais de cores para a indústria do design, vem elegendo "uma cor do ano". Este ano, decidiram que é o amarelo, baseados em vários fatores da moda e também do design gráfico.

  • A cor amarela estimula a mente das pessoas e por isso é usado também para chamar a atenção (vide os semáforos e os táxis de Nova York, por exemplo).
  • "O amarelo simboliza o aspecto nutritivo e o calor do sol, propriedades que nos acalmam, enquanto seres humanos".
  • O amarelo é conhecido como a cor da alegria (lembram do Smile?) por remeter a mudanças políticas, otimismo e esperança.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vitrine errada

Bem rapidinho e já saindo de fininho:
  • Esse é um manequim de moda masculina ou de mala de viagem?

* vitrine do centro paulistano. Foto do site de Cesar Giobbi. Vê o texto: "O flagra de hoje cedo de uma vitrine na r. da Quitanda, mostra que o esforço em tornar os manequins cada vez mais semelhantes a um ser humano parece não ter limites. Se antes eles mais se assemelhavam aos antigos bonecos de crianças, desprovidos de sexo, agora, ganham genitálias. Algumas até realistas -ou seria otimista?"

domingo, 14 de junho de 2009

Apoio declarado

Mesmo sofrendo represálias e sendo um tema que ainda suscita muita polêmica (ou exatamente por este motivo), muitos fabricantes e lojistas de moda ao redor do mundo mostram-se simpáticos ao universo GLBT.

Alguns de forma sutil

Vitrine Ralph Lauren, Nova Iorque (2008)

ou escancaradamente

Campanha da italiana RA-RE, clicada por Oliviero Toscani

Na sua logomarca

Loja 2 Meninos (São Paulo), especializada neste nicho de mercado

Em apoio ao direito de constituírem família

porta de elevador da Loja Ikea, (Massachusets, EUA);

e em mais uma foto de Toscani para a italiana Ra-RE

Na vitrine

da pequena loja de Marc Jacobs no Soho, NY, 2008 - onde o modelo é o próprio Jacobs.

e na enorme Macy's da Herald Square (New York, 2007)

No catálogo

da grife carioca Alex Mallet

E no desfile

de Walério Araújo (divertido e transgressor, acima na foto), para a Casa de Criadores, (São Paulo, 2009)

  • Lembrando que, Oliviero Toscani é o autor das famosas (e polêmicas) campanhas da Benetton, dos anos 90. Como esta, de 1993, que mostra um homem agonizando de aids, ao lado da família e com a mão de outro homem oferecendo-lhe conforto.

sábado, 11 de abril de 2009

Enquanto isso, em Baln. Camboriú...

... Páscoa é tempo de coelhinhas!

(e viva o fim da quaresma!)

* foto feita no calçadão, sexta, 10/04, à noite - Loja Bikini e Cia.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Enquanto isso, em Baln. Camboriú...

Tudo bem que estamos em época de saldos, mas...
Liquidar é necessário, só que anunciar desta forma não ajuda muito: aqui houve confusão entre a rebaixa de preços com rebaixamento da comunicação.
  • O pior é que isso tão comum que poucos notam - a não ser o maridón, que tem olhar treinado. Fez a foto e me mostrou, à pouco. Obrigada, querido!

* foto Ray.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Enquanto isso, em Baln. Camboriú...

Yes, nós temos liquidação!
* vitrine interna, Lojas Marisa, Balneário Camboriú Shopping. Foto de 29/01/09.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Preconceito?Já foi!

Enquanto escrevia o post em homenagem a David Azulay (um monte de gente bacana se pronunciou, com mensagens de admiração e respeito - aqui e aqui), lembrei de ter lido que o cantor Toni Garrido, convidado de honra da Redley (no último Fashion Rio), criticou a assessoria da marca, organizadora do show, a respeito da ausência de negros na passarela. "Fiquei profundamente incomodado ao perceber que só estavam desfilando loiros e ruivos. Foi triste trazer a minha família aqui para assistir a um desfile no qual não tinha nenhum representante da minha raça. Gosto da marca e até uso, mas não quero fotografar aqui. Estou decepcionado com o que vi. Não quero que minhas filhas compartilhem desse tipo de moda excludente".

David Azulay era um cara simples, do povo. Mesmo produzindo a moda praia mais democrática que se viu, sempre ouvia reclamações de que as modelos escolhidas para os catálogos e desfiles eram muito diferentes da maioria de suas clientes.

Eu também já tratei do assunto aqui, ao reproduzir um texto da Danusa Leão que declara que a marca que alia seu nome à hipermagreza acaba por limitar seu público e alcance de vendas.

E como isso afeta as vendas? Ora, porque também vemos nas lojas vitrines e visual merchandising com as mesmas imagens e manequins expondo looks que excluem uma boa parcela de consumidores - não só os mais cheiinhos, mas os gays, os negros, os comprometidos (como se a função da moda fosse unicamente sexual) e, em especial, os mais velhos.

Velhinhos na moda

Mas, surgiu uma luz no fim do túnel. O estilista Ronaldo Fraga fez o mais impactante desfile da SPFW, ao colocar na passarela apenas mulheres e homens de mais de 65 anos, ao lado de criancinhas.

Inspirado no espetáculo "Giz", do criador de bonecos Alvaro Apocalypse, a coleção e o desfile foram bastante ambiciosos: buscaram relacionar as duas "pontas" da existência, "o início e o fim do traço do giz".

Quase simultaneamente ao desfile em São Paulo, mais velhinhos apareceram nas passarelas - agora na Europa. Na semana de moda masculina de Milão e de Paris, as grifes Etro (foto abaixo) e Yohji Yamamoto colocaram senhores de meia idade e idosos misturados com modelos jovens.

Simples coincidência? Talvez não. Pode ser que:

  1. A indústria da moda esteja, enfim, descobrindo um nicho de mercado que tende a crescer continuamente nas próximas décadas, o da chamada "terceira idade".
  2. Os estilistas, stylists e produtores da engrenagem da moda finalmente despertaram para outros parâmetros de apresenação das roupas e de desfiles - nos quais os idosos encontrariam finalmente o seu lugar.

No meu afã para que isso aconteça, pode ser que eu esteja sendo muito otimista. Mas percebo mais sinais de que "ditadura da juventude" deixou de ser tão impositiva e que o mundo anseia por um olhar mais autêntico - e verdadeiro - sobre as as fases da vida (com mais ou menos peso, mais ou menos cabelo, mais ou menos juventude). Acompanhe comigo:

A modelo Jerry Hall (ex de Mick Jagger) é a nova estrela da campanha Chanel. Jerry está com 52 anos.

A Pirelli publicou no seu calendário de 2007, foto com a fantástica Sophia Loren. Na época, estava com 72 anos.

Brad Pitt não autoriza mais a publicação de fotos suas onde utilizem os recursos de photoshop. De agora em diante, quem mexer na imagem dele vai sofrer proceso judicial (foto da capa da W Magazine, de fevereiro 2009)

Maddonna celebrou seus 50 anos em turnê mundial de seu mais recente trabalho, Stick and Sweet. Mostrou para o mundo inteiro que uma mulher de 50 anos pode tudo. E que tem muito poder.

* fotos do Última Moda; do flickr da Oficina de Estilo e do Petiscos

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Morre David Azulay - dono da Blue Man e criador do biquíni de lacinho

Fiquei muito triste ao saber do falecimento do empresário David Azulay, na madrugada de hoje, 10/02. Viver em uma cidade do litoral não me faz uma expert em moda praia, mas não dá para esconder o fascínio que sinto por quem cria moda em cima de duas peças de tecido tão minúsculas, como o biquíni. E a Blue Man sempre soube vender exatamente o que as pessoas querem usar. Em julho do ano passado, a revista TPM (com a estilista Adriana Barra na capa) dedicou 6 páginas a David Azulay. Impressionou-me sua profunda visão de mercado. Transcrevo abaixo alguns trechos da entrevista:

  • No início dos anos 70, o empresário David Azulay, dono da grife Blue Man, teve uma idéia genial. Ou melhor, roubou a idéia de um gênio. Mais precisamente de seu único irmão, Simão Azulay (criador da marca Yes Brazil), que dava seus primeiros passos como estilista. Os dois eram adolescentes quando Simão começou a criar suas primeiras peças. Certo dia, David se surpreendeu ao encontrar um biquíni jeans, novidade na época, entre as coisas do irmão. Decidiu vender a invenção para as lojas do bairro e voltou cheio de pedidos. “O Simão ficou louco quando soube”, lembra. O telefone do apartamento onde moravam começou a tocar. Do outro lado, clientes reclamavam. O biquíni não tinha elasticidade e, por isso, não passava pela perna das clientes. Sim, eles não se deram ao trabalho de fazer alguém provar o piloto. “Foi assim que decidi cortar dos lados e amarrar”, conta David. Nascia assim o biquíni de lacinho. O inventor da peça que por muitos anos fez a cabeça de 99 entre 100 mulheres nas praias brasileiras é hoje um dos empresários de moda mais bem-sucedidos do país. Sua grife tem 36 anos e figura, com a Salinas e a Cia. Marítima, no concorrido topo da moda praia brasileira, com 27 lojas espalhadas pelo país.

  • Além dos feitos comerciais, David chama a atenção por não se enquadrar em padrões. O estilista se considera, na verdade, um comerciante. Faz biquínis para mulheres de verdade e entende de homem, como poucos. Foi ele quem ressuscitou o sungão, peça esquecida nos anos 50. “Adoro ver os caras usando sunga da Blue Man. Outro dia olhei tanto para um homem que a esposa começou a gritar: ‘Sua bicha gorda, como pode ficar dando em cima do meu marido?’
  • Você, depois de 36 anos fazendo biquíni, pode ser considerado um especialista em mulher? Até sou, mas as mulheres de que eu gosto para desfile, por exemplo, são sempre as “erradas” [faz sinal de entre aspas com as mãos]. Eu não acerto em nada. Os stylists vivem escolhendo para os desfiles mulheres que eu nem acho que são a cara da Blue Man. E eu acabo aceitando porque faço o que eles mandam e só assino o cheque [risos]. Aí, quando vejo essas tais mulheres sem graça na passarela, elas ficam um arraso! O stylist, quando entra aqui, manda. Eu tento dar uma opinião, escolher uma mulher que tenha mais bunda, que seja mais normal, mas, enfim... Eles entendem disso melhor que eu.

  • E o que os stylists acham disso? Eles escolhem mulheres que ficam lindas na passarela. E as que eu escolho, sinceramente, ficariam muito bregas mesmo! Meus amigos, os caras da praia, quando me vêem, me dão cada dura... Dizem: “Pô, David, que merda essas mulheres magrelas que você coloca, hein?”. Não adianta, prefiro mesmo a mulher mais gostosa. Mas agora deixo eles fazerem o que querem. Homem que gosta de mulher de verdade não sabe escolher mulher modelo para a passarela!
  • E na moda praia, quem admira? Adoro a Lenny. Ela é chique e coerente com quem ela é. Faz roupa chique porque ela é uma mulher assim. Diferente de mim, que sou popular. Imagina se tento ser chique, ia ser uma piada. Olha para mim, vê se eu tenho cara de chique, porra [risos]!

  • Para quem trabalha com moda praia. Para quem ficou curioso. O link com toda a entrevista de David Azulay é este.