segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Posso trocar?"

A capa da Vejinha (Revista Veja São Paulo) de sábado, 22/08, traz um assunto pedregoso, tanto para consumidores quanto para varejistas: as trocas.
Com o título O desafio da Troca, a matéria relata a saga de dois repórteres em trinta lojas de grifes masculinas e femininas com a missão de comprar a peça mais barata da coleção atual em cada um dos estabelecimentos. No dia 8, um sábado, véspera do Dia dos Pais, voltaram para substituir o item por outro de tamanho maior. Para testar o comportamento dos vendedores, levaram-se em conta a cordialidade, a paciência e a clareza com que davam informações e o tempo de espera para ser atendido na venda e na troca foi cronometrado. Vale a pena conferir o que eles encontraram:
"Na última semana, as butiques da cidade começaram a abastecer suas araras com as novidades para o verão. Vão-se embora as blusas de lã e os casacos, entram os vestidinhos curtos de algodão e as camisetas. Uma tendência, no entanto, nunca sai de moda entre boa parte dos vendedores paulistanos: a cara amarrada quando eles percebem algum cliente com uma sacola de troca. Há quem só falte se esconder atrás do balcão. Nesse momento, em muitas lojas, toda a cordialidade - que muitas vezes resvala em uma intimidade forçada - desaparece como que por encanto. Em outras, porém, há atenção e profissionalismo.

Marcelo Tosoni e Gabriela Nassyrius, na Osklen do Cidade Jardim: mimos para agradar os clientes em qualquer ocasião

Entre as surpresas positivas estão os funcionários da Osklen do Shopping Cidade Jardim. Além de fazerem um workshop a cada temporada para saber detalhes sobre tecidos, estampas e inspiração do estilista, eles são orientados a oferecer cafezinho e água a qualquer cliente. Para os mais assíduos, servem espumante e bombons. "Considero a troca a principal etapa do meu trabalho", conta a paulistana Gabriela Nassyrius, vendedora da grife desde dezembro. "Nessa ocasião, consigo passar uma boa impressão da marca e, de quebra, oferecer alguma outra mercadoria." Ela sabe bem o que diz: foi eleita, na semana passada, a campeã de vendas entre os funcionários de todas as unidades do país.

Os rendimentos vinculados à comissão, variável de 2% a 3% sobre o preço da peça, são tidos como o principal motivo da cara fechada ostentada na hora da troca. Um cliente de sacola na mão indica que a visita, a priori, não trará ganhos extras.

Há poucas pesquisas que abordam o universo das trocas. A mais recente delas, realizada em fevereiro pelo Programa de Administração de Varejo, da Fundação Instituto de Administração, ouviu 500 paulistanos. Chegou à conclusão de que apenas 5% dos consumidores que compram algo para si voltam para trocar. Quando se trata de um presente, 20% dos entrevistados disseram tentar a substituição por outra mercadoria. Esse índice sobe para 30% em datas comemorativas, como Natal ou Dia das Mães. As mulheres são, de longe, as que mais lançam mão da prática: respondem por 70% de todas as devoluções do mercado.

Para agradar aos diferentes perfis, há uma tática certeira: seguir a máxima de que o cliente tem sempre razão. Nos Estados Unidos, tal princípio é levado ao extremo. O setor de comércio costuma aceitar devolução de produtos, muitas vezes em prazos indefinidos, e reembolsa o valor pago. Sem necessidade de alegar um motivo, basta dirigir-se ao caixa e pedir o dinheiro de volta no ato. Trata-se de uma concessão das empresas e não de um benefício garantido por lei. Por aqui, o reembolso só ocorre em caso de compra feita por internet ou telefone, em prazo de até sete dias após o recebimento da mercadoria.

"Aceito a devolução e assumo o prejuízo, pois não vendo mais o produto". Viviana Ximenes, da Vi and Co.:

Em lojas menores, normalmente se encontra maior flexibilidade. Dona da loja Vi and Co., no Itaim Bibi, Viviana Ximenes perdeu a conta de quantas blusinhas banhadas em perfume ou sujas de maquiagem - sinais claros de que o modelo foi usado - já trocou. "Se a pessoa retorna, é porque tem vontade de usar a marca. Pior seria se deixasse a roupa de escanteio." Seja qual for o motivo, é errado pensar que as lojas saem perdendo. "Quando o cliente se sente respeitado, assina uma espécie de pacto de fidelidade com a grife", afirma Nabil Sahyoun, presidente da Alshop."

  • O artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor garante às lojas o direito de trocar apenas produtos com defeito, como manchas ou costuras soltas.
  • Em caso de defeito, a loja tem o dever de fazer a troca em até noventa dias.
  • A troca por numeração, cor ou modelo não é obrigatória, e se houver, é determinada pelo próprio lojista.
  • A maior parte das lojas permite a troca na tentativa de fidelizar o cliente. Mas as condições de troca variam tanto que confundem o consumidor: algumas lojas têm prazos curtíssimos; outras permitem que o consumidor retorne depois de meses... Entretanto, todas concordam em um ponto: exigem a manutenção da etiqueta (o que, cá entre nós, não serve como garantia de coisa alguma!).
  • Deveria ser obrigação dos estabelecimentos informar o procedimento adotado, o que nem sempre ocorre. "Tal descuido é reflexo de mau treinamento", diz Maurício Morgado, do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getulio Vargas.
  • E você, concorda que deve ser permitida a troca, mesmo quando o consumidor já usou a peça e/ou sua atitude não está de acordo com a política de troca da loja? Você vê vantagens neste tipo de troca?

* Tudo da Veja São Paulo. Para ver a tabela de avaliação realizada com as trinta lojas, clique aqui.

Vestida para matar!

E para morrer!

  • A New Yorker é uma rede de lojas especializada em jeanswear, fundada em 1971, na Alemanha (Flensburg), com 708 lojas por toda a Europa e 13.500 funcionários.
  • Seus comerciais para TV costumam ser ousados, e cheios de referências fetichistas e de humor negro.
  • Abaixo, mais dois exemplos ácidos de seus spots:

  • No estilo "falem mal, mas falem de mim!"

domingo, 19 de julho de 2009

De volta

Primeiro foi todo o arquivo de imagens que sumiu. Fotos de família, material de pesquisa do blog, imagens para meus cursos de treinamento em vendas, curiosidades amealhadas há quatro anos - foi tudo parar no buraco negro dos bits e bytes.

Depois foi a minha assessora para assuntos de primeira necessidade que me abandonou. Juntaram-se a isso mais um zil de coisas que costumam andar aos pares. Confesso: tive vontade de arrumar as malas e viajar para o mesmo lugar para onde foram todas as imagens do meu desktop...

É que a vida imita o varejo: tem dias que tudo acontece à perfeição, o movimento é incrível, gente entrando e saindo o tempo todo, assim como a satisfação, os lucros e o ânimo dos vendedores. Mas também tem aqueles períodos em que a loja, mesmo aberta, fica deserta, não aparece ninguém, nem para perguntar onde fica a padaria. O tempo fecha, ameaça relampejar e o vento frio que começa a soprar bagunça até as idéias...

Então faz assim: faz de conta que você está de férias pelo interior da Espanha (ou Uruguay, México, Itália, Argentina) e esqueceu completamente que o comércio fecha para a "siesta" - mas, "suerte", o tempo correu a seu favor e já já vai abrir!

É isso: a partir de amanhã, reabro a lojinha - cheia de esperança e torcendo pros clientes aparecerem. Obrigada pelas visitas!

  • É como minha mãe disse outro dia: "- Desânimo é um termo que eu desconheço... Pelo que ouvi falar, a concorrência comprou todos os dicionários onde ele está... "

* fotos do flickr

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tênis da Nike pode virar personagem de desenho animado

Sigg Jones é o nome de um curta animado feito sem grandes pretensoões por três estudantes franceses, mas com resultado tão bom que tem chances de se tornar um filme de longa duração. A paixão dos estudantes pelos sneakers (tênis com apelo vintage) foi transferida para os pés das personagens 3D: um lutador, Sigg Jones e seu agente. O tênis Nike encantado surgiu a partir dos gostos pessoais dos estudantes, que misturaram o formato do modelo Dunk com a sola e as tiras de velcro do Air Trainer, os cadarços do Jordan e o sinal “+” para simbolizar a parte positiva de Sigg. Batizado de "Magic Dunk", o tênis do agente ganha superpoderes para livrá-lo da fúria do lutador, após a ingestão de um energético "turbinado".
Apesar do jeitão de "merchan" os jovens franceses esclarecem que não se trata de propaganda. Fizeram questão até mesmo de compor o figurino com outras marcas que admiram: tênis Puma, bermuda Adidas e luvas Reebok compõem o look de Sigg Jones, enquanto o agente veste um blazer Paul Smith e o tênis Nike. Segundo Astro, um dos criadores, o foco exagerado nos calçados das personagens é uma forma de criticar a importância desnecessária que se dá às labels e que a obsessão pelos acessórios pode transformar-se, facilmente em fanatismo. O filme é ainda repleto de referências às cenas de combate do filme Matrix e a movimentos de jogos.

Os meninos aqui de casa ficaram "ligadões"!

* vi tudo no Portal Use Fashion

quarta-feira, 1 de julho de 2009

E quando o chulé invade a loja?

Pffff... está sentindo um cheirinho desagradável no ar? Bem no meio da loja, aquele par de tênis que o seu cliente acabou de tirar (pela primeira vez, após 90 dias de uso ininterrupto), é o culpado.
E agora? Como fazer com que as pessoas se dêem conta do tanto de nojeira que "mora" dentro de cada pé de tênis? Na Alemanha, lojistas que vendem calçados, tênis e material esportivo receberam do laboratório Novartis, fabricante do Lamisil, grandes caixas de acrílico expondo pares de tênis totalmente cobertos por fungos (de mentira) com uma mensagem de quarentena. A intenção era chocar as pessoas e passar a mensagem de que usando o creme da Novartis, a propagação de fungos é interrompida.

Lamisil é um produto indicado para o tratamento de doenças nos pés causadas por fungos (como frieiras, "pé-de-atleta" e o famigerado chulé, que tem o nome científico de bromidrose plantar). O material de PDV (ponto de venda) foi criado pela agência Saatchi & Saatchi da Alemanha.
  • Achei muito criativo, simpático, chamativo e... nojento! Torço para que dê resultados. Afinal, a dieta alemã de carne de porco, batatas e chucrute deve produzir um chulé... do Cão!
  • Além do material de PDV, foi desenvolvido um material impresso que "conversa" mesmo com o público alvo da campanha: jovens e adolescentes.

Eeeeeeecaaaaaa!

  • Sempre que algum cliente me pede dicas para eliminar o chulé, sugiro escalda-pés com vinagre (acido acético é um dos melhores fungicidas naturais que existem). E é um produto barato e acessível. Um litro de vinagre de álcool custa menos que R$1 e dá para muitas aplicações (a medida é um terço de vinagre e o restante de água morna, por pelo menos 15 min. Depois é só secar bem, especialmente entre os dedos e nas reentrâncias das unhas).
  • Aliás, manter os pés sequinhos é a grande sacada: aproveite para oferecer meias com grande porcentagem de algodão e um pouco mais grossas (que é para absorver bem o suor dos pés). Os bons fabricantes de meias sempre tem em suas coleções modelos assim (especiais para corridas de longa distância ou trekking).
  • E tem também as meias com propriedades antibactericidas e antifuncidas, feitas com microfibras que "transportam" a umidade do pé para fora. Tudo para exterminar com o maldito chulé carambolé...
  • Tem coisa mais indesejável que mau cheiro, hein?!

* vi no Update or Die. Para saber mais sobre o assunto e oferecer outras dicas para seus clientes, essa matéria do Jornal Zero Hora está supimpa: clara, resumida e completa.

Você viu? Glória Kalil no Roda Viva, da TV Cultura

Gloria Kalil foi a entrevistada da semana (29/06) no tradicional Roda Viva, da TV Cultura. Sob o comando do jornalista Heródoto Barbeiro, a sabatina foi tocada pela economista Lidia Goldenstein, a pesquisadora de moda Cristiane Mesquita, o escritor Paulo Lins e Eliane Trindade, editora da Revista da Folha.

Durante 1h30, Gloria esclareceu dúvidas sobre os mais diversos assuntos. Falou de tudo: dos paletós do Congresso Nacional e Michelle Obama à questão de publicidade da roupa infantil, passando pelas duas semanas de moda brasileiras. Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus foi o mais provocador. Perguntou sobre as cotas de negros, a mania da chapinha e as diferenças no guarda-roupa entre as cidades. Mas o ponto alto do Roda Viva foi a aula sobre mercado interno da moda: "Tem que vender com bom preço ou a indústria brasileira não vai crescer," disse Gloria em um dos momentos.

Em outro, respondendo a uma pergunta da Eliane sobre o alto preço dos estilistas do país, polemizou: "Moda de grife não é nada, são poucas marcas que têm um investimento tremendo. Grife é cara mesmo. O que falta aqui, e que é bom nos outros países, é a moda para a classe média, que ficou prejudicada. Não existe essa faixa de preço no Brasil".

Corre para assistir no site do Roda Viva os melhores momentos, ouvir o programa na íntegra e conferir as excelentes charges do Paulo Caruso. Imperdível!
  • Atenção para o momento em que Gloria "alfineta" os empresários de moda, em resposta à discussão iniciada por Lidia Goldenstein: "Os políticos não se interessam pelo setor, afinal os empresários só choram por causa do imposto. Tem que se juntar, fazer um plano e deixar claro suas reivindicações".

Chic!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Certos clientes é melhor nem ter!

  • Há certos clientes, especialmente os pechinchadores, que só fazem gastar nosso tempo e paciência - que bem poderiam ser dedicados a clientes mais saudáveis.
  • Há os que nos tratam como mero fornecedor. Não valorizam o que temos a oferecer, substimam nossa inteligência e não têm o mínimo apreço e consideração pelo humano em nós.
  • Qual a razão de atrairmos clientes cujo custo de transação é maior que o benefício gerado?
  • Não é só o cliente que pode escolher de quem comprar. O bom vendedor é aquele que seleciona seus clientes e dá o melhor de si para os eleitos.

* notas do livro de bolso Superdicas para Conquistar Clientes e para fazer um atendimento 5 estrelas, de César Souza, Editora Saraiva (R$7,60 na Saraiva - uma ótima sugestão para presentear vendedores, representantes, gerentes...). O vídeo tirei do Update or Die. Pensou que eu tinha recebido de algum fornecedor?