segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Área infantil em espaços comerciais estimula o consumo adulto

"Tem criança que pede para os pais virem aqui só por causa do "brinquedão'", conta Anselmo Neves, sócio-proprietário do restaurante Bacalhoeiro, de São Paulo. O "brinquedão" faz parte de uma área reservada para as crianças, com atividades e monitores, e é uma iniciativa crescente entre os empresários, a de oferecer espaços exclusivos para crianças e, assim, atrair e fidelizar clientes adultos.

Segundo Sérgio Santos, consultor empresarial e professor de marketing da pós-graduação da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), a tendência está ligada a um fenômeno social: hoje, os adultos têm cada vez menos tempo para ficar com os filhos. Logo, o estabelecimento que unir adultos e crianças sairá na frente. "O diferencial será proporcionar à clientela fazer duas coisas ao mesmo tempo - estar com o filho e cortar o cabelo, por exemplo", diz Santos.

A criança é um "agente propulsor de consumo"- entretida faz com que a família permaneça por mais tempo no estabelecimento, ressalta Claudio Felisoni de Angelo, presidente do conselho do Provar-FIA (Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração). Assim, 57% das mulheres e 45% dos homens gastam mais quando levam filhos ao supermercado, segundo levantamento realizado no ano passado pelo Provar-FIA em parceria com a Felisoni Consultores Associados. Segundo Angelo, esse resultado também é válido para outros tipos de comércio.

Incluir esse tipo de serviço é fundamental para que os pais possam consumir sossegados enquanto alguém olha os filhos. "A criança de hoje também influencia na decisão de compra e na escolha do programa do casal", acrescenta.

Espaço para criança deve respeitar norma de segurança e ter monitor

Quem pensa em investir nesses espaços não pode esquecer as medidas de segurança. A NBR 14.350, norma de segurança para playgrounds da Associação Brasileira de Normas Técnicas, prescreve o uso de pisos emborrachados amortecedores, alerta José Gilberto Gaspar, proprietário da Instrutoy, de fornecimento e instalação de brinquedos. Maria Angela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, ressalta que a molecada não deve ficar sozinha - "não se pode fazer do espaço um depósito de crianças. É importante ter monitores não só para cuidar dos pequenos mas principalmente para interagir com eles", destaca.

Distrações vão desde livros até espaço planejado por arquitetos

É possível agradar à criançada com itens simples ou mais audaciosos - depende de quanto se quer e pode investir. Enquanto livros são baratos, um brinquedo múltiplo com escorregador, por exemplo, pode custar até R$ 20 mil.

O restaurante Bacalhoeiro, por exemplo, teve o espaço infantil planejado e equipado por um arquiteto e uma empresa especializada. O local possui brinquedos, fliperama, televisão, cercado acolchoado para bebês e monitoras."Os pais querem sossego durante a refeição e criança não fica quieta na mesa por mais de dez minutos", diz o sócio-proprietário Anselmo Neves.

Para distrair a garotada enquanto os pais tomam café, Marisol Vieitez, dona da cafeteria paulistana Nicecup Café, tem livros, gibis para colorir e gizes. Ela orienta os garçons a dar o material às crianças depois que terminam de comer."Alguns pais falam que aqui é o único lugar que eles frequentam que não é voltado especificamente para crianças", conta Vieitez. Para os clientes mirins, há mesas baixas e pratos e xícaras pequenos, além de porções menores no cardápio.

  • A matéria da Folha de São Paulo ouviu proprietários de restaurantes e cafés, mas o assunto aplica-se para lojas de todo o tipo.

  • Quem é mãe/pai sabe que é mesmo um sossego fazer compras com a certeza que as crianças estão seguras e se divertindo em um espaço criado e pensado especificamente para elas.
  • E as crianças adoram espaços com cadeiras, espelho e provadores com sua altura e com os quais se identifiquem - coloridos, lúdicos e confortáveis!

* texto e foto 1, Folha de São Paulo. Fotos 2,3 e 4 mostram a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista,SP. As duas últimas imagens mostram a livraria Kids, de Beijing, China. Clique aqui para ver mais fotos - dá vontade de morar lá!

Uma fantástica Fábula

A grife carioca Farm tem uma irmã caçula, A Fábula, com três lojas (duas no Rio de Janeiro, nos Shopping Rio Design Barra e Rio Design Leblon e uma em São Paulo, no Shopping Market Place).

E o que há nas "páginas" da Fábula? Ela é despojada, lúdica, colorida e orgulhosamente brasileira.

Por todo o lado, nos móveis , nas araras e nas paredes, animais da fauna da mata atântica estão presentes, compondo a atmosfera criada pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum que conseguiu reunir o melhor da proposta - criar um mundo de fantasias, tornar um sonho em realidade.

Com araras-tamanduás para expôr as roupas, baldes-macacos cheios de acessórios, carrinhos-onças e carrinhos-jacarés pra lá e pra cá, mesas-árvores, cabides-cobras e cabides-borboletas, as lojas também contam com um espaço com livros e um pequeno palco para contar histórias. Em uma das paredes, lê-se uma frase do livro "Quase de verdade", de Clarice Lispector: "Só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu. O que vou contar também parece coisa de gente, embora se passe no reino em que bichos falam."

Tamanduás com roupas penduradas no nariz, móbiles de morceguinhos e ursos revestidos de chita fazem parte do universo da Fábula

A Fábula apresenta um conceito de produtos com foco totalmente nas consumidoras mirins (a grife é direcionada para meninas entre 1 e 10 anos), criando uma experiência de consumo divertida e mágica. Todas as suas peças exibem estampas exclusivas, além de um design único, assinada pela estilista, e também uma das sócias, Kátia Barros.

Provadores-tenda e o interior, com móbiles no teto

A empresa CO.R Inovação,
especialista no reposicionamento de marcas no mercado treinou a equipe de vendas para que as atendentes não sejam meras vendedoras, mas também contadoras de histórias: todas as vendedoras têm formação em música e artes cênicas, para oferecer às mães e às crianças um atendimento lúdico diferenciado.

  • Moda para gente pequena com conceito de gente grande.

  • O site da marca vale a visita - considero um dos melhores sites de moda que já vi, apesar de preferir a primeira versão - a página foi recentemente reformulada.
  • Prestem atenção na seleção musical que apresenta o melhor da música brasileira em é super democrática: agrada crianças e adultos!

O vendedor de paçoca

"Largo do Machado, Rio de Janeiro, faz muito pouco tempo.

Um rapaz está andando com a namorada quando é interrompido por um vendedor oferecendo paçoca.

- Não, cara. Valeu.

- Esse foi o NÃO mais simpático que ouvi. Deixa eu te oferecer uma paçoca por minha conta.

- Não precisa.

- Agora você vai ter que aceitar, senão retiro o que disse, você terá sido grosso e de nada valeu sua simpatia.

- Ok, aceito. Toma aí 2 reais.

- Não quero. E quer saber? Sua namorada é simpática, tó aqui duas pra ela, de graça.

- Cara, você ta me deixando em uma situação complicada. Aceita esses 5 reais.

- De forma alguma. Se quiser te dou um abraço e só.

O rapaz não tem tempo de se esquivar. Abraço recebido:

- Seguinte, tu quer me ajudar mermo? Se quiser, na moral, eu aceito que você compre uma caixa de polenguinho pra mim vendê. Dá pra tirar mais com polenguinho do que com essas paçocas. Tá vendo essa loja aqui na frente? Compra uma caixa e me traz, assim tu vai me ajudar com meu novo empreendimento, os polenguinho.

- Quanto é a caixa?

- É 20 real.

Então toma aqui 20 prata, velho. Você merece."

  • Moral da história: o rapaz comprou 3 paçocas por R$ 20,00.
  • No Rio você pode comprar 10 por R$ 1,00. Ou seja, cada paçoca custa R$ 0,10.
  • Qual foi a margem dele? pfff..melhor nem fazer as contas (que inveja!)
  • O que importa é: o moço não comprou paçocas, foi Venture Capital de um vendedor audacioso.
  • Quantos assim a gente vê por aí?

* esse post é todinho do Tie Lima. Eu roubei, eu sei. Podia estar trabalhando, criando, levando este blog nas unhas dos dedos... mas não, prefiro deixar o trabalho pesado para quem é mais competente.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Comércio poderá cobrar mais na venda por cartão

O governo vai revogar portaria do Ministério da Fazenda que proíbe a diferenciação de preços nas compras com cartão de crédito ou em dinheiro. A medida faz parte do pacote em estudo no governo para aumentar a concorrência na indústria de cartões.

Segundo apurou o jornal Folha de São Paulo (em 3/10/09), a revogação deve ser adotada antes mesmo de os ministros da Fazenda e da Justiça e o Banco Central acertarem as mudanças que serão baixadas para o setor, classificado pelo governo como "terra de ninguém".

A medida é polêmica e divide os órgãos de defesa do consumidor. O receio é que a revogação da portaria leve a um aumento de preços nas compras com cartão. Quem defende a revogação aposta noutro cenário: redução nos preços à vista e consequente pressão dos lojistas para redução nas taxas cobradas pelas administradoras de cartão.

Para contornar essas divergências, o governo Lula iniciará um trabalho de convencimento dos diversos órgãos regionais de defesa do consumidor para que não haja orientações opostas sobre compras com cartões.

Governo revogará veto à diferenciação de preço segundo forma de pagamento; intenção é baixar custo do uso do cartão

A medida faz parte das mudanças para o setor, que podem incluir quebra de monopólio e terminais eletrônicos compartilhados, além de aumentar a concorrência na indústria de cartões.

Segundo levantamento feito pelo governo, os órgãos de defesa do consumidor do Norte e do Nordeste são os mais resistentes à mudança, reivindicada pelo comércio. Em vários estabelecimentos pelo país, os lojistas já praticam preços diferenciados, com desconto para pagamento em dinheiro. A portaria a ser revogada, de número 118/1994, editada pela Fazenda, diz que "não poderá haver diferença de preços entre transações efetuadas com o uso de cartão de crédito e as que são em cheque e dinheiro".

Assim que a decisão for tomada, o Ministério da Justiça revogará também nota número 103, de 2004, do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, que considera "abusiva" a cobrança de valores diferenciados para o consumidor que opta pelo pagamento em cartão de crédito.O governo mudou de posição por considerar que o contexto econômico é outro. Antes, os comerciantes costumavam cobrar mais caro no cartão para compensar os efeitos inflacionários, já que havia demora no recebimento do dinheiro aos lojistas pelas administradoras de cartão de crédito. Agora, na avaliação de técnicos, essa distorção já não existe mais, com a estabilização da economia. Além disso, o governo busca aumentar a concorrência na indústria de cartão e acredita que essa medida pode estimular a disputa pelo mercado de crédito.

O governo considera que, apesar da revogação da portaria, ainda será necessário assegurar a diferenciação por lei para garantir segurança jurídica. Há interpretações de que o Código de Defesa do Consumidor impede valores diferenciados segundo forma de pagamento.

Outras mudanças

Apesar da falta de consenso no governo em relação às novas regras para o setor de cartões, as áreas técnicas do Banco Central e dos ministérios da Justiça e Fazenda apresentaram cinco propostas de mudanças. Entre elas, segundo nota do BC, estão a quebra do monopólio no credenciamento dos comerciantes, a unificação de sistemas e o estímulo ao compartilhamento dos terminais eletrônicos.

A versão final do estudo, segundo o BC, deve ser publicada nos próximos dias. Ainda não há prazo para a implementação das medidas.

* tudo da Folha de São Paulo, de sábado, 3 de outubro de 2009. Clique aqui para saber o que já foi publicado sobre o assunto.

Cuidado: criança na loja!

Mãe, quero ir embora!

Agoragoragoragora

Dá pra parar de fazer hora?

Agoragoragoragora

Mais outro pouquinho?

Não enrola!

Agoragoragoragora

Já vai, já vai...

É sempre a mesma história!

Agoragoragoragora

Então vou esperar lá fora

Agoragoragoragora

E para de dizer não amola!

Agoragoragoragora

  • Conhece algum pai ou mãe que já não tenham passado por isso?
  • Ou algum vendedor que não tenha presenciado esta cena?
  • Este post foi inspirado por meu filho, que detesta me acompanhar nas compras - a não ser que a loja tenha playground, TV (ligada no canal de desenhos) ou espaço para diversão.
  • E, de preferência, sem funcionários em desespero clamando: "Não mexa nisso!"
  • Caso contrário...é um convite ao crime!
* Poeminha de autoria de Silvana Tavano. Imagem do visualize.us

Precoces

Suri Cruise, pelas ruas de Boston. Só no saltinho...

Noa Leijdesdorff (14) e Lev Livnev (13). Noa é editora chefe do blog Brains + Beauty. Lev é o fotógrafo (na semana de moda de Londres, SS 2009).

Garoto asssiste a desfile de Gareth Pugh, na Semana de Moda de Paris (setembro, 2009). Reparou na sacolinha de compras?

Tavi, a americana do interior de Chicago, tem apenas 13 anos, mas escreve e fotografa todo o conteúdo do seu blog, o Style Rookie. Já foi capa de revista e tema de muitas matérias. É considererada o fenômeno 2009 da moda mundial.

  • "A publicidade é o maior ataque ao mundo mental da criança, porque ela não tem capacidade crítica para rejeitar a ideia de que sua identidade está vinculada aos objetos que possui" Ana Olmos, psicanalista infantil (na Folha de São Paulo de 06/06/09)

* crédito das imagens, por ordem de aparição: Petiscos; Vanessa Jackman; Ana Clara Garmendia; A Crítica. Para saber mais sobre a força da publicidade na infância, releia o que já foi publicado aqui.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Tudo o que você precisa vestir..."

Fuçando em um site de publicidade (o Updateordie, fonte de novidades frescas e "da hora") encontrei estas fotos que me encheram de boas idéias...

Recentemente foi lançada uma "ação de guerrilha" (que vem a ser uma campanha arrojada de marketing) para divulgar o perfume Christina Aguillera em Israel. O perfume já havia sido lançado oficialmente nos Estados Unidos em meados de 2007, mas só agora chegou em Israel. Como despertar o desejo por um produto (aparentemente) datado?

Que delícia de surpresa... quem não gosta de perfume?

Baseado no slogan "sometimes it’s all you need to wear..." (às vezes, é tudo que você precisa vestir...), os publicitários responsáveis pela campanha criaram uma campanha de sensibilização original. Espalharam 150.000 cabides acompanhados com uma amostra do perfume, pendurando-os em diversos locais públicos e estratégicos pelo país.

Os cabides, por toda a ciclovia, nas árvores e no detalhe

Resultado: o sucesso foi tanto que o perfume esgotou em apenas 3 dias após o seu lançamento oficial, alcançando mais de 1.500.000 de consumidores! Não só, a ação ganhou destaque nos principais jornais, mídias online e TV de Israel. No vídeo dá para ver bem o alcance e o sucesso retumbante da campanha:

  • Gostei da ação porque inspira uma boa campanha para perfumarias, lojas de lingerie, de bijoux ou joalherias.

  • E também uma vitrine poderosa.
  • Pensa comigo: imagine uma joalheria expondo em sua vitrine um poderoso colar ou par de brincos em um cabide (charmoso) e uma etiqueta, com a frase "às vezes, é tudo o que você precisa vestir..."
  • Uau! Eu gosto deste conceito...
  • E fica bem power com lingerie, também. Um belo sutiã ou só as ligas, o cabide e a frase (parecidinha com aquela atribuída à Marilyn Monroe - "para dormir, só uso três gotas do Chanel Nº5", mas tudo bem - boas frases são eternas).

  • Interessante reparar que vidro e a embalagem do perfume acompanham a imagem da cantora: pin-up, retrô, sexy e chic.
  • E se liga na tendência: o bege cor de pele (nude), as transparências e as rendas estão no auge neste verão, mas continuam fortes até o verão 2010/11, como mostraram os últimos desfiles de Londres, Paris e Milão (neste final de setembro e começo de outubro).

Desfile Dior, spring/summer 2010, Paris (4/10/09)

* para entender como funcionou a campanha, tem que assistir o vídeo. Para saber mais, as inúmeras fotos do flickr vão te dar uma boa idéia. As fotos do desfile Dior também saíram do flickr.