sexta-feira, 26 de junho de 2009

Maratona Fashion - Les Soldes à Paris

Começou na semana passada a mais disputada maratona fashion de Paris.... Não, não estou falando de alguma fashion week. Falo da "corrida" aos soldes (saldos)!

É preciso preparo físico para enfrentar esta "competição". Lojas que, nos últimos meses estavam calmas e com vendas morosas, sentiram-se como em época de Natal (natais anteriores a 2008, que fique bem claro!).

O Soldes é um assunto tão sério para os franceses (afinal, são YSL, Hermés, Chanel, Balmain, valentino, Rykiel - tudo! - com até 80% de descontos) que ninguém perde tempo: dias antes do início das promoções as lojas são vasculhadas, roupas experimentadas e listas de compras são escritas com requintes de detalhes, com até mesmo a referência do ítem desejado.

E não só, o Soldes faz parte de uma estratégia bem planejada do governo francês, regida por leis severas e com critérios preestabelecidos. (Eu morro de inveja... vê só:)
  1. Datas fixas (decreto artigo L. 310-7) e duração somente de 5 semanas
  2. A publicidade sobre soldes só é permitida durante as semanas de promoção (e uma semana antes)
  3. Os preços antigos devem constar, junto ao valor de redução de -30%,- 40%, -50%, -70% e assim por diante.
  4. Os soldes são divididos em "demarcas": a primeira, com duração de 2/3 semanas; logo entra a segunda demarca, onde os preços baixam ainda mais e finalmente a última, onde as peças podem ter até 90% de redução! Para quem tem sorte e consegue a peça de sonhos na última demarca, é como fazer um gol de decisão na copa do mundo... Conheço quem tenha comprado vestidos Valentino a 100 euros!
  5. Peças fora de soldes devem ser sinalizadas como "nova coleção" e só se deram entrada no estoque da loja uma semana antes do soldes oficiais.
  6. A palavra SOLDES só tem autorização de uso nos casos acima.
  7. Promoções podem ser feitas fora do calendário oficial, mas passam por regras bem restritas. Não se pode decidir baixar o preço por conta própria.
  8. O controle é feito semanalmente e as multas são altíssimas para quem tenta dar um "jeitinho"...

  • Vai daí que se entende porque que as francesas são tão magras (as danadas!): é preciso estar em plena forma para os Soldes!
  • Interessou? Os soldes de inverno começaram em 24 de junho e vão até 28 de julho...
  • Já eu... como escrevi antes (e falo sempre que deixam) não quero morrer sem antes ver, aqui, no comércio de minha cidade, semanas de liquidação como as européias, organizadas, preestabelecidas e regidas por legislação.
  • Mas, uma andorinha só não faz o verão... Quem está comigo?

* dados do Mundo do Marketing. A primeira foto é da campanha da Prefeitura de Paris. A segunda, da Galeries Lafaytte, tirada no metrô. A última é da ilustradora parisiense, Soledade Bravi, que desenhou, entre "milles autres choses", as lindas caixas do chocolate Pierre Herme.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fashion's Night Out - o Vogue's Day

Dizem que foi idéia da própria Anna Wintour - a "diaba" - que, entre uma edição e outra da Vogue US (a revista que é a própria bíblia do consumo de moda mundial), bolou uma ação para celebrar a indústria fashion e incentivar o consumo nesses tempos difíceis. (Que foi, Anna, a água bateu aí, foi?) O Fashion's Night Out foi apresentado em maio de 2009 pelo prefeito da cidade norte-americana Michael Bloomberg (e eu repliquei imediatamente, em 16/05). Apoiado por empresários, estilistas, modelos e artistas, o evento está programado para acontecer dia 10 de setembro (quinta-feira), em 13 capitais do mundo simultaneamente. Lojas em Nova York, Madri, São Paulo, Paris, Moscou, Milão, Pequim, Londres, Berlim, Atenas, Nova Délhi, Tóquio e Taipei ficarão abertas até meia-noite com atividades para promover a ação. Será uma ação similar à produzida pela champanhe Chandon na Oscar Freire, em São Paulo: mais de 100 lojas dos EUA já se cadastraram para, na data, receber clientes com bebidinhas, descontos e outros mimos exclusivos. Estão por trás da iniciativa nomes como Anna Wintour, Vera Wang, Tommy Hilfiger e Oscar de la Renta. Em São Paulo, o evento incluirá o Shopping Iguatemi, Market Place e a Daslu, onde acontecerão pocket-shows, microdesfiles, sorteios e até gincanas do tipo "caça ao tesouro". Além disso, cada local terá um stand da Hering onde serão vendidas camisetas do evento com parte da renda revertida para causas sociais. Os consumidores brasileiros já podem acompanhar todos os preparativos da festa através do blog exclusivo no site da RG Vogue, além de conhecer as "apostas" dos editores da revista brasileira para as coleções das marcas participantes. Serão selecionadas 10 peças de cada, que ganharão uma etiqueta especial e dicas de como usar junto com outras tendências de moda. Entre as grifes participantes estão 284, Accessorize, Alexandre Herchcovitch, Armani, Calvin Klein, Cavalera, Christian Louboutin, Diesel, Dior, Gucci, Hering, Isabela Capeto, Lacoste, Louis Vuitton, Marc Jacobs, Maria Bonita, Osklen, Rosa Chá e Vivara. Por enquanto. Estima-se que mais de 100 marcas participem da ação.

  • Difícil que uma ação solitária consiga minimizar os efeitos da crise nos Estados Unidos ou gerar algum ânimo em um mercado tão retraído...
  • Mas não desdenha, não! Minha opinião é que eventos como este vão começar a pipocar por aí.
  • Tem um montão de gente inteligente prevendo uma "nova ordem mundial" onde comunidades unidas por interesses comuns começem a se manifestar... presta atenção!
  • Uma coisa é certa: este é um super evento para o mercado da moda.
  • E que tal pegar um "jacaré" nessa marola? Aproveita algumas destas sugestões: aqui e aqui!

* nas fotos, famosos como Reinaldo Gianecchini e a estilista Lenny Niemeyer ( na primeira foto) e as tops Bruna Tenorio e Ana Claúdia Michels, entre a a maquiadora da MAC, Vanessa Rozan, vestiram na SPFW a camisa do Fashion´s Night Out.

Comprando roupa com realidade aumentada

O maior empecilho para o sucesso das vendas de roupas on line está por acabar - afinal, somente 3,7% dos que visitam esta modalidade de loja virtual finalizam seus pedidos. A Zugara lançou um software que permite experimentar roupas, via webcam, sem sair de casa. O recurso permite escolher o modelo, ir trocando cores e estampas, tirar uma foto para mostrar aos amigos (via Facebook) e claro, comprar as peças - tudo sem precisar de teclado ou mouse! A coisa toda parece ter saído de um capítulo dos Jetsons, tem até aquele sonzinho de teletransporte, trrrrrrrrrrrrrrrrrr. Olha só como funciona:

  • A bem da verdade, o recurso que mais me impressionou foi este de mudar comandos a mais de 100m de distância dos controles do computador.
  • Mas, sinceramente, ainda não dá pra conferir o caimento da roupa...
  • O que o futuro nos reserva? Se for parecido com este, vejo uma cirurgia para reverter miopia, no meu caso...

* vi no Update or Die.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Já sabe qual vai ser o jeans do verão?

Não, não estou falando dos boyfriend, saruel ou cenoura. Meu assunto aqui é consumo. E a calça que vai vender nas lojas na próxima estação é a nossa velha conhecida skinny. Onde ainda é inverno (do lado de baixo do Equador), a skinny tem sido vista acompanhada de jaquetinhas hussardos (tipo as das paquitas, capice?), paletós mais longos, com os ombros marcados. O efeito é de segunda pele. Meias praticamente.

E no verão? Continua tudo particamente assim. Veremos os skinnies com camisetonas largas e fininhas (algumas até transparentes, em malha desgastada, que está sendo chamada de "podrinha"). E também com blusinhas de algodão com o shape de batinhas, que no entra e sai das estações, continua reinando na preferência das brasileiras. Ou com regatonas, mais longas e com cavas pronunciadas - que é para mostrar o sutiã e o que mais quiserem deixar à mostra. E estas regatas virão tanto em malha, com efeito mais casual - quanto em seda, organza, tule transparente, ou bordadas com muitas pedras ou paetês foscos ou brilhantes - com intenção de sofisticar. A novidade mesmo serão as LAVAGENS das skinnies:

  • Claras, passando pelo cinza e chegando ao branco;

Kate Moss e Vicky Beckam, ditando moda

  • Desgastadas e rasgadas (efeito destroyed ou ripped);

As Heidis - Montag e Klum - jeans ripado ou rasgado. E a bossa da barra dobradinha também tá valendo...

  • Manchadas (como as desfiladas por Balmain)
Na passarela e nas ruas, jeans muito claros, manchados, destruídos + jaqueta "paquita" (tudo Balmain)

No quesito MODELAGEM, atente para:

  • Cós baixo (moderadamente baixo, não o extra baixo);
  • Bolsos da trás maiores e costurados mais para baixo;
  • Costuras laterais (da cintura ao tornozelo) simétricas. Ou seja, dividem a parte da frente a de trás do corpo em partes iguais. "O objetivo é evitar o look "popozuda", diz Cristiane Ruiz, da Calvin Klein.

Mas, e como vender (e escolher) o jeans-meia certo? "Há skinnies e skinnies", como explica Tito Bessa, da TNG, em entrevista para a Folha de São Paulo, mais confundindo do que esclarecendo. "O segredo está na modelagem e no elastano (= lycra).

Na categoria skinnies "moça de família" (os recomendáveis), a dose de elastano misturada ao algodão não ultrapassa a linha do que é considerado bom gosto. Ou seja, nada da aparência de "embalada à vácuo".

Adriana Bozon, da Ellus, com look total jeans branco, antes do desfile verão 2009/10

A fabricante Ellus, por exemplo, controla o efeito elástico. Segundo Adriana Bozon, estilista da marca "as skinnys têm um percentual pequeno de power lycra (responsável pelo efeito knorr - conhece? - onde qualquer "galinha velha" acaba por dar um "bom caldo").

  • Já a Calvin Klein delimita a oferta de skinnys até o tamanho 42 para evitar que as fora-de-forma tentem entrar numa superskinny.

Em oposição, as skinnies a la Gang têm o espírito calça de ginástica. A dose de elastano é extra, extra, extra. Os bolsos, menores, são costurados mais para perto do cós (aumentam a derrière). E as costuras laterais são jogadas mais para a frente do corpo. Tudo para que o bumbum fique mais parecido com o de Jennifer Lopez (ou Juliana Paes, ou Beyonce ou Mulher Melancia).

Mulher Melancia (e Melão) no aeroporto Galeão, com os "confortáveis" jeans Gang

Ou, como descreve o material de marketing da Gang (marca carioca de Alcyr Amorim) "faz qualquer traseiro parecer grande e mais redondo".

Captou? Redondo e bem grande...

* quem deu as dicas das diferenças entre skinnies foi a editora de moda Simone Esmanhoto, no seu C'est Sissi Bon. A maioria das imagens é do Denimology. A do trio "força no elastano", foi tirada por Marcelle, no centro de São Paulo.

sábado, 20 de junho de 2009

Já calçou a Amazônia hoje?

Quem é meu leitor certamente é bem informado e já deve estar sabendo das notícias que revelaram que o maior vetor do desmatamento da Amazônia é a indústria agropecuária. E o que o blog tem a ver com isso? Presta atenção no resuminho da história:
  1. O Greenpeace Brasil, depois de uma investigação séria e detalhada que levou 3 anos, divulgou no dia primeiro deste mês um relatório denunciando as empresas que indiretamente colaboram com a destruição da Amazônia ao sustentar a criação ilegal de gado.
  2. Na lista, um monte de marcas que o mundo inteiro conhece e consome: Nike, Adidas, Timberland e Reebok, que compram na China couro do frigorífico brasileiro Bertin. Toyota, Honda, Ford e BMW, que compram nos EUA couro do mesmo frigorífico para bancos de carro. Boss, Louis Vuitton, Prada, Gucci, que compram o mesmo couro na Itália para fazer bolsas e sapatos. E, no Brasil, Vulcabrás (Reebok e Olympikus) e Calçados Dilly (TryOn, Fila, Umbro, Kappa e também Glória Coelho e Carlota Joakina), além do Pão de Açúcar, Wal Mart e Carrefour, que compram produtos bovinos da Bertin e também da JBS e da Marfrig, outros frigoríficos da Amazônia.
  3. Uma semana depois, dia 8, a Associação Brasileira de Supermercados se reuniu e decidiu fazer alguma coisa. Em decisão conjunta, Pão de Açúcar, Wal Mart e Carrefour concordaram em, juntos, tirar seus nomes da lista. Na quarta passada, eles anunciaram que abandonariam 11 fornecedores do Pará que não conseguiam garantir que sua carne não provinha de desmatamento ilegal.
  4. Dois dias depois, sexta-feira passada, o Banco Mundial anunciou que estava cancelando seu contrato para financiar o frigorífico Bertin, maior exportador do Brasil e segunda maior empresa do setor do mundo.
  5. No sábado, 13/06, a coluna Radar, da Revista Veja, informou que a Adidas convidou a Bertin, para uma conversa em sua sede, na Alemanha. A Adidas quer que a Bertin dê garantias de que não vai fornecer couro proveniente de regiões de desmatamento na Amazônia. A Adidas convidou o Greenpeace para testemunhar a reunião.
  • Estou na torcida para que as outras empresas envolvidas no escândalo tomem algum posicionamento. Será que a Nike, Vulcabrás, Dilly, BMW, Ford, Honda, Toyota vão tomar uma providência ou vão ficar torcendo para os consumidores não ligarem para a destruição do chamado "pulmão do mundo"? (foi assim que eu aprendi a chamar a Amazônia, no meu tempo de escola)
  • E será que os frigoríficos e curtumes envolvidos vão se mexer para se adequar à lei? Não perca, nos próximos capítulos!
  • Esta história é legal porque é uma das raras vezes em que o temor quanto a pressão dos consumidores embasou uma mudança de atitude da indústria.
  • Sabemos que há uma imensa pressão por resultados que faz com que se escolha sempre o fornecedor mais barato, sem se preocupar muito com o que esse fornecedor faz para conseguir preços tão baixos. As empresas só vão proceder de um jeito diferente se perceberem que os consumidores vão puni-las se elas não forem responsáveis. É bom ver que isso está começando a acontecer no Brasil. É pouco, mas é um começo.

  • Corro o risco de lhes parecer ingênua, mas continuo envergando a bandeira de que desenvolvimento e sustentabilidade devem andar juntos. Na verdade, a esta altura do século 21, já deveria estar claro que um sem o outro é inútil.

* da Veja, da Folha On line e do blog Sustentável é Pouco.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Novas regras para o vestuário infantil

Tamanho das roupas infantis será informado de acordo com medidas corporais a partir deste verão.
A Abravest (Associação Brasileiro de Vestuário) e a ANBT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) apresentaram nesta terça, dia 16, durante a FIT (Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil-Bebê), em São Paulo, uma nova padronização para o vestuário infantil.
Desde 1992 existe a intenção desta modificação. O projeto apresentado não mais separa as roupas de acordo com a idade das crianças de zero a 16 anos, mas por medidas corporais, como acontece nos Estados Unidos e na Europa. A diversidade de etnias existentes no Brasil e o desenvolvimento que nesta fase depende de cada criança faz com que exista muita diferença entre os tamanhos.
Vantagens para o varejista e para consumidor
  1. Melhora da qualidade dos produtos brasileiros;
  2. Diminuição do custo de produção, com melhor aproveitamento dos tecidos e consequente barateamento de alguns produtos;
  3. Certificação contra os produtos piratas e de má qualidade;
  4. Aumento da venda de vestuário via internet e catálogos;
  5. Diminuição da quantidade de trocas de peças que foram presenteadas;
  6. Diminuição da necessidade de experimentar as roupas na loja (que gera sempre um desconforto para crianças e bebês);
  7. Aumento das possibilidades de exportação.

Adesão dos fabricantes é voluntária

A expectativa é que as novas etiquetas começem a figurar nas confecções a partir de outubro de 2009. A adesão do fabricante não é obrigatória. A ABNT e ABRAVEST estão em campanha para que o maior o número de empresas adotem as novas regras, garantindo a simpatia e rápida adaptação da maiorias dos consumidores.

As medidas e os moldes das novas padronagens estão sendo desenvolvidos pela ABNT e serão fornecidos gratuitamente aos associados da Abravest, juntamente com um selo, que deve ser usado nas embalagens destinadas ao público final. Além desta identificação, receberão uma cartilha com texto explicativo e uma tabela de medidas.

  • O próximo passo é o vestuário adulto: depois do setor infantil, a padronização dos tamanhos do vestuário adulto masculino e feminino estarão no alvo das mudanças.
  • E a Abravest e a ANBT já tem data para o lançamentos: setembro, será a vez do masculino, e em novembro, do feminino.
  • Esta não é uma notícia fantástica? Agora é torcer para que funcione!
* Na imagens, foto do catálogo da Green, verão 2009. Dados do Portal Use Fashion.

domingo, 14 de junho de 2009

Apoio declarado

Mesmo sofrendo represálias e sendo um tema que ainda suscita muita polêmica (ou exatamente por este motivo), muitos fabricantes e lojistas de moda ao redor do mundo mostram-se simpáticos ao universo GLBT.

Alguns de forma sutil

Vitrine Ralph Lauren, Nova Iorque (2008)

ou escancaradamente

Campanha da italiana RA-RE, clicada por Oliviero Toscani

Na sua logomarca

Loja 2 Meninos (São Paulo), especializada neste nicho de mercado

Em apoio ao direito de constituírem família

porta de elevador da Loja Ikea, (Massachusets, EUA);

e em mais uma foto de Toscani para a italiana Ra-RE

Na vitrine

da pequena loja de Marc Jacobs no Soho, NY, 2008 - onde o modelo é o próprio Jacobs.

e na enorme Macy's da Herald Square (New York, 2007)

No catálogo

da grife carioca Alex Mallet

E no desfile

de Walério Araújo (divertido e transgressor, acima na foto), para a Casa de Criadores, (São Paulo, 2009)

  • Lembrando que, Oliviero Toscani é o autor das famosas (e polêmicas) campanhas da Benetton, dos anos 90. Como esta, de 1993, que mostra um homem agonizando de aids, ao lado da família e com a mão de outro homem oferecendo-lhe conforto.