terça-feira, 31 de março de 2009

Em Manutenção

Como alguns de vocês puderam perceber, o blog esteve paralisado por mais de uma semana. (Quer dizer, esta é a versão "boa moça". A versão drag é: O blog surtou, minha gente!)
Após muito trabalho braçal descobrimos a origem de algumas falhas e reestabelecemos alguma ordem na casa. (Tudo na primeira pessoa do plural, mesmo, porque contei com o auxílio luxuoso do maridón. Eu me encarreguei de oferecer apoio e uma ou outra xícara de café.)
Ainda falta instalar um mecanismo de Pesquisa (Search), corrigir o tamanho das letras e a formatação do texto. Também espero ardententemente reencontrar onde o Blogger escondeu mais de 20 rascunhos de posts - todos super interessantes e imprescindíveis!
Mas já dá para começar a sorrir: as postagens logo, logo reiniciam. Só preciso de um tempinho para secar o suor da testa e as lágrimas do rosto. E que o sedativo comece a fazer efeito (e olha que o veterinário garantiu que era imediato).
Obrigada pela preferência, queridos. Voltem sempre!
  • Se alguém entre vocês souber alguma coisa sobre o Search e os rascunhos perdidos, por favor, DIGA! Meu e-mail é lucienecv@gmail.com

* foto Ray.

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Sou um caixa eletrônico"

O blog mantêm o foco no tema consumo de moda mas engata o carrinho de compras em um balcão tortuoso e derrapa no balcão de hortifrutigranjeiros.
Nunca imaginei que traria este assunto para cá, mas a Revista TPM e sua excelente reportagem de capa me estimularam e eu acabei me empolgando com a salada de frutas que saiu. Então, topa descascar essa melancia?
FIM DE FEIRA
O fenômeno das mulheres hortifrúti invadiu a cena brasileira. De costas! Bailarinas e cantoras(sic) de funk remexem seu bumbum-celebridade com entusiasmo. Em seus shows, as mulheres frutas sobem no palco ao som de músicas compostas para elas, espécie de hinos. "Bota o melão para quicar/ Bota o melão para quicar", canta o MC Frank, parceiro da Mulher Melão, acompanhado pela multidão. "O meu lema é este aqui: Solteira sim, sozinha nunca/Sou garota melancia/E rebolo a minha bunda” canta a Mulher Melancia. A coreografia, no caso das duas, acompanha as letras. Melão pula cada vez que ouve a ordem de quicar seus seios. E Melancia levanta a bunda em direção ao público enquanto todos gritam.
E a Mulher Filé (ou Yani de Simone, 19 anos) faz o quê? Pede cartões de crédito para o público, escolhe um e passa o objeto – pasme – no meio de suas nádegas. "Antes eu fazia o pisca-bumbum, que é o movimento de contração das nádegas. Mas comecei a achar muito sem graça e quis dar uma incrementada. O Catra (Mr. Catra, líder da banda e personalidade do funk há 20 anos) sugeriu passar um cartão de crédito e eu achei legal, engraçado", conta. "Gosto da viagem das pessoas. Não tenho vergonha nenhuma, acho superdivertido, sou um caixa eletrônico que, às vezes, engole o cartão!"
Pois Mr. Catra, ao passar o cartão de crédito no bumbum da Mulher Filé, está dando uma imensa contribuição às reflexões sobre a feminilidade contemporânea. Afinal, essa imagem sintetiza, como poucas, o ideal de consumo que sorvemos mensalmente nas páginas das revistas: o corpo turbinado, representação da mulher poderosa, em relação obscena com um cartão de crédito. Nada mais preciso. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, especialista em corpo e sensualidade, essas dançarinas-frutas sintetizam a sociedade brasileira: "Nossa cultura sempre valorizou o corpo e a sexualidade como um capital", afirma.
Não sobram dúvidas: é o corpo feminino, sarado, sujeito a toda sorte de intervenções médicas e estéticas, que faz a roda da mídia girar.
  • Ou você continua achando que existe muita diferença entre as mulheres fruta e as übber models que desfilam para a Victoria's Secrets?
  • E a dúvida que me aflige: Como fica o rebolado da Mulher Filé quando topar com um daqueles cartões com chip?
  • Informação inútil: sabia que a Mulher Melão (Renata Frisson) é oriunda (rima com... raimunda) de Balneário Camboriú? E a Mulher Samambaia (Danielle Souza), também.

* texto em itálico, extraído da revista TPM, fevereiro 2009.

Loja em container: loja pop up, loja kamikaze, guerrilha store ou BOMBA!?

Se as tendências, os produtos e os clientes podem ir e vir, porque não as lojas? No varejo, onde quase tudo já foi criado - e amplamente copiado!, esta possibilidade não só é plausível como nem é mais novidade. Primeiro foi a estilista Rei Kawakubo, com sua Comme des Garçons, na Place Vêndome, em Paris. Depois o mundo todo. As mais famosas praças, nas maiores metrópoles, estacionamentos de universidades e até áreas rurais já foram cenário para as pop up store, ou lojas pop up (do termo pipoca - que rapidamente abre, estoura) uma tendência de varejo devidamente apresentada e disseminada pelo trendwatching.com, em 2004.
Este conceito de business de moda virou mania no exterior: japoneses e europeus, por exemplo, já se acostumaram com o lance. Funciona mais ou menos assim: uma marca (ou alguém) abre uma loja temporária, de preferência num lugar inusitado. O resultado é a criação de um hype relâmpago, bem no clima de "consuma antes que acabe!" .
Grandes varejistas costumam usar pop-up stores para gerar frisson ao lançarem novos produtos. Também são uma excelente maneira de "verificar o pulso" dos consumidores e o grau de fidelização à marca. Especialmente porque uma operação desta costuma custar bem menos que comerciais de televisão de grande abrangência (que dragam rios de dinheiro em produção e exibição). Afinal, uma pop up store reúne três dos mandamentos do novo varejo: vão de encontro ao cliente (e não o contarário, como nas lojas físicas); geram "experiência de compra" e "encantam" com a surpresa do inusitado do lugar , com o entretenimento programado (tipo música ao vivo, djs, premiações e o que mais se imaginar), mas especialmente, pela sensação de urgência que uma loja com prazo marcado para fechar incita. Quem de nós nunca se mobilizou com a faixa na vitrine anunciando - Últimos dias. Aproveite! Não à toa que marcas como Nike, Chanel, Puma, Target, Adidas, Uniqlo ou Illy já aderiram à ideia e vez ou outra recorrem ao esquema.
Grandiosidade - Vinte e quatro containeres de navio formam a Puma City, uma loja que também é um prédio de negócios e eventos e que está viajando ao redor do mundo com o navio Il Mostro durante a corrida 2008 Volvo Ocean Race, que começou na Espanha em outubro passado e deve terminar neste ano. O prédio viaja em navios de carga junto com os barcos da corrida e é montado e remontado diversas vezes, sempre que se inicia uma nova largada, em diferentes portos internacionais.
A POLÊMICA
Tudo isso para introduzir a polêmica que está gerando o abertura de uma loja na Av. Brasil (aqui em Balneário Camboriú) que quer funcionar dentro de um container. A Concept Store Container tem uma proposta diferente, segundo seu idealizador, André Krai, que diz ter optado por esse tipo de construção para enaltecer a consciência ecológica da marca- já que tudo que vai vender na loja é ecológico, sustentável e reciclado. "As araras, por exemplo, são feitas de corrimãos de ônibus", diz Krai, que possui outras lojas deste tipo em Gramado e Shangri-lá (RS).

O comerciante vem tentando desde novembro de 2008 liberação para operar a loja, mas seu pedido foi negado pela Prefeitura e pelo Conselho da Cidade por ferir a legislação municipal que rege os estabelecimentos comerciais. De acordo com o que li, o empreendimento não cumpre com o padrão mínimo de área exigida e não contempla lavabos para funcionários e clientes além de área para refeições dos empregados, como prevê a lei.

Além disso, especula-se que a iniciativa poderá estimular um boom de lojas em containers e a instalação de um camelédromo de containers. Como se não bastasse, toda a ação está misturada à denúncias de propina, advogados com envolvimento favorecido pelo resultado das últimas eleições para prefeito e advogados contratados com grau de parentesco e ligados aos vereadores da bancada da situação, na Câmara de Vereadores.

Enquanto isso, o container de André Krai permance fechado na Av. Brasil, no terreno onde antes ficava a casa do ex-prefeito Haroldo Schultz, ao lado da Panificadora Tuty's Pão.

  • É muito problema pra um só container, é ou não é? Melhor lacrar tudo e exportar essa confusão toda!
  • Além disso, pelo que percebi, o conceito de negócio não é o mesmo das lojas pop up, que tem prazo de validade e mobilidade. Ou seja, qual a graça de instalar a loja em um container se a idéia não é movê-la de um lugar para o outro? Deixar um container "encalhado" em uma avenida certamente não é muito auspicioso para nenhum tipo de comércio.
  • BOMBA! foi o nome dado à primeira pop up store brasileira. Durou exatos 100 dias, no Rio de Janeiro. Contava com um marcador sonoro de tempo, no estilo de uma bomba relógio. Virou sinônimo de loja pop up, asssim como loja kamikaze e guerrilha store.

Nas lojas, a nova coleção de sapatos femininos!

        • Dizem que nós, mulheres, falamos demais. Mas sempre haverá um momento de intensa magia, onde palavras não são suficientes para expressar toda nossa emoção!

        * mais das luxuosas ilustrações da francesa Margaux Motin podem ser conferidas aqui. E o que é a música de abertura do site? Simplesmente a música mais linda do meu mundo cantada pela maior cantora do meu mundo... Tem que clicar!

        terça-feira, 17 de março de 2009

        É barato ser fashion!

        No último domigo, 15 de março, a rede de lojas de departamento gaúcha Pompéia apresentou sua coleção de inverno 2009 na sua cidade de origem, Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul. O evento, que reuniu cerca de 250 convidados, dá seguimento a várias estratégias depois que a empresa adotou o slogan "É fácil ser fashion", mostrando que moda popular também pode ser antenada. Neste ano, a palestrante foi Gloria Kalil, que falou sobre o mercado brasileiro de moda, o perfil do consumidor e as tendências para o inverno 2009. Segundo ela, as empresas de moda devem dar ao consumidor um meio de mostrar o que ele realmente é. "A roupa hoje é uma expressão individual, diferente de tempos atrás, quando era uma expressão social". Ainda de acordo com Gloria, a imagem de uma marca deve ser bastante clara, para que o consumidor possa se identificar rapidamente com ela. O desfile foi ambientado no centro de distribuição da loja, com stylist de Éden Matarazzo. A coleção investiu no conceito cheap chic (moda acessível), e apresentou cerca de 50 looks para masculino, feminino e infantil. No feminino, destaque para calças saruel, looks de alfaiataria, padronagens xadrez, estampas, bolsas pequenas e médias (em substituição às oversized das últimas temporadas) e botas, muitas botas.
        Para o público masculino, sobreposições, padronagem argyle, alfaiataria, calças com modelagem slim, cangurus e tênis esportivos. Ambas coleções foram baseadas em tons neutros, como cinza, marrom e bege, além do preto. Os looks do infantil trouxeram cores para o frio, casacos, estampas gráficas e galochas.
        • Fundada em 1954 pelo empresário Lins Sperotto Ferrão, na cidade de Camaquã, a Pompéia é considerada uma das maiores redes de lojas de departamento do Rio Grande do Sul, com cerca de 50 lojas em todo o estado e aproximadamente 2500 colaboradores
        • Muito bom o aproveitamento do corredor central do galpão de estoques como passarela para o desfiles; lembrou-me um desfile da linha "cruiser" da Chanel que foi feito em um hangar de aviões. Aplausos do blog para o autor da idéia - e para quem aprovou!
        • Pergunta: quando você vê nos textos termos como cheap chic, oversized, slim, argyle, skinny, clutch ou saruel você tem exata compreensão do que eles significam? Gostaria de ver aqui um dicionário de termos de moda mais comuns ao varejo?

        * texto e fotos do Portal UseFashion

        segunda-feira, 16 de março de 2009

        Crítica de Loja - Renner, C&A, Marisa e Riachuelo *

        O site Chic, administrado pela consultora de moda Gloria Kalil, fez uma série de reportagens sobre as coleções de inverno 09 das lojas de departamento. Foi mais de um mês entrevistando os responsáveis pelo estilo de cada marca, fotografando as peças e visitando algumas unidades da Renner, Riachuelo, Marisa e C&A. O que diferencia uma marca da outra não é o preço – todos muito parecidos, com variações de, no máximo, R$ 10 em produtos semelhantes – nem a informação de moda – as quatro redes têm esquemas idênticos de pesquisa e assinam bureaux de tendências, como o WGSN – aliás, a reportagem teve acesso às indicações feitas pela agência para a estação e confirmou que são as mesmas apresentadas pelas lojas, sem tirar nem por. A principal diferença entre elas está na qualidade e na variedade. Enquanto Renner e C&A apresentam (na maioria das vezes, já que também pode haver pequenas variações dependendo do produto) peças mais bem acabadas e opções para vários estilos, na Riachuelo e na Marisa há menos possibilidades. Fazer a escolha certa não é impossível, mas requer um olhar mais apurado. Na Marisa, por exemplo, chama a atenção a quantidade de tecido sintético usada até para as básicas camisetas brancas. É no masculino, sem dúvida, o ponto fraco de todas as marcas. Renner e Riachuelo se salvam (de leve). A primeira por montar uma coleção pensando em todas as circunstâncias tal qual é feito para as mulheres – há ternos para o trabalho, mas também calças confortáveis para o fim de semana, suéteres neutros para usar por baixo dos paletós ou mais descolados para um look com calça jeans, jaquetas etc. Já na Riachuelo tem a Pool, marca clássica especializada em polos – curinga em todas as lojas – que agrada homens de várias idades. Mas, no dia da visita da reportagem à C&A não havia sequer uma camiseta lisa com decote em V nas araras masculinas. Outro pecado constante é estampar t-shirts e polos para dar um "ar jovem". E foi na Marisa que ficaram claras as dificuldades de um homem antenado. Uma das vendedoras confessou que a maior procura é por calças skinny - que não existem nas lojas de departamento que parecem enxergar os homens apenas como consumidores de jeans largos, camisetas sem graça e camisas idem. No entanto, para as mulheres, é realmente possível montar um look atual apenas comprando nessas lojas – se esse for seu desejo. Apesar de não serem exatamente uma fast-fashion – o tempo entre detectar uma modinha nova e colocar à venda é de até dois meses (apenas a Renner não divulga esse tipo de informação), dá para consumir uma moda rápida e esquecer que a peça precisa durar mais de uma estação (e muitas vezes nem precisa mesmo!). Bom para quem não quer parar de ir às compras nem em tempos de crise, nem deseja abrir mão do estilo. * crítica de loja extraída do Chic, em 16/03/09. Foto do catálogo Renner de março, 2009, "É tempo de Mulher" .

        domingo, 15 de março de 2009

        O marketing deve ir onde o povo está

        Em 2008, quando começou a perceber queda nas vendas de sua loja, a diretora de marketing da Senso Shoes, Carolina Danielian, 27, investiu em idéia ousada. Contratou cinco modelos, vestiu-as com calçados e bolsas produzidos pela firma e pediu que passeassem na frente de duas lojas com sacolas de compras com o logotipo da marca - na hora do almoço e no fim da tarde, usualmente, um horário que percebia um pique nas vendas. Na ação, que durou uma semana, Danielian investiu R$ 10 mil (com cachê das modelos e custos com os produtos desfilados). "As vendas aumentaram 47%", comemora. "O marketing é elementar na crise", ressalta o consultor Marcelo Ortega, também autor do livro "Sucesso em Vendas", que recomenda que o empresário faça as contas e invista ao menos 20% do faturamento em marketing. Ele aplaude a iniciativa da Senso Shoes (que atende lojistas e vende basicamente para atacadistas, na região paulista do Brás)."Não se deve apostar num único caminho, nem mesmo fazer uma ação isolada uma única vez". Para Walmir Bello, do Sebrae, é importante ter estratégias para anunciar e captar novos clientes. Mas avisa, "há um fator que muitos empresários desconsideram: o marketing de relacionamento. Manter contato com clientes é mais barato do que conquistar novos. É uma pena que cadastrar consumidores e suas demandas ainda é uma prática pouco recorrente entre as lojas." * texto extaído do Caderno de Negócios, na Folha de São Paulo deste domingo, 15/03/09. A foto é do Daily Mail de Londres e ilustra uma ação de marketing dos lojistas da Oxford Street, de dezembro de 2008. Modelos passearam nus, cobertos somente por sacolas das lojas associadas, anunciando que o tráfego fecharia para os carros e seria liberado para os pedestres agilizarem suas compras de Natal.